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A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, surpreendeu até os analistas mais otimistas, ao fechar março ostentando dois feitos. Primeiro, reverteu dois meses consecutivos de desempenho negativo. Mais que isso, a vistosa valorização de 5,97% assegurou à B3 o posto no ranking de aplicação mais rentável do mês.

A alta do mês, contudo, não foi suficiente para neutralizar a perda no ano. O balanço do trimestre aponta ainda uma queda acumulada de 2,03%.

Ações de empresas exportadoras de commodities foram o carro-chefe na alta do Ibovespa - Foto (Agência Brasil)

O carro-chefe que comandou a recuperação do mercado foram as ações de empresas exportadoras de commodities. Vendas ao exterior de matérias primas como minério de ferro, aço, celulose e proteína animal foram destaque da pauta de exportações. A valorização do dólar ajudou.

A influência positiva do setor externo esteve associada, sobretudo ao desempenho da economia chinesa, segundo especialistas. O país asiático, principal importador de produtos brasileiros, cresceu em ritmo menor na pandemia, mas a atividade reage, sem mergulhar em terreno negativo. 

A ajuda externa contrabalançou o cenário negativo doméstico carregado de muitas incertezas. E serviu para desviar um pouco o foco do mercado para algumas expectativas menos pessimistas. Uma delas foi a aposta na vacinação em massa. Perspectiva que poderia antecipar a retomada da economia, otimismo que respingou nas empresas do setor de varejo.

Nesse cenário, a retomada de elevação da taxa básica de juros, a Selic, não chegou a produzir efeito negativo no mercado de ações. A alta da taxa básica foi vista como ajuste a uma inflação em alta, incapaz de trazer ainda a renda fixa a um nível de competição com a bolsa de valores.

Senão por outros motivos porque, mesmo com o avanço da Selic de 2,00% ao ano para 2,75%, os juros que remuneram a renda fixa continuam negativos. A inflação estimada para o ano por analistas e economistas ouvidos pelo último relatório Focus está em 4,81%.

A menos que os juros embiquem para patamares mais elevados, os   investidores não se sentirão seduzidos pela renda fixa, acreditam especialistas. A maioria aposta em dias melhores para a bolsa de valores e acredita que março pode ter sido um marco desse possível ciclo.

Análise da Toro Investimentos indica que o cenário deve continuar desafiador. Mas sem botar o otimismo a escanteio. Para a Toro, melhora no ritmo de vacinação, no número de casos de covid e possíveis flexibilizações do lockdown podem trazer otimismo aos investidores e o Ibovespa a voltar a testar a região de 121 mil pontos. Fechou esta quarta-feira, dia 31, no nível de 116.600 pontos.

Pelo lado externo, a análise da Toro aponta que os movimentos de alta do mercado de ações podem ser renovados pela proximidade de anúncio de um plano econômico americano. Um pacote que inclui recursos de R$ 2,25 trilhões para investimento em infraestrutura.  O movimento dos treasuries de 10 anos também merece atenção, segundo analistas da Toro, porque gera fluxo de capital de curto prazo que afeta a bolsa de valores.

Os grandes fatores de incerteza no cenário interno, para os especialistas, continuam sendo o risco fiscal, de descontrole das contas públicas, e a crise política. São questões, contudo, que já vêm passeando no radar de analistas e profissionais do mercado há algum tempo.

Excluindo a instabilidade política, que o mercado parece limitar-se a só monitorar, sem elevar o estresse, boa parcela dos especialistas diz não ver notícias negativas na economia à frente além das já conhecidas. O que pode ser uma boa sinalização para a bolsa de valores em abril.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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