O que é ICAPM

ICAPM é o modelo de precificação de ativos intertemporal, ou Intertemporal Capital Asset Pricing Model. Esse modelo é baseado em consumo e reconhece que investidores limitam as posições mais arriscadas, protegendo-se contra possíveis oscilações no consumo e mudanças no conjunto de oportunidades e investimento.


Como surgiu o ICAPM

Foi Robert Merton, economista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 1997, quem desenvolveu o modelo ICAPM, como uma alternativa ao CAPM, que não considerava certos fatores. Merton publicou pela primeira vez seu modelo em 1973, no periódico Econometrica.

Entendendo o ICAPM

O ICAPM difere do modelo de precificação CAPM, que já existia, porque ele considera que os investidores se preocupam com decisões de longo prazo. Ele parte do pressuposto de que, de maneira geral, os investidores participam do mercado financeiro durante anos e, nesse período, as perspectivas de oportunidade e de risco mudam. Portanto, é lógico esperar que os investidores queiram se proteger.

Nesse sentido, adotando o ICAPM para precificar ativos, observamos que o retorno esperado de um ativo qualquer depende das mudanças que ele sofre ao longo do tempo, quando avaliado em contraste ao mercado e ao conjunto de oportunidades de investimento.

Elogios e críticas ao ICAPM

Enquanto modelo, o ICAPM pode trazer resultados mais precisos do que outros, porque ele se apoia em uma visão mais realista do comportamento dos investidores.

Os dois pontos-chave que ele traz são:

Por outro lado, o ICAPM não define exatamente quais seriam os riscos dos quais um investidor poderia tentar se proteger, e nem a maneira como eles impactam o cálculo dos preços dos ativos.

O modelo afirma que os fatores de risco afetam quanto um investidor está disposto a pagar por um ativo. No entanto, considerando que existem centenas de possíveis fatores de risco (desde a empresa que emite ações quebrar, até uma catástrofe natural destruir a economia do país), esse modelo não consegue levantar todos eles e nem quantificar seu impacto sobre a precificação.

Para suprir essa "falta", especialistas vêm buscando conduzir pesquisas sobre dados históricos da precificação de ativos, para identificar correlações entre fatores de risco específicos e flutuações de preço.

Um exemplo do ICAPM em ação

Existem muitos eventos micro e macroeconômicos que podem ser considerados riscos. Então, um investidor vai tentar moldar sua carteira de investimentos para se proteger contra eles riscos, priorizando aqueles que considera mais prováveis.

Se as previsões do investidor indicam que um determinado fator de risco tem a probabilidade de se concretizar dentro de um certo período no futuro (considerando que essa pessoa estará, ainda, investindo no futuro), isso muda sua perspectiva das oportunidades de investimento, e faz com que o preço daqueles ativos que poderão protegê-lo contra o risco aumente.

Por outro lado, se as previsões indicam que um determinado risco não tem uma probabilidade mínima de se concretizar dentro de um certo horizonte futuro, então o preço daqueles ativos que poderiam protegê-lo contra esse risco cai.

Um bom exemplo foi o que aconteceu na crise de 2008. Naquele período, ninguém percebia que o mercado imobiliário era uma bolsa prestes a estourar; e, justamente por isso, não havia ninguém interessado em comprar ativos que poderiam protegê-los contra esse risco.

As poucas pessoas que perceberam isso, no entanto, como Michael Burry, precificavam esses ativos muito alto. Ele esteve disposto a gastar milhões na compra desses ativos, que representavam uma proteção (e uma oportunidade).

Esse caso demonstra que o preço de um ativo é diretamente impactado pela percepção de risco do investidor.

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