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Aversão a perdas

O que é a aversão a perdas?

É chamada de aversão a perdas a tendência humana a, diante de uma escolha, priorizar a alternativa que oferece menor risco de perdas, frente a outras com maiores chances de ganho.

A extensão da aversão a perdas vai desde o caráter fisiológico (como quando envolve a sobrevivência direta de uma pessoa) até o caráter social (quando o risco é ser privado da estima e admiração dos outros, chegando ao encerramento dos relacionamentos, em último caso).

Isso significa que tanto nos bens materiais quanto emocionais, tendemos a supervalorizar a posse e o prejuízo. Se você já perdeu uma nota de 50 reais alguma vez deve se lembrar do tempo que passou lamentando a sua desatenção - tempo este muito maior do que o gasto na alegria temporária de um aumento de salário, por exemplo.

A perda dói e a dor pesa na memória - e, como veremos, nas suas decisões também. Não há nada de errado nisso, até que comecemos a fazer escolhas racionalmente incoerentes, levados por uma falsa sensação de lógica. Nesse momento estamos, então, sob o efeito do famoso viés.


Qual é a origem da aversão a perdas?

Ainda que a aversão a perdas, como viés cognitivo, tenha ganhado maior notoriedade a partir dos estudos de finanças comportamentais na segunda metade do século XX, um dos primeiros a narrá-lo foi Sigmund Freud.

Em uma coletânea de seus textos, publicada por Jayme Salomão em 1978, é possível se deparar com a seguinte definição: “Não admira que (…) em geral a tarefa de evitar o sofrimento coloque a de obter prazer em segundo plano”.

Aqui, ele se destinava especificamente à noção humana de felicidade e ao isolamento social, mas não podemos deixar de estabelecer um paralelo com o conceito de aversão a perdas.

Afinal de contas, o fenômeno narrado é o mesmo, certo?

Dentro de outra vertente da Psicologia, a Psicologia Evolutiva, é possível ir ainda mais longe e estabelecer um paralelo entre os nossos dilemas de hoje (como a angustiante nota de 50 reais perdida) e os do humano primitivo.

Como o futuro é sempre uma promessa, que pode nem sequer chegar se a morte vier antes, é necessário lidar bem com os recursos do presente. Nossos ancestrais não podiam se dar ao luxo de rejeitar caçadas porque, em breve (e com muita fé), outros animais apareceriam.

Muito menos abandonar as suas moradas por possíveis moradas mais confortáveis adiante. Se nenhuma caverna fosse encontrada logo, pense bem, eles estariam vulneráveis a todo tipo de perigo noturno.

Já em um ambiente com muitas cavernas, abrir mão da que já se tinha em detrimento de outras possivelmente melhores era mais fácil, concorda?

E é aí que encontramos um dos princípios da aversão a perdas: quanto mais escasso o recurso, mais nos apegamos a ele e maior é a dor de perdê-lo.

E se tem algo que a maioria das pessoas aprendeu, desde sempre, a valorizar como um recurso escasso e precioso, esse algo é o dinheiro.

Como a aversão a perdas se aplica às finanças?

O meio mais fértil para se analisar o comportamento enviesado pela aversão a perdas é, sem dúvida, o de investimentos. Afinal, riscos, perdas e ganhos são parceiros diários de quem compra e/ou vende ativos.

Esse fato é de conhecimento dos investidores iniciantes e experientes, mas também de leigos, cujo passo mais longo em direção a “aplicar dinheiro” foi em direção à poupança.

Em geral, se é apresentado ao leigo a seguinte proposta: manter 100 reais na poupança OU aplicar 100 reais em ações, perder 10 reais no dia seguinte, mas, em seguida, ganhar 30 reais, qual seria a escolha feita?

Pela lógica, investindo em ações a pessoa ainda ganharia 20 reais em 2 dias, enquanto ainda não teria recebido um centavo com a poupança.

No entanto, a lógica é completamente abandonada quando pensamentos como esses chegam à consciência:

E se tudo der errado e eu não perder apenas 10 reais? Na poupança eu não corro o risco de perder nada. É melhor escolher a poupança!

Não é racional, certo? Mas emoções como medo, frustração e vergonha também não o são - e elas predominam no pensamento enviesado.

Por isso, mesmo investidores de longo prazo podem tomar atitudes em relação a seus títulos que, quando vistas racionalmente, carregam grandes e claros erros de estratégia.

Nesse caso, o sumiço de 50 reais (sim, aqueles mesmos 50 reais desaparecidos que até hoje aterrorizam a sua memória) pode ser fichinha perto dos prejuízos causados pela aversão a perdas.

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