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Mercado Financeiro

Bolsa fecha em alta de 1,98% e recupera os 105 mil pontos, puxada por bancos e commodities; dólar sobe a R$ 5,67

Apesar da piora nas expectativas do mercado para a economia brasileira, investidores aproveitaram as pechinchas da Bolsa

Data de publicação:01/11/2021 às 17:49 -
Atualizado 8 meses atrás
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Em dia espremido entre o fim de semana e o feriado, e de menor movimentação no mercado financeiro, a Bolsa de Valores, a B3, apresentou um movimento de recuperação nesta segunda-feira, 01. Não houve fatos novos e convincentes que pudessem animar os investidores para uma reversão das quedas sofridas nos últimos quatro meses. Mas o mercado externo deu lá sua contribuição para sustentar a Bolsa, especialmente com a alta do petróleo que beneficiou as ações de Petrobras.

No primeiro pregão de novembro, o Ibovespa fechou em alta de 1,98%, recuperando aos 105 mil pontos (105.550,86), depois de amargar uma queda de 6,74% no acumulado de outubro. O dólar também subiu, mas com avanço bem mais modesto, de 0,43%, cotado a R$ 5,670.

Foto: Envato bolsa
Bolsa inicia a semana em movimento de recuperação | Foto: Envato

As ações de Petrobras estiveram entre as que capitanearam a alta da B3. As preferenciais, PETR4, fecharam com alta de 2,75%, e as ordinárias, PETR3, de 3,72%. Nem mesmo a fala do presidente Bolsonaro de que não vai admitir um novo aumento no preço dos combustíveis nos próximos 20 dias conseguiu afetar o desempenho do papel.

De acordo com Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, apesar do bom desempenho dos papéis da Petrobras no pregão, a questão do ajuste de preços "está longe do fim".

Ainda no campo das commodities, a Vale, que tem cerca de 14% da carteira teórica da B3, subiu 0,99%.

Em semana em que dois grande bancos, Itaú e Bradesco, anunciarão seus balanços, as expectativas são favoráveis ao setor, pelo aumento das taxas de juros que ajuda a engrossar os resultados. Os papeis do primeiro subiram 3,97% e do segundo, 3,47%. Santander que já anunciou seus números na última semana apresentou alta de 5,26% no final dos negócios desta segunda-feira.

Ainda no setor bancário, as maiores altas do dia na B3 ficaram com as ações do Banco Inter, que deram uma arrancada: as chamadas units (BIDI11) que asseguram preferência nos dividendos e voto em assembleias fecharam com alta de 19,18%; as preferenciais que dão preferência nos dividendos (BIDI4) registraram valorização de 18,40%.

Neste pregão, no entanto, os investidores aproveitaram as chamadas "pechinchas" da Bolsa - ações de empresas que desvalorizaram muito nos últimos dias e estão sendo negociadas a um preço atrativo.

Embora as projeções de inflação, crescimento da economia e alta dos juros estejam se deteriorando, estampadas no Boletim Focus do Banco Central, o mercado parece ter dado mais atenção às pechinchas do dia, ainda que pontualmente.

Cenário deteriorado

No Relatório Focus, os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) elevaram as estimativas para a o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País. O indicador passou de 8,96% para 9,17% em 2021. Já para o próximo ano, as expectativas passaram de 4,40% para 4,55%, longe do centro da meta do BC de 3,5% para a inflação de 2022.

Por isso, é que Braulio Langer, analista da Toro Investimentos, destaca que embora o dia tenha sido de alta para o principal índice da B3 nesta segunda-feira, a tendência, pelo menos para o curto prazo, ainda é de baixa para o Ibovespa, acompanhando as perspectivas do cenário doméstico.

Para a Selic as projeções também avançaram, depois que o Copom, na reunião da última quarta-feira, 27, elevou a taxa e sinalizou novas altas e dos mesmo tamanho vem a ser adotas ainda este ano para frear a inflação.

Assim, os economistas acreditam que a Selic deve fechar o ano em 9,25%. Já para 2022, as projeções subiram de 9,50% para 10,25% ao ano.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as expectativas foram revisadas para baixo pelos especialistas ouvidos pelo Focus, passando de um crescimento de 4,97% para 4,94% em 2021 e de um crescimento de 1,40% para 1,20% em 2022. A inflação alta e os juros subindo explicam as projeções menos otimistas para o PIB.

Pelas mesmas razões de dificuldades no cenário macroeconômico brasileiro, o dólar fechou o pregão em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,670. Além das revisões mais pessimistas para a economia, a percepção de risco fiscal contribui para que os investidores passem a busca ativos mais seguros para a proteção do portfólio, colocando o dólar em evidência por se tratar de uma moeda forte.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, os contratos fecharam no terreno positivo nas bolsas de Nova York. O índice S&P 500 subiu 0,18%, Dow Jones reportou alta de0,26%% e Nasdaq 100 avançou 0,35%.

O otimismo do mercado americano vem da forte temporada de balanços corporativos no país. Até aqui, das 279 empresas que compõem o índice S&P 500, 87% atenderam ou superaram as expectativas do mercado quanto aos seus resultados. Na Europa, o mesmo movimento ocorreu com 70% das empresas que integram o Stoxx 600.

No cenário macroeconômico, os investidores aguardam com cautela a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que acontece nesta quarta-feira, 03. A expectativa é de que o Fed dê início à redução de compra de títulos de renda fixa no mercado e, em uma segunda etapa, ajuste para cima a taxa de juros para combater a inflação.

No roteiro de dados econômicos do país haverá ainda a divulgação do payroll, número de empregos públicos e privados gerados nos Estados Unidos, que acontece na próxima sexta-feira, 05.

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno