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Linha d’água

O que é linha d'água?

Antes de entrar diretamente no assunto, vale uma breve explicação sobre o que é a taxa de desempenho, também conhecida como taxa de performance.

Usada amplamente pela indústria de fundos de gestão ativa, a taxa de performance é uma remuneração dada ao gestor quando ele entrega um retorno superior ao seu índice de referência (benchmark).

Os principais benchmarks do mercado são:

  • Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI): para os fundos com papéis de renda fixa;
  • Ibovespa: para os fundos de ações.

O referencial aplicável é definido em função do regulamento e, consequentemente, dos ativos que fazem parte da carteira do fundo.  Dependendo da sua natureza, ele ainda pode conter outros indicadores para a mensuração da performance.

Encontrar essa informação não é difícil: ela consta na “lâmina” do fundo (uma versão resumida dos dados do fundo, com as suas principais características) e no próprio regulamento.


Como é calculada a taxa de performance?

Ela é definida em valores percentuais e cobrada semestralmente do investidor, após a dedução de todas as despesas do fundo (inclusive a taxa de administração).

A linha d’água é a forma de apuração do resultado alcançado:

  • Nos períodos de 180 dias em que o índice de referência é superado, a taxa de performance é calculada para que seja cobrada em uma data futura;
  • Nos períodos de 180 dias em que isso não acontece, o valor previamente calculado é “devolvido”.

Na ocorrência de uma remuneração negativa, a taxa de performance só passa a ser cobrada novamente quando o retorno do fundo superar o prejuízo que o investidor sofreu na sua cota.

Conhecer esse detalhe é importante.  Na ausência da linha d’água, a taxa de performance é calculada quando o fundo supera o seu referencial, mas ela não é “devolvida” quando o resultado deixa a desejar.

Isso cria um sistema de incentivos perverso para o investidor, visto que o gestor corre mais riscos do que o desejável.

Como funciona a linha d’água?

A cota-base de um fundo representa a linha d’água para o cálculo da taxa de desempenho.

A performance é a diferença entre o valor da cota do fundo, que nada mais é do que o seu patrimônio dividido pelo número de suas cotas, e a cota-base atualizada pelo seu benchmark.

O exemplo abaixo ajuda a entender melhor:

Um fundo de ações, com taxa de performance de 15%, apresentou um desempenho de 20% entre os meses de janeiro e junho.  No mesmo período, o Ibovespa subiu 10%:

  1. Valor da cota-base (janeiro): R$ 100;
  2. Valor da cota-base, remunerada pelo Ibovespa: R$ 100 X (1,10) = R$ 110
  3. Valor da cota-base, ajustada pelo desempenho do fundo no período: R$ 100 X (1,20) = R$ 120;

Taxa de performance: (C) – (B) X 0,15 = (120 – 110) X 0,15 = R$ 1,50

Ou seja, dos R$ 10 de ganho acima do índice, o gestor recebe R$ 1,50 enquanto “entrega”, via valorização da cota do fundo, os R$ 8,50 restantes ao investidor.

Passados 6 meses, o fundo apresenta um retorno negativo de 10% enquanto o Ibovespa cai 15%.  Refazendo-se os cálculos, temos:

  1. Valor da cota-base: R$ 120 (é o item (C) do cálculo anterior);
  2. Valor da cota-base, remunerada pelo Ibovespa: R$ 120 x (1 – 0,15) = R$ 102
  3. Valor da cota-base, ajustada pelo desempenho do fundo no período: R$ 120 X (1 – 0,10) = R$ 108

Apesar do fundo ter se saído melhor que o Ibovespa, não há cobrança da taxa de performance, visto que o novo valor da cota-base (R$ 108) é inferior à linha d’água (R$ 120) válida desde o último período em que essa taxa foi cobrada.

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