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Com tese de inflação prolongada, Fundos Multimercado optam por posições vendidas no exterior

Com cenários desafiadores no horizonte, tomar posição em juros e ativos internacionais têm sido escolha dos gestores

Data de publicação:14/11/2022 às 05:00 -
Atualizado 12 dias atrás
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Com a inflação em alta tanto no Brasil como no mundo, gestores de Fundos Multimercado têm recalculado a rota e mudado estratégias para driblar o cenário. Por aqui, após 3 meses de deflação, o IPCA voltou a subir em outubro, o que já estava precificado pelas gestoras, ao mesmo tempo que já contam que a inflação global será mais prolongada.

Com uma pressão inflacionária nos Estados Unidos, economia que dita o comportamento do mercado no mundo, alguns gestores acreditam que o trabalho de aumento de juros pelos bancos centrais não será suficiente para neutralizar a inflação sem apoio do controle de gastos pelos governos. Neste cenário, uma das principais estratégias adotadas por Fundos Multimercado é manter posições vendidas no curto e médio prazo.

fundos multimercados
Fundos Multimercado sofreram com retiradas, mas muitos tiveram desempenho positivo este ano | Foto: Envato

Raone Costa, economista-chefe da Alphatree Capital, destaca que reverter o cenário de inflação apenas via Bancos Centrais sem apoio fiscal dos governos é uma tarefa complicada. Ele explica que historicamente, esse processo mais persistente serve para que a inflação dilua o endividamento que os governos nacionais fizeram no período de crise.

Filippe Santa Fé, gestor de juros do fundo ASA Hedge, pontua que o cenário Brasil, no médio e longo prazo, será ditado pela inflação norte-americana. O caminho, segundo ele, é avaliar o quanto o aperto monetário pelo Federal Reserve está afetando a atividade econômica e qual a velocidade desse movimento.

De acordo com Santa Fé, neste final de ano, o momento não é oportuno para tomar grandes riscos, e a escolha do fundo é por trades mais táticos. A maior posição recente do portfólio é estar vendido no índice S&P 500. O índice acumula queda de mais de 16% em 2022. A estratégia geral do ASA Hedge é operar venda de ativos e tomar juros.

Posições em juros

O gestor do fundo ASA Quant FIM, Thiago Mizuta, explica que se utiliza da análise quantitativa e algoritmos, e toma juros com base em projeções do mercado e traders de fundamentos.

"Quando os juros estão subindo, estratégias de tendência costumam funcionar muito bem. Olhamos a tendência dos juros e a expectativa dos economistas para inflação. Se os juros estiverem subindo, mas a inflação estiver caindo, a posição se neutraliza. Se os dois indicadores estiverem apontando para a alta, tomamos uma posição maior em juros".

Thiago Mizuta, gestor do ASA Quant

Em carta do gestor de outubro, a Opportunity destacou que mantém posições na direção da alta dos juros no cenário internacional, concentradas na parte mais curta da curva americana. A gestora afirmou que após forte correção nos mercados acionários internacionais, conseguiu realizar lucro nas posições vendidas e aguarda oportunidade para retomá-las em níveis mais atrativos.

Proteção além do Kit Brasil

De acordo com o Portfolio Manager e Co-CEO da Alphatree Capital, Jonas Doi, a disponibilidade de produtos passivos no mercado brasileiro não protege o investidor comum de crises como inflação alta, subida de juros e choque de commodities no exterior.

Baseada na estratégia de diversificação, a gestora montou um estudo de portfólio chamado de "Kit Brasil". A ideia é construir uma carteira média de exposições passivas, com um portfólio de três índices que são replicados por produtos de fácil acesso a qualquer investidor brasileiro:

  • Índice IRF-M1, que sintetiza uma carteira de títulos públicos pré-fixados;
  • Índice Ibovespa, que sintetiza uma carteira de ações brasileiras;
  • Índice USDBRLCR2, que simula os ganhos de um fundo cambial.

Por esse motivo, para fugir um pouco dos ativos locais, a gestora também inclui um ativo estrangeiro como o índice S&P 500, junto ao "Kit Brasil". Segundo a Alphatree, essa diversificação acrescenta uma valorização de cerca de 4,1% sobre o CDI e aumenta a previsibilidade do Índice Sharpe, que ajuda a calcular o risco-retorno.

Confira os 10 fundos multimercados mais rentáveis no ano

O segmento dos Multimercado é o que mais vem sofrendo com a debandada de investidores neste ano. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, Anbima, em nove meses de 2022, as retiradas líquidas (saques menos depósitos) chegaram a R$ 79,7 bilhões. Mesmo com alguns deles superando em mais de quatro vezes a variação acumulada do DI.

O mais rentável em 2022 até o fim de outubro, o Systematica Blue Trend Advisory valorizou 45,0% enquanto o CDI rendeu 10,0% no mesmo período. Em 12 meses, até o dia 4 de novembro, o rendimento do fundo é de 37,34% e o do CDI é de 11,56%.

Na seleção foram considerados fundos com patrimônio a partir de R$ 20 milhões e com, no mínimo 1 mil cotistas, todos abertos ao público em geral. O desempenho em 2022 é até o dia 31 de outubro, e em 12 meses é até o dia 4 de novembro.

FundoRend. 2022Rend. 12 mesesPatrimônio
Systematica Blue Trend Advisory FIC FIM IE45,0%37,3%R$ 261,6 mi
Asa Hedge FIC FIM36,2%41,9%R$ 1,78 bi
Vitreo Petroleo FIM35,7%31,1%R$ 20,8 mi
XP Macro Plus FIC FIM34,0%31,9%R$ 1,85 bi
Mar Absoluto FIC FIM33,8%32,4%R$ 1,25 bi
Exploritas Alpha América Latina FIC FIM33,7%56,4%R$ 186,2 mi
XP Investor Long Biased 30 FIC FIM31,3%31,9%R$ 368,8 mi
Vista Multiestrategia Advisory FIC FIM31,1%28,8%R$ 477,0 mi
Vista Multiestratégia FIC FIM31,0%28,8%R$ 894,7 mi
Chess Alpha FIC FIM25,7%33,2%R$ 27,9 mi
CDI10,0%11,6% -.-

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Sobre o autor
Mari Galvão
Repórter de economia na Mais Retorno

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