Última modificação em 27 de outubro de 2020

O que é ISI (Industrialização por Substituição de Importação)?

A ISI (Industrialização por Substituição de Importação) é, de forma resumida, uma teoria da economia tipicamente seguida por países emergentes ou em desenvolvimento que visam diminuir sua dependência de países desenvolvidos.

Essa abordagem tem o intuito de proteger indústrias recém-formadas dos próprios países, para desenvolver os setores de tal forma que os bens produzidos por lá sejam tão competitivos quanto os importados.

Quando fruto de uma política econômica, esse processo geralmente é obtido pelo controle das taxas de importação e pela manipulação das taxas de câmbio. No Brasil, depois da crise de 1929, a ISI foi implementada para que o setor manufatureiro pudesse se desenvolver e resolver os problemas de dependência dos capitais externos.

Qual é a história da ISI?

A história da Industrialização por Substituição de Importações tem como base as políticas de economia de desenvolvimento do século XX. No entanto, tem sido defendida desde o século XVIII e contou com o apoio de economistas como Friedrich List e Alexander Hamilton.

Os primeiros países a implementar as políticas da ISI estavam localizados na África, América Latina e em partes da Ásia. A intenção era que cada um deles pudesse desenvolver a sua autossuficiência ao criar um mercado interno que não dependesse de influências ou auxílios externos. O sucesso dessas políticas foi facilitado pela criação de subsídios a indústrias proeminentes — como é o caso da geração de energia e agricultura — e pelo incentivo à nacionalização e políticas comerciais mais protecionistas.

Os países em desenvolvimento, no entanto, começaram a ter uma rejeição a ISI que foi crescendo aos poucos nas décadas de 1980 e 1990. Esse acontecimento se deu após a ascensão da liberalização impulsionada pelo mercado global. Esse é um conceito baseado nos programas de ajuste estrutural do Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional.

Qual é o principal objetivo da ISI?

O principal objetivo da ISI é fortalecer, proteger e ajudar as indústrias locais a crescer por meio de diversas táticas. Entre elas, é possível citar cotas de importação, empréstimos governamentais subsidiados e até mesmo tarifas diferenciadas. Tudo isso para que a economia nacional cresça a ponto de ser autossuficiente e não dependa tanto da influência e de produtos de outros países.

Todo país que implementa a teoria da Industrialização por Substituição de Importação tenta fortalecer seus próprios canais de produção para cada estágio do desenvolvimento de um produto. Sendo assim, vai diretamente contra o conceito de vantagem comparativa, que sempre ocorre quando os países se especializam em produzir bens a um custo de oportunidade  menor para exportá-los.

Qual é a teoria da ISI?

A teoria da Industrialização por Substituição de Importações é baseada em um grupo de políticas de desenvolvimento. A base para ela é composta pelo argumento da indústria nascente, além da economia keynesiana e da tese de Singer-Prebisch.

A partir da junção dessas perspectivas econômicas, podem-se derivar algumas práticas. Entre elas está uma política industrial de operações que organize e subsidie a produção de substitutos estratégicos. Além disso, podem ser criadas algumas barreiras comerciais, como tarifas, uma moeda sobrevalorizada que ajude os fabricantes na importação dos bens e até mesmo a falta de apoio para um investimento estrangeiro direto.

Uma característica que nunca é muito bem vista é a relação de dependência que os países emergentes ou em desenvolvimento têm com qualquer nação mais desenvolvida e é aí que entra a importância da ISI. As teorias de uma economia estruturalista ganham ainda mais destaque por meio da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina. O estruturalismo latinoamericano, aliás, se tornou sinônimo da teoria da ISI, que floresceu em vários países entre os anos 1950 e 1980.

Por fim, interligada e relacionada à teoria da ISI está a Escola de Economia Estruturalista. Ela, que foi concebida nas obras de economistas idealistas como Octavio Paz, Celso Furtado e Hans Singer, enfatiza a importância de levar em consideração as características estruturais — seja de um país ou de uma sociedade em si — na análise econômica. Ou seja, afirma que é preciso avaliar fatores institucionais, políticos e sociais.

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