Quem foi C. Northcote Parkinson?

C. Northcote Parkinson é o nome de um importante historiador, escritor e administrador britânico do século XX. Graças a suas publicações ligadas à eficiência e à burocracia dentro das entidades (como governos e companhias), Parkinson ficou conhecido como um relevante levantador de debates dentro das organizações.

Se alguém formado em Psicologia pode ter maior facilidade em reconhecer vieses cognitivos no comportamento individual de cada pessoa, Parkinson e seus escritos indicavam sua capacidade em reconhecer os procedimentos enviesados dentro das instituições.

Autor de mais de 60 artigos, relacionados inclusive à história naval (conforme suas formações mais tradicionais e anos lecionando em universidades como Universidade de Liverpool), Parkinson é conhecido do grande público por dois trabalhos específicos: as duas leis que receberam o seu nome.

Quais são as Leis de Parkinson?

A Lei de Parkinson e a Lei da Trivialidade de Parkinson narram duas tendências presentes nas corporações. É possível até, a depender da maneira como são abordadas, tratar essas leis como vieses cognitivos puros ou decorrentes de outros vieses.

Primeiro, a Lei de Parkinson. Segundo o seu criador, ela é descrita como "o trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para sua realização". Isso significa que você tem um texto de 600 palavras para escrever e reserva ou 1 hora ou 4 horas para escrevê-los, você provavelmente levará ou 1 hora ou então 4 horas para tanto.

O motivo você já conhece bem: procrastinamos tanto quanto podemos. Naquelas 4 horas, é provável que você arrume a cama, assista um episódio da sua série favorita, ligue para mãe, desenvolva uma parte de um projeto solicitado pelo seu chefe e quem sabe lave até a louça. Finalmente, nos 45 do segundo tempo, você se apressa para terminar o tal texto de 600 palavras.

E mesmo que você não arrede o pé de frente do computador, é igualmente provável que você fique encarando a tela com zero pressa ("eu ainda tenho 4 horas pela frente, poxa") e se distraia até com uma lasquinha da unha despontando no polegar.

Já a Lei da Trivialidade de Parkinson dita que temos a tendência de, diante da discussão em grupo de questões importantes, nos concentrarmos nas trivialidades (isto é, nas coisas mais banais).

Isso significa que, ao montar um orçamento financeiro, é quase certo que você gastará mais tempo montando a planilha, decorando, pensando nas categorias e procurando ilustrações (ou desenhando, se preferir usar o caderno) do que verdadeiramente analisando as suas despesas. 

Ou então, que um casal prestes a se casar passará mais tempo provando bolos, discutindo quem fica em qual mesa e decidindo se a cor das cadeiras será branco ou champagne do que verdadeiramente conversando sobre pontos delicados da relação pós-cerimônia.

Existe até um exemplo do próprio Parkinson, que diz que se um comitê é instituído para decidir sobre a iniciativa de um reator nuclear numa empresa, os funcionários que compõem o comitê têm uma propensão maior a passar mais tempo discutindo sobre a implementação de um bicicletário do que sobre o (complicado!) reator nuclear. 

Esse exemplo, inclusive, garantiu à Lei da Trivialidade de Parkinson outro nome bastante difundido: o Efeito do Bicicletário (ou Bike-Shed Effect, de acordo com o termo original em Inglês).

Tanto o Efeito do Bicicletário, quanto a Lei da Trivialidade contam com artigos completos aqui no Mais Retorno. Afinal de contas, embora eles narrem o mesmo fenômeno psicológico, em cada um deles conseguimos focar em um ponto diferente. No primeiro, falamos mais dessa ilustração do comitê proposta por Parkinson. No segundo, trazemos mais exemplos práticos (inclusive financeiros). Não deixe de conferir nenhum dos dois! 

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