Economia

O Caged, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, apresentou um resultado surpreendente em fevereiro: o saldo entre quem ingressou e saiu do mercado de trabalho, portanto entre criação de vagas e demissões, foi positivo em 401.639. 

Os dados foram divulgados nesta terça-feira, dia 30, pelo Ministério da Economia. É o segundo mês consecutivo que os resultados superam em muito as expectativas, porque em janeiro já havia sido registrado uma criação recorde de 258.141 vagas.

Caged: número de vagas criadas superou o de demissões em 401.638 mil, em fevereiro

O que não deixa de chamar a atenção com a pandemia e respingar com ventos positivos no mercado de ações, porque mostra uma reação inesperada da economia. O Ibovespa subia mais de 1% por volta das 13h30, também animado com o Caged.

“Os números ficaram bem acima do consenso de mercado, projetados em torno de 250 mil vagas”, diz Rodolfo Margato, economista da XP. “O Caged publicou outro resultado bastante sólido, completando o nono mês consecutivo de leitura positiva”. Economistas do BTG Pactual, por exemplo, projetava um saldo positivo de 278 mil vagas.

O resultado de fevereiro reflete a diferença entre o total de 1,694 milhão de admissões e o de 1,292 milhão de demissões. O melhor resultado para o mês na série histórica, iniciada em 1992.

O especialista aponta que as contratações cresceram 2,6% em comparação com fevereiro do ano passado. Já as demissões caíram 2,8% também em relação a mesmo período de 2019.

Ao analisar os setores isoladamente, Margato observa que “todos os principais setores econômicos revelaram criação líquida de empregos em fevereiro”. Resultado que se repete pelo oitavo mês consecutivo. Ele destaca o setor de “Serviços”, que registrou um salto no saldo de empregos, passando de 75 mil carteiras assinadas em janeiro deste ano para 110, em fevereiro.

E o total acumulado em 12 meses totalizou 687 mil empregos. Segundo o economista, o resultado reforça a adaptação do mercado formal de trabalho no País, diante da pandemia.

“Nota-se que um número significativo de empregos formais tem sido preservado pelo BEM (Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda, principalmente no que se refere às micro e pequenas empresas”, afirma ele.

A expectativa do especialista é a de que esse programa do governo federal seja renovado em breve, à medida em que a crise de saúde pública continue piorando. De acordo com o Ministério da Economia, o BEM cobriu aproximadamente 20 milhões de contratos de trabalho e 9,8 milhões de trabalhadores ao longo de 2020.

O economista da XP também ressalta que os números do Caged têm sido consistentemente melhores que os do PNAD do IBGE, que considera especificamente as categorias as categorias de trabalho formal. Diferenças que podem ser atribuídas a problemas relacionados ao envio de informações de demissões e ao compartilhamento de dados.

E as perspectivas para o mercado de trabalho?

Considerando “o agravamento da pandemia e consequentemente restrições de mobilidade mais rígidas deve levar a alguma desaceleração no ritmo de criação de empregos no segundo trimestre deste ano”, afirma Margato.

Mas, segundo ele, a situação tende a melhorar já entre julho e setembro deste ano, em linha com avanços no processo de vacinação contra a Covid-19 e gradual reabertura da economia.

Segundo analistas do BTG Pactual, em fevereiro, os dados registraram saldo positivo no nível de emprego nos 5 grupos de Atividades Econômicas:
- Indústria geral (93.621 postos), concentrados na Indústria de Transformação (88.208 postos);

- Serviços (173.547 postos), distribuído principalmente nas atividades de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (72.759 postos);

- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (23.055 postos);

- Construção (43.469 postos);

- Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (68.051 postos).

Segundo o time Macro Research do BTG Pactual digital, este resultado foi 78% acima do mesmo período do ano anterior. No entanto, a retomada das medidas mais rígidas de isolamento social deve desacelerar o indicador para o próximo mês, principalmente no segmento de serviços, que ainda se encontra abaixo dos níveis pré-pandemia.

Eles consideram também que há uma possível subestimação das demissões, já que o Ministério da Economia está usando intermediários para apuração das demissões desde o início do ano.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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