O que é a percepção seletiva?

Percepção seletiva é o nome dado a um fenômeno psicológico segundo o qual, diante de um evento ou elemento, escolhemos focar nossa atenção quanto ao que ver, ouvir e prestar atenção de acordo com nossas crenças pessoais.

Mas então percepção seletiva e viés atencional são a mesma coisa?
Se você já leu o nosso artigo sobre viés atencional, se deparar com esse conceito pode ter dado um verdadeiro nó na sua cabeça. Afinal de contas, eles parecem tão iguais!

A verdade é que a percepção seletiva está diretamente ligada com o viés atencional, mas não é a mesma coisa.

Para relembrar, viés atencional é a tendência que todos os seres humanos possuem de escolher no que prestar atenção de acordo com os seus aspectos emocionais. Ou seja, se está deprimido, qualquer assunto ligado à tristeza chama a sua atenção; se está inseguro, o mínimo sinal de infidelidade também; se está otimista, notícias com termos como "oportunidade" e "sucesso" lhe saltam os olhos. É a emoção guiando a atenção.

Na percepção seletiva, algo semelhante acontece, mas intimamente relacionado com as nossas crenças. Se você acredita que o seu amigo é uma boa pessoa, você pode não perceber as atitudes egoístas dele, como perceberia a de um estranho (oi, viés do ator-observador!). Há um verdadeiro filtro aplicado no seu cérebro, de forma quase inconsciente, para que a sua atenção esteja em confirmar a sua visão de mundo.

Logo, a percepção seletiva também tem fortes laços com o viés de confirmação e com o efeito Semelweis. Nesse último, inclusive, usamos o exemplo de uma porta mental. Antes de permitir que uma nova ideia, o cérebro pergunta: "você reforça ou contradiz o que eu acredito sobre a realidade que me cerca?". Se a resposto for a de reforço, a ideia é liberada para entrar; do contrário, dali ela não passa.

Na percepção seletiva, o que o cérebro faz é não permitir sequer que a ideia chegue à porta. Diante de tantos estímulos, ele percebe os que confirmam as suas opiniões e ignora completamente o restante.


Como a percepção seletiva afeta as suas finanças?

É de se imaginar que, em uma área tão sujeita a escolhas e julgamentos como as finanças, o pensamento enviesado seja capaz de causar um belo estrago, correto? Pois é verdade.

Pensando no consumo, imagine alguém que acredite que apenas produtos caros têm boa qualidade (o que sabemos não se tratar de uma regra, nem uma unanimidade).

Sempre que ela se deparar com uma loja de produtos mais baratos, por exemplos, a sua percepção, através dos sentidos, logo focará naqueles de qualidade inferior. Uma conversa entre desconhecidos sobre um item baratinho que logo quebrou? Todos os outros sons entrarão em segundo plano para que, através da audição, ela reforce a sua ideia.

Com isso, ela pode desperdiçar centenas, milhares e até milhões de reais ao longo da vida com compras que poderiam ser menos dispendiosas.

Nos investimentos, por sua vez, a percepção seletiva pode se apresentar naquele sujeito convencido de que o investimento X é o melhor do mundo. Ao entrar em um site de notícias de Economia, os seus olhos logo buscarão por manchetes que o apoiem; ao entrar em um debate sobre o assunto, opiniões contrárias receberão o mínimo de atenção auditiva possível e por aí vai…

Aqui o perigo também é milionário: ao não absorver outras ideias, ele pode não ter uma visão abrangente da realidade e insistir em uma aplicação nitidamente fracassada. E aí já viu, né: é se perguntar como não percebeu (literalmente) isso antes.

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