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Bolsa cai 2,09% aos 103 mil pontos e dólar sobe a R$ 5,60 com indefinições sobre a PEC dos Precatórios

Na avaliação do mercado, problemas na aprovação da PEC geram maior estresse nos negócios

Data de publicação:04/11/2021 às 18:05 -
Atualizado um ano atrás
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No dia seguinte ao da aprovação da PEC dos Precatórios em 1° turno pela Câmara dos Deputados, a Bolsa fechou em baixa acentuada de 2,09%, aos 103.412 pontos, enquanto o dólar avançou 0,76%, cotado a R$ 5,595. O mercado se mostrou caureloso e com muitas incertezas em relação ao desfecho na votação da PEC.

Parte dos investidores considera que a aprovação é o "menos pior" dos cenários e, inclusive, já vem precificando a implementação da medida, explica Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos. Em contrapartida, há quem acredite que a aprovação da PEC mais do que liberar recursos para atender às necessidade sociais servirá para manobras políticas em ano eleitoral, colocando em risco ainda maior o quadro fiscal do País.

Foto: Arquivo bolsa

Mas para entrar em vigor, a PEC precisa ainda de passar por mais três votações no Congresso. E não parece líquido e certo de que seja aprovada em todas elas.

Mais cedo, Ciro Gomes (PDT) ameaçou retirar a sua pré-candidatura à presidência da República se os integrantes do seu partido votarem a favor da proposta nas próximas etapas no Congresso. Vale lembrar que a PEC foi aprovada com o apoio de seu partido na véspera.

A aprovação da medida em primeiro turno foi apertada, com 312 votos a favor e 114 contra. A PEC dos Precatórios, que, entre outras medidas, permite o parcelamento de dívidas judiciais do governo com pessoas e empresas e reformula a regra do teto de gastos, deve abrir um espaço de R$ 91,6 bilhões no orçamento de 2022. Apensas parte desse valor será destinado ao pagamento do Auxílio Brasil.

Camila pontua, também, que, apesar de liberar dinheiro para o governo no próximo ano, a aprovação da PEC vai elevar elevar a dívida federal nos próximos anos. Com esse aumento dos gastos, a pressão inflacionária tende a subir e, consequentemente, a taxa básica de juros, Selic, hoje em 7,75% ao ano, deve avançar também. Esse combo contribui para uma redução no crescimento do País, uma vez que o consumo também diminui.

O dia na Bolsa

Neste cenário, as empresas também são impactadas e podem gerar menos receita e lucros para seus acionistas. A situação, inclusive, já pode ser percebida nos balanços corporativos do terceiro trimestre. Hoje, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) divulgou seus resultados e reportou um prejuízo de R$ 88 milhões no trimestre, impactado pela inflação mais elevada. Com a divulgação, as ações da companhia derreteram 7,70% no pregão.

Acompanhando a piora de percepção para a economia brasileira, os contratos de juros futuros fecharam majoritariamente em alta, enquanto o dia foi de queda generalizada para o mercado acionário.

Os bancões, que correspondem a cerca de 17% da composição do Ibovespa, foram os principais responsáveis por puxar a Bolsa para baixo neste pregão. Itaú, Bradesco e Santander despencaram 5,28%, 6,62% e 4,13%, respectivamente.

Além do aumento de avaliação de risco nos investimentos do País, em decorrência do quadro fiscal, Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, explica que o balanço trimestral apresentado pelo Itaú, maior banco do Brasil, também ajudou a derrubar as ações do setor.

"O resultado operacional do Itaú não foi ruim, mas o que pesou foram as expectativas para os próximos trimestres, ou seja, o potencial de valorização. A taxa de inadimplência aumentou 0,21 ponto no trimestre e 0,30 ponto no comparativo anual, o que até então estava em processo de acomodação. Levando em conta o cenário macro, propício para o aumento da inadimplência, fica a expectativa de uma pressão no lucro para os próximos trimestres", comenta.

Outro setor com bastante peso no principal índice da Bolsa que caiu forte no pregão desta quinta-feira foi o de commodities, com as expectativas de que haja uma redução na demanda pelos produtos. A Vale, CSN, Usiminas e Gerdau recuaram 1,14%, 3,44%, 0,57% e 0,08%, nesta ordem. Já a Petrobras registrou baixa de 3,17%.

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