O que é Subprime?

Subprime é uma classificação específica de uma modalidade de empréstimo que apresenta alto risco de crédito para as instituições financeiras, permitindo que elas cobrem altas taxas e vislumbrem retornos maiores.

Essa modalidade de crédito se intensificou em meados dos anos 2000, especialmente nos Estados Unidos, após a estabilização da chamada Bolha da Internet. Ele teve papel determinante na Crise de 2008, conforme veremos na sequência deste texto.


Como funciona o Subprime?

A grande característica do Subprime é o risco de inadimplência. Nesta modalidade de empréstimo, os tomadores de crédito nem sempre apresentam o perfil adequado para a operação. Por outro lado, permitem à instituição financeira a cobrança de altas taxas.

Aqui, por si só, já temos um problema muito evidente. Ao empregar o Subprime, um banco aceita automaticamente um risco elevado. Taxas maiores permitem, em tese, maior lucratividade com a operação. Na prática, apenas aumentam o risco de não recebimento do valor — o popular calote.

Vale lembrar que, ao longo da primeira década do século, o cenário era bastante otimista. Isso levou os bancos a flexibilizarem seus critérios na hora de realizar os financiamentos, especialmente aqueles ligados aos imóveis.

NINJA: o perfil dos solicitantes

Na época de concessão do Subprime surgiu uma expressão que servia para classificar o perfil do solicitante desse tipo de financiamento: "No Income, No Job, No Assets". Ela era popularmente abreviada para NINJA.

Em tradução livre, o NINJA significava "sem renda, sem emprego, sem ativos". Esse era a classificação básica do público-alvo desta modalidade de financiamento.

Ainda que você não seja especialista na área financeira, pode imaginar que não seria uma boa ideia pensando no longo prazo, certo? Pois as consequências dessas práticas foram realmente catastróficas.

O Subprime e a Crise de 2008

O Subprime é considerado como um dos grandes vilões da Crise de 2008, um título que é justo dado o que veio a acontecer: a criação de uma gigantesca bolha imobiliária que teve, entre outras consequências, quedas significativas das Bolsas de Valores e a quebra do gigantesco banco Lehman Brothers.

Com um cenário econômico favorável, os bancos passaram a fornecer o crédito de maneira facilitada mesmo para pessoas com maior risco de crédito. Entre as facilidades estavam a ausência de garantias — muitas delas eram apenas o próprio imóvel financiado.

O modelo usado, portanto, era de hipoteca: se o tomador do financiamento não honrasse com os seus compromissos assumidos, a instituição financeira poderia transferir o imóvel para o seu próprio nome.

Com o passar do tempo, no entanto, também devido ao excesso da prática do Subprime, os imóveis começaram a sofrer desvalorização. Como consequência disso (dado que ele era justamente a garantia oferecida para a operação de empréstimo), os tomadores passaram a ter dificuldades de conseguir novos financiamentos e honrar seus compromissos financeiros.

Imagine então o impacto disso na principal economia mundial, os Estados Unidos. Embora não tenha sido o único fator, o Subprime acabou por ser um dos grandes responsáveis que levou o planeta à Crise de 2008.

Consequências do Subprime

O Subprime deixou impactos consideráveis em toda economia global, configurando-se em uma das maiores crises financeiras da histórias — e fazendo com que os investidores lembrassem dos piores momentos das finanças mundiais.

O Brasil, claro, não ficou imune a esse processo. Ainda que fosse um caso isolado, os Estados Unidos apresentam impactos consideráveis na economia global. A Bolsa de Valores brasileira, por exemplo, fechou 2008 com queda acima de 40%. O PIB também sofreu em função dos impactos sobre as exportações.

A Crise de 2008 exigiu que medidas fossem tomadas. A maior regulação dos bancos foi uma delas e, com isso, o Subprime, a modalidade de empréstimo que assombrou o mundo, praticamente sumiu nos dias atuais.

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