Última modificação em 30 de novembro de 2020

O que é crédito de carbono?

O crédito de carbono, ou Redução Certificada de Emissões (RCE), faz parte de uma estratégia criada na Terceira Conferência das Partes, no Japão, pactuada por meio do famoso Protocolo de Kyoto, em 1997.

Cada crédito equivale a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO2e) — unidade que faz a equivalência de todos os gases estufa (metano, ozônio etc.) em CO2. Para o Environmental Defense Fund, grupo ambiental norte-americano, isso é o mesmo que uma viagem de carro por aproximadamente 3862 km.

Mas qual é a relevância de representar os gases do efeito estufa em unidade financeira, em créditos?

O evento que originou o Protocolo de Kyoto reuniu 159 nações para evidenciar a necessidade de redução da emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Para viabilizar o projeto, foram criados sistemas como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ou Mercado de Carbono.

O que o mercado de carbono tem a ver com crédito de carbono?

O MDL se trata de um instrumento para que as nações que não conseguirem reduzir a emissão dos gases poluentes (geralmente pelo desenvolvimento econômico acelerado) não deixem de fazer a sua parte, ou seja, elas pagam aos países que efetivamente conseguiram diminuir a emissão dos poluentes.

A primeira consequência disso é o crédito de carbono virar um ativo financeiro Terceira Conferência das Partes. Para Laura Albuquerque, especialista em finanças desse segmento ambiental, o comércio de crédito de carbono funciona entre quem quer ou é obrigado a reduzir a emissão de gás carbônico (países em desenvolvimento Terceira Conferência das Partes) e quem possui oferta de crédito (países desenvolvidos Terceira Conferência das Partes).

Mas há uma dificuldade ainda presente nesse mercado: se o país em desenvolvimento percebe que a sua tecnologia limpa não cobre o crédito de carbono oferecido pelo país desenvolvido, o negócio não é concluído.

Como ocorre a comercialização dos créditos de carbono?

Os créditos são negociados nos leilões da BM&FBOVESPA, com as regras determinadas por editais públicos e as transações efetuadas no meio online. Podem participar das negociações, entre outros:

Algumas das motivações para investir nesse segmento é a melhoria da imagem da empresa perante à sociedade, contribuição com as medidas de responsabilidade social, grande possibilidade dos créditos virarem commodities no futuro e desenvolvimento de novas oportunidades de negócios. A Cemig, o Nubank e o SENAI são exemplos de empresas nacionais que já se envolveram com o mercado de carbono (recebendo créditos).

Inclusive, esses benefícios podem ser a explicação dos preços desses créditos estarem aumentando há mais de 14 anos — uma unidade já foi vendida a mais de € 30. Com a crise do coronavírus, chegou a cair para € 10, mas hoje está na faixa dos € 24 a 25.

Especialistas do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) estimam que os créditos resultantes da preservação da Amazônia podem render US$ 10 bilhões ao ano para o Brasil — pela absorção de 2,7 bilhões de toneladas de gases anualmente. Do lado dos países poluentes, os governos já têm aplicado tributos sobre as emissões para mitigar essa projeção.

Enquanto isso, as companhias se preparam quanto ao cálculo das emissões para ganharem destaque no mercado. A Natura, por exemplo, compensou a emissão de 3,6 milhões de toneladas de CO2 emitidos em 11 anos com 38 projetos que geraram créditos de carbono, além de ações nas comunidades impactadas.

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