Como o tempo passa rápido… Não faz muito muito tempo que escrevi um texto dos melhores fundos de 2017 e já estamos entrando no segundo semestre de 2018.

Mas mesmo nesse curto espaço de tempo, muita coisa aconteceu em termos macroeconômicos.

Estamos com um dólar muito mais alto do que começamos o ano, o Banco Central parou o ciclo de queda da taxa Selic (que atingiu o menor patamar da história), o Ibovespa, que vislumbrava os 100 mil pontos, hoje está flertando com os 70 mil.

Ufa! Realmente o cenário mudou bastante e isso obviamente irá afetar as decisões de investimento.

Um bom gestor deve atuar de forma inteligente às mudanças no panorama econômico para conseguir bons retornos independentemente do cenário ao qual está inserido. Ou ao menos deverá se posicionar para suavizar perdas em casos de fundos dos quais ele não tenha grande flexibilidade de alocação.

Ora, por que não olharmos então quem conseguiu, de fato, se adaptar a toda essa mudança?

Uma forma mais simples de avaliar isso é olhando o que aconteceu com a rentabilidade de todos os melhores fundos de investimentos no primeiro semestre de 2018.

Portanto, hoje vamos verificar as melhores performances dos fundos de investimento no primeiro semestre de 2018.

Para ficar mais didático o estudo e até mais justo para comparações, vamos segmentar as 3 melhores performances de fundos de acordo com as categorias da CVM.

Por isso, continue lendo para saber os melhores fundos das seguintes categorias:

Antes de começarmos a olhar cada um desses fundos, é importante ressaltar que apenas o retorno é o que nos guia para fazer esse ranking. Entretanto, colocamos alguns filtros para a seleção ter mais valor para você, investidor.

Seguem os filtros que utilizamos:

  1. Os fundos têm de ter mais de 100 cotistas;
  2. Têm de ter um Patrimônio Líquido maior que R$ 10 milhões;
  3. Histórico deve ser maior que 6 meses;
  4. Os Fundos não podem investir em um único ativo.

Renda Fixa

Renda Fixa

Para dar o start nessa lista, vamos verificar os melhores rendimentos entre os fundos de renda fixa que, como você pode imaginar, são os que passam por mais dificuldade com a taxa de juros historicamente baixa.

BB RF LP CP FX BONDS BRASILEIROS IE PRIVATE FIC FI

O BB RF LP CP FX Bonds Brasileiros teve um rendimento de 17,3% desde o início do ano. Ou seja, com uma taxa de juros de 6,50%, o fundo teve um rendimento de 538% do CDI, algo realmente impressionante.

Esse fundo investe quase totalidade de seus recursos em cotas do fundo BB TOP RENDA FIXA BRASIL CRÉDITO PRIVADO INVESTIMENTO NO EXTERIOR LP FUNDO DE INVESTIMENTO.

Este fundo, e consequentemente o fundo que ele investe, aplica seus recursos no exterior, o que ajuda a explicar o movimento melhor do fundo comparativamente ao Brasil. Ter na carteira títulos pós-fixados pode ser uma das razões para isso, já que a taxa de juros por lá registrou um tendência de elevação.

A volatilidade do fundo ficou em 14,3% no ano e o índice de sharpe (retorno levando em conta a volatilidade) dele ficou em 2.89. Ou seja, o Sharpe ficou aceitável para os padrões de renda fixa, porém, em grande parte por causa do rendimento muito favorável no ano e não por volatilidade baixa (que caracteriza fundos de renda fixa).

Essa volatilidade, até por investir em ativos no exterior, é elevada para um fundo de renda fixa e é necessário estar preparado para aguentar esse tipo de oscilação dos rendimentos.

É importante notar que rendimento elevado aconteceu apenas nesse ano, muito pela combinação de juros baixos no Brasil e tendência de alta no exterior.

No entanto ao olhar para o histórico do fundo, que começou no início de 2017, por muito tempo ele não tinha conseguido bater o CDI.

RENTABILIDADE HISTÓRICA DO BB RF LP CP FX BONDS BRASILEIROS IE PRIVATE FIC FI X CDI

Melhores Fundos de 2018 - BB Bonds

 

O segundo fundo de renda fixa que iremos citar aqui é o SPARTA DEBENTURES INCENTIVADAS

Esse fundo teve um retorno de 4,80% no ano, o que significa 187,09% do CDI no período.

O Sparta debêntures incentivadas investe seus recursos em ativos de renda fixa de perfil privado (debêntures, que são títulos de dívidas de empresas), principalmente, em empresas de infraestrutura.

As debêntures dessas empresas são incentivadas pelo governo por ser um setor importante da economia e contam com isenção de IR.

Por investir em renda fixa privada, conseguem buscar ativos que possam pagar acima do CDI, porém, o risco é maior (lembre-se da relação risco x retorno). E quando falamos de risco aqui, estamos falando do risco de crédito e não de mercado, já que volatilidade do fundo foi de apenas 0,67% no ano, resultando em um Sharpe de 6,58.

Entretanto, o histórico desse fundo joga a favor dele. Desde seu início, no começo de 2017, ele tem conseguido entregar retornos consistentes acima do CDI.

RENTABILIDADE HISTÓRICA Sparta Debentures incentivadas X CDIFundo sparta

Outras informações:

Taxa de administração: 1,0% a.a.

Taxa de performance: Não há

Aplicação inicial: R$ 5.000,00

Público alvo: Investidores em geral

Para fechar a categoria renda fixa, vamos ver o IRIDIUM PIONEER DEBÊNTURES INCENTIVADAS FI RF CP

O Iridium Pioneer teve um rendimento de 3,86% nesse ano, o que garantiu um retorno de 150,6% do CDI.

Assim como o Sparta, o Iridium também investe em títulos de dívida de empresas (debentures) incentivadas, com isenção de IR.

O Iridium tem objetivo de ter uma volatilidade baixa e está conseguindo isso. No ano, esse indicador do fundo é de apenas 0,67%. O retorno acima do CDI resulta em um índice de Sharpe de 2,53.

O fundo é relativamente novo, teve início apenas em novembro de 2017, mas vem entregando retornos acima do CDI, principalmente nos últimos meses.

Observe o histórico a seguir:

RENTABILIDADE HISTÓRICA do Iridium Pioneer Debêntures Incentivadas X CDI

Fundo iridium

Outras informações:

Taxa de administração: 0,9% a.a.

Taxa de Performance: 20% sobre o que exceder 100% do CDI

Aplicação Inicial: R$ 5.000,00

Público alvo: Investidor Qualificado

Vale citar que existe também uma diferença importante entre o Sparta e o Iridium, uma vez que o primeiro é aberto ao público geral, enquanto o segundo é alternativa apenas para investidores qualificados.

Em resumo, ao olharmos os melhores fundos de renda fixa, fica claro o quanto o ambiente de taxas de juros baixas influência.

Aquela máxima de ir para títulos públicos e deixar o dinheiro lá, perdeu grande parcela das suas vantagens. Os fundos que observamos aqui tiveram que tomar um pouco mais de risco em comparação aos títulos públicos, mas o retorno deles parece compensar a balança.

Multimercados

Multimercados

Vamos começar pelo o VISTA MULTIESTRATÉGIA FIM, fundo que apresentou o melhor desempenho até então em 2018.

O Vista é um fundo de investimento multimercado clássico.

Sua política de investimentos deixa claro que ele aplica seus recursos em todos os tipos de ativos, juros, câmbio, ações, dívida e commodities, fazendo análise macroeconômica rigorosa.

Em 2018 até agora, o Vista teve um retorno de 29,21%, ou seja, 35,27 pontos acima do Ibovespa e 935% do CDI.

A volatilidade do fundo foi de 14,40%, bastante favorável para um multimercado clássico e o índice de Sharpe foi de 5,74.

Desde sua fundação, em 2015, apenas no começo o fundo teve um desempenho abaixo do CDI. Depois disso, a performance é significativamente superior.

RENTABILIDADE HISTÓRICA do VISTA MULTIESTRATÉGIA FIM X CDI

Vista multiestrategia

Outras Informações

Taxa de administração: 2,00% a.a.

Taxa de Performance: 20% sobre o que exceder CDI

Aplicação Inicial: R$ 50.000,00

Público alvo: Investidores em geral

O segundo fundo entre os multimercados é o ANGÁ CRÉDITO ESTRUTURADO FIC FIM CP.

O Angá está obtendo um rendimento de 20,80% no ano ou 666% do CDI. O fundo investe primordialmente em cotas de FIDC’s e, portanto, corre um risco de crédito relevante.

Apesar desse perfil, o fundo teve uma volatilidade bem contida, de apenas 1,68%. Algo louvável para um fundo multimercado.

A combinação de volatilidade baixa e rentabilidade bastante satisfatória, resultou em um Sharpe muito bom de 31,41.

O bom resultado do fundo não fica restrito apenas ao ano de 2018. A evolução histórica mostra que sempre ficou acima do CDI.

RENTABILIDADE HISTÓRICA do ANGÁ CRÉDITO ESTRUTURADO FIC FIM CPFIM X CDI

Angá crédito

Outras Informações

Taxa de administração: 1,11% a.a.

Taxa de Performance: 20% sobre o que exceder CDI

Público alvo: Investidores qualificados

Para finalizar os multimercados, temos o M SQUARE GLOBAL EQUITY MANAGERS INSTITUCIONAL FIC FIM IE.

O M Square Global Equity é um fundo multimercado que investe, principalmente, em ações com foco em mercados desenvolvidos como Europa e Estados Unidos.

A gestão da carteira é feita visando o longo prazo, sempre utilizando da análise fundamentalista para escolher as empresas que ele irá investir.

Este fundo tem um retorno de 19,9% nesse ano ou 466% do CDI. A volatilidade apresentada foi de 15,01%.

As estatísticas são bastante satisfatórias para um fundo que investe em ações num ano turbulento como teve o Ibovespa. O resultado disso é um Sharpe de 3,32.

RENTABILIDADE HISTÓRICA do M SQUARE GLOBAL EQUITY MANAGERS INSTITUCIONAL FIC FIM X CDI

M square global

Outras Informações

Taxa de administração: 0,7% a.a.

Taxa de Performance: 10% sobre o que exceder o MSCI world (índice global de ações)

Aplicação Inicial: R$ 25.000,00

Público alvo: Investidores qualificados

Ações

Ações

Por fim, vamos agora aos fundos de ações, começando pelo FIA CAIXA BDR NÍVEL I.

Esse fundo teve um retorno de 32,30% desde o início de 2018 ou 38,3 p.p. acima do Ibovespa.

No período, o fundo teve retorno de 18,26%, 23,02 pontos acima do Ibovespa. De novo, o que valeu pro BB Ações Globais também vale para esse fundo da Caixa. Investimento em ações estrangeiras negociadas no Brasil. BDR.

O fundo baseia-se em análises econômico-financeiras e tendências macroeconômicas. Não utiliza de operações de day-trade, isso é, decide suas alocações de forma mais estrutural e não visando obter ganhos de curto prazo.

O fundo apresentou volatilidade de 18,01% no ano e um índice de Sharpe de 2,46, de fato, bem parecido com o BB ações Globais.

A análise histórica mostra o fundo muito bem gerido, ficando a frente do Ibovespa desde 2014.

RENTABILIDADE HISTÓRICA do FIA CAIXA BDR NÍVEL I X IBOVESPA

fia caixa

Outras informações:

Taxa de administração: 1,50% a.a.

Taxa de Performance: não há

Público alvo: Investidor geral

O segundo fundo de ações que entregou o melhor resultado nesse primeiro semestre é o POLO LONG BIAS FIA.

O Polo Long Bias teve rendimento de 30,34% em 2018, ou seja, 30,41 pontos acima do Ibovespa.

A volatilidade do fundo foi bem-comportada, de 13,76% no ano e a combinação retorno/volatilidade gerou um Sharpe de 6,31.

O Polo Long Bias é um fundo relativamente novo que teve seu início em outubro do ano passado e mesmo com a queda do Ibovespa no período, conseguiu sempre ficar acima do índice.

Isso é resultado da estratégia Long Biased, que já abordamos aqui no Mais Retorno.

Segundo essa estratégia, o fundo tem uma tendência comprada em bolsa, mas também pode aproveitar os momentos de baixa para se proteger das quedas ou ganhar mais.

O histórico, mesmo que pequeno, mostra que a estratégia está sendo bem-sucedida.

RENTABILIDADE HISTÓRICA do POLO LONG BIAS FIA X IBOVESPA

Fundo Long Bias

Outras informações:

Taxa de administração: 2,00% a.a.

Taxa de Performance: 20% sobre o que exceder CDI

Aplicação Inicial: R$ 200.000,00

Público alvo: Investidores qualificados

Por fim, o último fundo que entrou no nosso radar foi o BB AÇÕES GLOBAIS FIC FIA BDR NÍVEL.

Esse fundo teve uma boa performance no período, de 19,16% em 2018 ou 23,92 pontos acima do Ibovespa.

Para conseguir tal rendimento, muito superior à média do mercado, a política de investimento do fundo ajuda nisso. O BB ações globais, como o nome sugere, investe seus recursos em ações de empresas estrangeiras, negociadas aqui no Brasil: as famosas BDRs.

A volatilidade do fundo foi relativamente boa, de 18,04%, adequada para um fundo que investe em empresas estrangeiras negociadas no Brasil. Afinal, sem uma liquidez tão boa quanto as ações daqui os preços podem ter fortes variações em um curto espaço de tempo.

A boa rentabilidade aliada a uma volatilidade relativamente contida resultou em um Sharpe de 2,63.

RENTABILIDADE HISTÓRICA do BB AÇÕES GLOBAIS FIC FIA BDR NÍVEL X IBOVESPA

BB AÇÕES GLOBAIS

Outras Informações

Taxa de administração: 1,90% a 2,60% a.a.

Taxa de Performance: não há

Aplicação Inicial: R$ 200,00

Público alvo: Investidores em geral

Por fim, cabe lembrar que esse ranking olha só a rentabilidade e, portanto, nenhum investidor deve tomar decisões de investimentos se baseando somente nisso.

Nesse sentido, para auxiliar você a tomar sempre as melhores decisões, temos diversos textos sobre como analisar e fazer essa escolha e que te ensinam a identificar os melhores fundos e depois fazer uma boa comparação desses fundos.

Conclusão

Passado este semestre turbulento, vimos alguns dos melhores fundos, segmentados por categorias.

Olhando o que discutimos acima, o que me vem à cabeça é aquilo que sempre batemos aqui no Mais Retorno: os retornos fáceis ficaram para trás. Cada vez mais será necessário estudar, pesquisar e comparar para investir “fora da caixinha”.

Os melhores fundos fizeram isso, algumas vezes tomando um risco maior, porém necessário, e obtiveram um retorno adequado.

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