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Viés do Presente

O que é o Viés do Presente?

Viés do presente é a tendência humana a superestimular recompensas (de ordem física, emocional, relacional) quando desfrutadas no presente. Com isso, ele se torna o principal motor da nossa busca constante por ganhos imediatistas.

Como todo viés cognitivo, o viés do presente se baseia em uma interpretação equivocada da realidade, com falhas sobretudo no nossa raciocínio lógico.

Isso porque os argumentos utilizados para compô-lo parecem realmente verídicos, de modo que uma apenas uma reflexão extremamente racional é capaz de identificá-lo - mas seres humanos, diferente do que se pensa, não são seres predominantemente racionais, mas sim emocionais.

Logo, incapazes de questionar, somos levados pelo que o nosso cérebro acredita ser a verdade. Neste caso, que recompensas no agora são mais valiosas do que recompensas futuras.


Como surge o viés do presente?

Devemos concordar que essa lógica até faz sentido, em um contexto primitivo.

Entre caçar agora e caçar depois (contando com a sorte para que uma nova presa surja), o primeiro faz mais sentido. Entre beber água agora e beber depois (com o risco de morrer de sede antes, vale pontuar), a primeira opção também vence.

Para tanto, como fomos convencidos a nos mover, mesmo gastando energia vital no processo? Através de processos de dor e prazer. Se a mera lembrança do sabor de um peixe carnudo não era suficiente para te fazer salivar e levantar para pescar, o desconforto da fome era.

O mesmo se repete com cada necessidade humana: comida, água, sexo, agrupamento em comunidades… O resultado é uma forte atração pelo que traz prazer e aversão à dor.

Mais uma vez: faz todo sentido.

No entanto, por vezes é necessário escolher: entre fugir de um animal feroz e guardar energia, o que preferimos? É óbvio que se você estiver na barriga de um leão a sua energia guardada não vai te servir de muita coisa.

Logo, entre sobreviver agora e sobreviver depois, o agora sempre ganha. O problema é que evoluímos, tanto como indivíduos quanto como sociedade, e as nossas questões sobrevivencialistas agora são muito mais emocionais do que físicas.

A lógica permanece a mesma: do que adianta guardar para o futuro se eu posso morrer antes? Essa lógica te parece familiar? É a mesma usada por pessoas que se recusam a poupar dinheiro, por exemplo, com o argumento de que “caixão não tem gaveta”, “eu posso morrer amanhã” e coisas do tipo.

É quando a balança presente x futuro pende de modo tão irracional que o viés se apresenta.

Qual é a relação entre viés do presente e desconto hiperbólico?

O desconto hiperbólico é uma das ferramentas usadas pelo viés do presente para fortalecer ainda mais o seu argumento de que “não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”. Desde que seja prazeroso, é claro.

Por definição, o desconto hiperbólico é a diferença entre entre o valor que damos a um benefício (sobretudo financeiro) quando recebido no presente ou no futuro.

Imagine que haja uma balança mágica que pese o tempo. No ponto de equilíbrio, tanto o presente quanto o futuro têm o mesmíssimo peso - isto é, oferecem a mesma intensidade de benefício.

No entanto, quanto mais o tempo avança, menos intenso o benefício fica, de modo que parte dos pesinhos do lado “futuro” é retirado da balança.

O resultado é que, com isso, mais “pesado” o presente fica. Na prática, significa que se torna mais tentador desfrutar da vantagem agora.

Esse ato de retirar pesinhos é o tal desconto hiperbólico. O presente denso e carregado, o viés do presente.

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