O que são contas externas?

As contas externas fazem parte da balança de pagamentos e registram todas as transações que um país estabelece com outros territórios ou governos do mundo. Essas transações consistem em importações e exportações de bens, serviços e capitais, como remessas de dinheiro e pagamentos.

Embora não recebam a devida atenção por parte dos investidores, são uma importante fonte de informação e economicamente são representadas pelo balanço de pagamentos. Também podem fornecer pistas sobre o nível relativo de saúde econômica de um país e sobre a sua estabilidade no futuro.

Esse balanço de pagamentos pode ser subdividido em duas contas:

Descomplicando a Bolsa de Valores

Transações correntes

As transações correntes englobam o registro de fluxo de bens e serviços. Ou seja, nesse balanço comercial são registrados todas as transações do país que envolvem a aquisição de serviços como seguros internacionais, passagens áreas, translados e até mesmo locações.

Nesse balanço de pagamento também deve ser registrada toda a remessa de lucros e dividendos de empresas multinacionais para a empresa matriz, o que representa uma parte significativa das transações correntes. O grande número de empresas com sede em outros países que enviam seus lucros para o território de origem representa um déficit significativo para o Brasil.

As transações correntes também se mostram negativadas devido ao fato do seu valor ser equivalente ao da poupança externa. Além disso, por poupar gastar muito internamente, o Brasil precisa importar poupança de outros países para que possa sustentar o seu consumo interno.

Outro ponto que merece destaque: como recebem pouco capital externo, países em desenvolvimento precisam manter o resultado das transações correntes próximo a zero para não sofrerem grandes perdas cambiais caso a sua receita corrente apresente um grande déficit em um momento de crise internacional.

Conta financeira

Ao contrário do que ocorre em países pouco desenvolvidos, países que exibem economia estável atraem capital estrangeiro. O déficit comercial dos EUA, por exemplo, é em parte consequência de investidores estrangeiros considerarem os ativos do país atraente, o que eleva o valor do dólar. 

Esse investimento estrangeiro direto permite que os esse país financie os déficits das suas transações correntes a longo prazo. A entrada de capitais no portfólio de renda fixa, embora voláteis, também permitem que o país mantenha um bom resultado nas suas transações correntes.

As contas externas, portanto, refletem diretamente sobre o câmbio. A variação de reservas de um país pode ser encontrada quando se soma a conta financeira com as transações correntes. Aqui, não se deve considerar as variações patrimoniais das reservas.

Caso esse resultado seja negativo, ou seja, se o país não tiver reservas e apresentar um déficit do balanço de pagamentos será preciso ajustar o câmbio com depreciação. Essa operação pode fazer com que o país sofra com a inflação.

Qual é a ligação entre a credibilidade do país e suas contas externas?

Analisar as contas externas de um país também permite entender melhor a sua situação fiscal.

Caso um governo precise fazer uma expansão fiscal que não possa ser sustentada pela sua economia ocorrerá um déficit nas suas transações comerciais, ou seja, o país precisará importar mais e as empresas multinacionais sediadas nesse local enviarão mais lucros e dividendos para o exterior, já que essas organizações passarão a lucrar mais.

Nas contas externas também entram o pagamento dos juros da dívida externa. No passado, isso significava um grande problema para o nosso país: em épocas de crise, havia fuga de capitais de curto prazo e o Brasil precisava continuar o pagamento da dívida, o que agravava a crise. Isso fazia com que a moeda estrangeira ficasse em falta no país, o que obrigava o governo a ajustar o câmbio.

Nos últimos anos, a posição credora do país e o influxo de divisas reduziram o risco de depreciação latente do real e o déficit das transações correntes. No entanto, esse cenário precisa ser constantemente observado para garantir a saúde financeira do país. 

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