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Mercado Financeiro

Bolsa tem novo revés nesta quarta-feira e sonho de Ibovespa a 105 mil pontos em 2021 fica distante

Em novo revés, Bolsa sucumbe aos desafios internos; ações da Gol são as mais afetadas

Data de publicação:29/12/2021 às 19:02 -
Atualizado 5 meses atrás
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Em novo revés, a Bolsa de Valores de São Paulo, B3, sucumbiu nesta quarta-feira, 29, aos desafios do mercado interno e a um exterior misto, preocupado com a variante ômicron, que vem causando taxas recordes de infecção no hemisfério norte. Hoje, o Ibovespa fechou em baixa de 0,72%, a 104.107,24 pontos. Com o resultado, fica mais distante o sonho de fechar o ano de 2021 a 105 mil pontos.

O que está mais perto, no entanto, é a B3 igualar a queda de 13,31% acumulada ao longo do ano de 2015. Até aqui, o Ibovespa recua 12,53%, limitando a recuperação de dezembro a 2,15%.

Bolsa: Gol (GOL4) foi a ação com o pior resultado de hoje no Ibovespa - Foto: Divulgação

O pregão de hoje foi esvaziado, como nos demais desta semana. O volume negociado foi de apenas R$ 15,4 bilhões, bem abaixo dos R$ 22 bilhões vistos em igual período, no ano passado. Mesmo assim, perto dos R$ 16 bilhões da véspera.

O dólar, por sua vez, subiu. O cenário de aversão ao risco criado pela rápida disseminação deu força à moeda americana, que terminou o dia cotada a R$ 5,69, em alta de 0,94%. Em momentos de incerteza, o dólar costuma servir de refúgio e proteção para os investidores mais ressabiados.

Bolsa tem segunda queda seguida

A falta de uma sinalização mais clara de trajetória das bolsas internacionais também deixou o mercado doméstico mais hesitante. Após oscilar entre uma alta de 0,31% (105.190 pontos) e uma baixa de 0,72% (104.102 pontos), ao longo do dia, a B3 fechou com desvalorização de 0,72%, em 104.102 pontos, a segunda consecutiva. É o nível mais baixo de fechamento desde 1º de dezembro, quando ficou em 100.774 pontos.

A acelerada transmissão da nova variante ômicron do coronavírus, com recordes de novos casos na Europa e nos EUA, voltou a preocupar o mercado financeiro, afirma William Teixeira, head de Renda Variável da Messem Investimentos. “Essa variante é menos agressiva, mas não dá para descartar qualquer possibilidade de fechamento e restrições, e é isso que o mercado teme”, explica.

Teixeira diz, contudo, que a semana tem sido boa para as empresas do setor de varejo. A capitalização de Magazine Luiza, com a aprovação da emissão de R$ 2 bilhões em debêntures, e a expectativa de aumento de vendas neste fim de ano têm animado o setor. Via Varejo (VIIA3) liderou a coluna de altas da B3, com valorização de 1,41%, e acumula valorização de 11% na semana; Magazine Luiza (MGLU3), recuou 0,07% no dia, mas sobe 9% na semana.

Ações de aéreas e viagens sofrem na Bolsa com variante ômicron

Um dos setores que mais sofreram no pregão desta quarta foram os de aéreas e viagens. Foi uma reação à notícia de que o mundo registrou mais de 1 milhão de novos casos de coronavírus em apenas um dia causados pela variante ômicron. Azul (AZUL4) recuou 7,34%, liderando a coluna de cinco maiores baixas; a segunda maior queda foi CVC (CVCB3), que recuou 7,33%, e a terceira, Gol (GOLL4), queda de 6,72%.

A capacidade de transmissão da nova variante deixou os investidores mais cautelosos, aponta Davi Lelis, especialista da Valor Investimentos, “diante das incertezas com os desdobramentos ou mutações da nova variante do coronavírus”.

IGP-M acima das expectativas faz pressão nos juros futuros

A alta de 0,87% do IGP-M em dezembro, acima das previsões do mercado financeiro, colocou pressão sobre os juros futuros, de acordo com Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, “porque os investidores voltam a colocar na conta a possibilidade de acelerar ainda mais o processo de alta da Selic no ano que vem”.

A taxa de contrato DI para janeiro de 2023 subia, no fim da tarde, de 11,67% para 11,81%; a taxa do DI para janeiro de 2024, de 10,91% para 11,04%, com igual trajetória nos DIs de vencimentos em anos seguintes.

Sinais mistos nas bolsas americanas

Nos Estados Unidos, onde a preocupação com o avanço da ômicron divide atenção com o possível aperto na redução dos estímulos monetários, com a redução de recompra de títulos para US$ 30 bilhões mensais, as bolsas fecharam com sinais mistos.

O índice Dow Jones encerrou o pregão com alta de 0,25%, em 36.488 pontos; o S&P 500 avançou 0,14%, para 4.793 pontos, e o índice Nasdaq, da bolsa eletrônica, recuou 0,10%, para 15.766 pontos.

Sobre o autor
Renato Jakitas
Editor-chefe do Portal Mais Retorno.