Economia

Confira o que pensam algumas casas de investimento sobre a nova Selic

No geral, o mercado já estava aguardando um ajuste dessa magnitude. Comunicado “seco” chama a atenção

Data de publicação:28/10/2021 às 11:31 - Atualizado um mês atrás
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No dia anterior, o Banco Central anunciou a nova Selic, taxa básica de juros do País, que recebeu um ajuste de 1,5 ponto porcentual – movimento já esperado pelo mercado. Algumas casas de investimento já soltaram suas análises sobre essa ação da autoridade monetária e o que esperar daqui para frente. Confira a seguir algumas opiniões.

Após a divulgação de planos do governo para pagar parte do Auxílio Brasil de R$ 400 em 2022 e para alterar o indexador fiscal, nas duas últimas semanas, a mediana de mercado para o aumento de juros de outubro saltou de 1 ponto porcentual, para 1,5 ponto. Parte dele chegou a prever ajustes mais fortes nesta reunião, de 2 a 3 pontos.

Foto: Reprodução
Aumento de 1,5 ponto na Selic já havia sido previsto por boa parte dos analistas - Foto: Reprodução

Confira a opinião de algumas casas de investimento sobre a decisão do Copom sobre a Selic.

Banco Original

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar o ritmo de elevação da Selic foi acertada e compatível com uma deterioração no cenário macroeconômico pintado pelo Banco Central.

A opinião é do economista-chefe do banco Original, Marco Caruso. Para ele, contudo, o comunicado ainda mostra uma resistência do BC de entregar todo o juro que está hoje implícito na curva de juros, que mostra uma Selic acima de 11%.

No cenário do Original, a taxa prevista para o fim do ciclo de aperto é de 11%, mas Caruso afirma que aguarda a ata do comitê para garantir que irá reforçar ou não esse patamar.

"O tom (do comunicado) foi seco, as avaliações do fiscal foram justas, mas considero que o BC tem cartas na manga para, em algum momento, pausar o ciclo de altas no ano que vem", disse.

Ele cita, por exemplo, o fato de que o BC ainda não deixou explícito o tamanho da desaceleração no crescimento da economia e ainda trabalha, dentro da previsão de preços administrados, com uma bandeira vermelha para preços da energia até 2023.

Para o economista, isso deixa um espaço para que o Copom reavalie, mais à frente, uma alta mais agressiva nos juros. Caruso apontou ainda que, com a decisão de aumentar o ritmo de alta na Selic, dos 1 p.p indicados na última reunião para 1,5 p.p, o BC responde à altura à piora no cenário fiscal.

Mas destaca que, como tomador de informação, o Copom trabalha ainda com a probabilidade de que o teto de gastos realmente seja alterado, não com a consolidação desse cenário. "Só com a possibilidade de furo, as premissas pioraram", alertou.

Mag Investimentos

Ao elevar a taxa Selic em 1,5 ponto porcentual, o Copom atendeu à ponta mais “leve” das estimativas do mercado, avalia a estrategista-chefe da Mag Investimentos, Patricia Pereira.

Para a analista, o destaque da decisão foi um comunicado seco da autoridade monetária, que não explicitou a sua avaliação a respeito das propostas de mudanças no teto dos gastos.

"O que chamou atenção foi o Copom não dizer, ser mais econômico", diz Pereira. "O Copom mencionou questionamentos em torno do arcabouço fiscal, mas isso quer dizer que, para ele, não está claro? Ele tem a opinião de que o teto não foi quebrado? Ele tem espaço para ser mais explícito na ata, mas pode não ser. Pode tentar ganhar tempo, mantendo uma comunicação mais seca sobre a política fiscal."

No comunicado, no entanto, o Copom apresentou um trecho sobre a política fiscal no Brasil. "Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico", diz o texto.

Segundo Pereira, a sinalização do Copom de um novo aumento de 1,5 ponto em dezembro faz com que o cenário-base convirja para uma Selic de 9,25% no fim do ano.

A menção do comunicado a um aperto monetário que avança "ainda mais em território contracionista" indica que o Banco Central (BC) também passou a enxergar uma taxa de juros maior no fim do ciclo, avalia a estrategista, que estima juros terminais próximos de 11%.

Pereira considera, no entanto, que a mudança das projeções de inflação do cenário básico do BC para 2022 - de 3,70% em setembro para 4,10% neste documento - indica que os diretores do BC podem abandonar em entrevistas o compromisso com o centro da meta de inflação do ano que vem, de 3,50%.

"Se ficarem nessa ideia de entregar o centro da meta, teria de aumentar o passo em relação a hoje, vão ter de fazer muito mais", nota Pereira. "Se flexibilizarem, podem reduzir um pouco o passo a partir de janeiro do ano que vem. Não tem como advogar o cumprimento da meta, não é crível."

Ativa Investimentos

Para a Ativa Investimentos, o comunicado do Copom foi visto de forma positiva. “O ritmo é suficiente para promover a convergência da inflação para meta no horizonte relevante para política monetária”, diz o economista-chefe da casa, Étore Sanchez.

“O Copom destacou a piora nos preços dos ativos, nos riscos fiscais e a consequente elevação do juro neutro. De maneira similar reforçou o compromisso com a meta de inflação”, destacou.

Para o economista, apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos.

“Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, avaliou Sanchez.

As expectativas do BC para 2022 subiram de 3,7% para 4,1%, exigindo um esforço adicional de 200bps no observado na reunião anterior. Assim, para a completa convergência é necessário 300bps acima dos 9,50% apontados pelo Boletim Focus no final de 2022.

Por conta disso, Sanchez enfatizou que a casa manteve a perspectiva de um ciclo com mais três elevações de juros de 1,5%, somadas a mais uma elevação de 1 ponto porcentual e outra de 25 bps, conduzindo a taxa para 12% em meados de 2022.

“No fim do próximo ano, a fim de não perder a meta de inflação para baixo, a autoridade deverá iniciar o ciclo de baixa, ao passo de -50bps, encerrando 2022 em 11%, e conduzindo a Selic a 7,5% (juro neutro) no primeiro semestre de 2023”, conclui. / com Agência Estado

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