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Viés da Mão Quente

O que é o viés da mão quente?

O viés da mão quente é um fenômeno psicológico segundo o qual nós, seres humanos, ao obtermos sucesso em uma tarefa, operação ou mesmo jogo, tendemos a acreditar que temos mais chances de obter sucesso na próxima vez.

Estatisticamente, não há qualquer comprovação matemática quanto a isso. Afinal de contas, uma moeda jogada para cima tem sempre 50% de chance de cara ou coroa: o fato de ter dado coroa antes não torna mais provável que cair desse lado posteriormente.

Emocionalmente, por outro lado, há uma forte sensação de estarmos mais próximos da vitória. O motivo para isso tem nome: é a sua memória entrando em ação.

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Qual é a origem do viés da mão quente?

Segundo a psicologia evolucionista, nossas características mentais (incluindo os vieses cognitivos) são resultado de adaptações sofridas pelo cérebro para sobreviver. 

Tal qual a evolução, ainda muitos estudos são feitos e muitas teorias são criadas na tentativa de entender como essas adaptações aconteceram. 

No que tange ao viés da mão quente, uma das hipóteses mais aceitas está relacionada à nossa obsessão por padrões. Existe, inclusive, um viés inteiramente dedicado a compilar os erros que cometemos ao identificá-los: o viés de agrupamento.

Mas voltemos ao viés da mão quente, com uma ilustração para ajudar a entender como manipular mentalmente as probabilidades faz todo sentido para o cérebro.

Suponhamos que você seja um homem ou mulher das cavernas, há milhares de anos atrás, migrando para uma nova região. 

No seu primeiro dia, um animal que você nunca viu antes aparece por ali - e logo é caçado pelo seu grupo. No segundo dia, o mesmo acontece. E no terceiro, no quarto, no quinto... Logo, a crença formada no seu cérebro é "amanhã esse animal voltará e eu terei comida". 

Associar passado e futuro é natural, entende? Isso porque o que acontece anteriormente é a nossa maior referência para definir o que acontecerá depois. 

Na natureza, as probabilidades não são identificadas de forma científica. Não nos apaixonamos e imediatamente decretamos "esse relacionamento tem 15,52% de chance de sucesso" - apenas acessamos o nosso acervo pessoal, baseado em nossas experiências, e medimos emocionalmente se pode dar certo ou não. 

O cérebro não precisa ser perfeito (já que isso consumiria muita energia), ele só precisa ser suficiente. 

Infelizmente, essa inaptidão de assumir que nossas presunções probabilísticas não são precisas pode causar grandes prejuízos quando acreditamos que as nossas chances são melhores do que são. Pior ainda se o que ampara essa crença é um sucesso anterior na mesma categoria, porque fica ainda mais difícil desassociar o que é análise racional da probabilidade e peso emocional. 

Como o viés da mão quente interfere nas suas finanças?

São tantos exemplos que precisamos fazer uma seleção. 

  • Um investidor que, mesmo sem grandes estudos da modalidade, investe em ações e lucra, tende a acreditar que pode continuar operando dessa maneira. Isso porque o seu primeiro sucesso faz parecer mais fácil (ou seja, mais provável) lucrar depois;
  • Uma ação que se valoriza tende a receber mais aportes nos períodos seguintes, porque muitos investidores entendem instintivamente (sem ferramentas de análise que fundamentem a decisão) que ela continuará a se valorizar;
  • Um consumidor que compra um carro e não tem problemas técnicos com aquele modelo, ao ser roubado tende a comprá-lo novamente. Isso mesmo que todas as pesquisas indiquem que esse carro é o que tem a maior chance de quebrar entre todos os outros daquela categoria. 

Percebe que, nessas três ilustrações, o que determinou a decisão das pessoas não foi um estudo científico e/ou a consulta à probabilidade precisa, mas sim as suas percepções sobre as chances que têm? 

Pois é dessa forma que o viés da mão quente favorece a presunção e a supervalorização de suas capacidades por parte de investidores e consumidores em geral. 

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