Teoria das Expectativas Pura

Última modificação em 30 de Setembro de 2021 às 05:02

O que é a Teoria das Expectativas Pura?

A Teoria das Expectativas Pura é um conceito defensor de que a taxa de juros longa (isto é, aquela oferecida para o longo prazo no mercado financeiro) é baseada totalmente nas expectativas de curto prazo. Sabemos que isso pode parecer um pouco confuso, mas vamos explicar na sequência como isso se aplica na prática.

A ideia foi elaborada inicialmente pelo economista americano Irving Fischer, no ano de 1896. Ela é considerada como uma das primeiras visões técnicas com o objetivo de estabelecer uma relação entre as taxas de juros do mercado.

Há também quem nomeie a tese como "Teoria das Expectativas Não Enviesadas". Caso veja esse nome por aí, trata-se do mesmo conceito apresentado por Fischer.

Como funciona a Teoria das Expectativas Pura?

Como adiantamos, a Teoria das Expectativas Pura apresenta o conceito de que as taxas de juros de longo prazo são totalmente influenciadas pelas perspectivas de curto prazo. E, olhando para o mercado financeiro, isso faz mesmo sentido.

Um exemplo prático disso é que o vemos no ano de 2021 no Brasil. Com um crescimento do risco fiscal, isto é, a possibilidade do governo romper o teto de gastos, o mercado já vem subindo fortemente a curva de juros futura. Ou seja, há uma preocupação para os juros de longo prazo com base nas perspectivas do que será feito agora, no curto prazo.

Em outras palavras, a Teoria das Expectativas Pura nos oferece um cenário em que nem sempre há uma racionalidade do mercado ao precificar as taxas de juros. E isso traz algumas consequências.

Quais são os impactos da Teoria das Expectativas Pura?

Uma das principais consequências do conceito trazido por Irving Fischer é que, caso as condições de emissão de um título sejam equivalentes (isto é, mesmo emissor e mesmas condições de liquidez), há um risco muito semelhante no curto prazo e no longo prazo.

Isso acontece porque, como vimos, a curva de juros de longo prazo nada mais é do que uma pura expectativa do mercado como um todo. Ou seja, trata-se de um título em que você pode investir com as taxas oferecidas hoje ou nas taxas da expectativa de hoje, cenário que tende a se manter muito próximo.

Em outras palavras, o rendimento de um título oferece uma rentabilidade média anual muito próxima entre curto prazo e longo prazo. Isso significa que, segundo a teoria, títulos com as mesmas condições de emissor e liquidez podem ser substitutos perfeitos em diferentes horizontes temporais.

Quais são as limitações da Teoria das Expectativas Pura?

Embora ainda seja muito discutida atualmente, a Teoria das Expectativas Pura também exige algumas condições para que seja aplicável — algo que traz algumas limitações para a tese.

Em primeiro lugar, não podem haver custos sobre os títulos em discussão. Isso acontece porque, caso sejam aplicadas tarifas sobre as negociações dos papéis de renda fixa, esse cenário traria uma diferença na rentabilidade final e modificaria as condições dos ativos.

Além disso, há uma necessidade de colocar o investidor com um papel de indiferença ao risco. Isto é, ele não seria influenciado pelos eventos ou mesmo pela possibilidade de errar na sua análise. Na prática, sabemos que não é bem assim que funciona: o risco tem papel importante na negociação dos títulos e no comportamento dos investidores.

Por fim, em muitos cenários econômicos enxergamos uma curva de juros ascendente (isto é, ela se eleva em função do tempo, oferecendo maiores taxas no longo prazo do que aquelas praticadas no curto prazo). Esse desenho representa o exato inverso ao que defende a Teoria das Expectativas Pura, onde a curva deveria ser plana, mantendo as taxas de juros próximas em diferentes horizontes temporais.

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