Última modificação em 22 de novembro de 2019

O que é o viés da comparação social?

Viés da comparação social (ou Social Comparison Bias, em Inglês) é o nome dado a um tipo específico de viés cognitivo. A sua principal característica é narrar a tendência que todos nós, seres humanos, possuímos de nos compararmos física ou mentalmente com as pessoas que nos cercam, negando sempre que possível a ajuda daqueles que vemos como superiores a nós em algum aspecto.

Nesse momento, você estar balançando a cabeça em sinal de desagrado. "Eu adoraria que alguém fizesse todo o trabalho duro no meu lugar enquanto eu fico aqui deitado no sofá. Se lavasse a louça, levasse as crianças na escola e ainda marcasse um gol na partida de sábado com os meus amigos, melhor ainda", você conclui.

Mas será que é mesmo verdade? Sentimos te contar, mas a propensão é que mesmo esse clone melhorado de você mesmo te fizesse sentir ameaçado.

E se os meus colegas de trabalho gostarem mais dele do que de mim? E se ele for mais eficiente? E se os meus filhos o amarem mais? E se ele for um melhor pai? E se os meus amigos concluíssem que o meu antigo eu era um porre comparado a essa versão? Ser substituível é um medo de todo ser humano - mesmo que o substituto seja você.

O tema é tão complexo que a própria Netflix possui uma série inteirinha sobre o assunto, chamada Cara x Cara (originalmente Living With Yourself). Ela é basicamente uma aula sobre viés da comparação social.

Aqui, contudo, não levaremos 8 episódios para tratar do assunto. Em dois tópicos, você aprenderá melhor como ele funciona e como interfere na sua vida cotidiana. Com essa munição de informação é que você pode decidir com quem - e por que - continuará se comparando. Preparado?

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Como o Viés da Comparação Social funciona na prática?

Na vida primitiva, um ponto já era claro para todo animal humana que se prezasse: o grupo aumenta, e muito, as suas chances de sobrevivência. Assim, permanecer em grupo se tornou não apenas um laço de fraternidade, mas objeto de extremo zelo (e desespero) por parte das pessoas.

Já naquela época, ser visto como útil era importante; do contrário, podiam te expulsar ou ainda te matar por considerá-lo um causador de problemas.

Hoje em dia, as exigências sociais são diferentes. Capturar uma presa, a não ser que seja parte do seu trabalho, não é algo tão valorizado. Outras habilidades, como o manejo emocional nos relacionamentos, são mais importantes.

E se antes, ao nos sentirmos ameaçados por outros membros mais fortes do grupo, o desafiávamos para uma luta ou disputa, hoje não podemos fazer o mesmo.

Os chefes, por exemplo, ao notarem o extremo talento e competência de um jovem funcionário, não podem "sair no soco" com o cidadão para aplacar a sua vaidade. Mas eles podem, sim, deixar de ajudá-lo (ou mesmo contratá-lo) para ceifar a ameaça.

E é justamente disso que trata o viés da comparação social: prejudicar outra pessoa porque, ao nos compararmos com ela, nos sentimos inferiores.

Além da questão ética, há aí inclusive uma questão de ganho pessoal. Ao passo que a curto prazo, ceifar o risco de ser substituído (como no caso do jovem funcionário) é benéfico para o indivíduo, a longo prazo ele pode estar dando um tiro no próprio pé.

Isso porque aquele jovem funcionário poderia contribuir e muito para o crescimento da empresa, de modo que, se o chefe fosse capaz de auxiliá-lo e aprender com ele, também poderia crescer ainda mais como profissional.

Por esse motivo, entende-se que o maior desafio, quando se trata de combater o Viés da Comparação Social, é das instituições. Como garantir que os colaboradores se apoiem mutuamente e deixem de, mesmo inconscientemente, de se prejudicarem?

Aqui, entra o desafio individual também. Como garantir que as habilidades dos meus colegas sejam aproveitadas por mim, aprendendo com eles e ensinando-os também, sem que isso desperte o meu alerta de perigo?

A resposta nem sempre é clara ou fácil, mas é, sim, mais aplicável do que aquele soco que você queria dar no seu competidor. E garantimos: tanto a curto, quanto a longo prazo, os resultados são melhores: para você e para o seu punho.

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