Sofisma da composição

Última modificação em 26 de Janeiro de 2021 às 10:35

O que é Sofisma da Composição?

O Sofisma da Composição é um conceito que pode ser aplicado em diversas áreas e defende, em resumo, que a simples soma das partes não representa, necessariamente, o todo.

O termo nasceu há muitos anos atrás, mais especificamente em uma época em que existiam os "sofistas", uma espécie de professores dos nobres que ensinavam opiniões e argumentação sem levar muito em consideração outros fatores — como a moralidade ou a ética.

Em função desse comportamento estranho para os dias atuais, o termo aos poucos se configurou como sinônimo de erro ou enganação. É assim que chegamos aos dias de hoje com o conceito atual de Sofisma da Composição.

No cenário econômico, a principal tese que se aplica esse conceito é a falsa ideia de que algo afeta todas as partes da economia da mesma forma, uma vez que eles compõem esse todo. É um erro acreditar nisso, razão pela qual entende-se como um sofisma.

Como funciona o Sofisma da Composição?

Nada melhor que um exemplo para entender melhor o conceito do Sofisma da Composição, certo? Vamos então pensar na construção de um carro, focando nas peças que o compõem, isto é, as suas pequenas partes.

A seguir, listamos alguns dos componentes presentes na produção industrial de uma vendedora de carros:

  • Pneu;
  • Direção;
  • Banco;
  • Vidro dianteiro;
  • Retrovisor;
  • Cinto de segurança;
  • Botões.

Observe que, nesta lista, temos objetos isolados e nenhum deles é significativamente pesado. É claro que um pneu ou um vidro dianteiro podem ser mais difíceis de carregar do que um botão do painel, mas todos possuem um peso reduzido quando olhamos individualmente. No entanto, ao avaliar o todo, é um erro pensar que, por ser composto por peças sem tanto peso, o carro também será leve.

O Sofismo da Composição aborda justamente essa ideia de que pequenas partes não representam, necessariamente, o que verificamos ao avaliar o todo. E o mesmo vale para o ambiente econômico: o todo não é uma simples soma das partes. Há uma alta complexidade envolvida — e que deve ser ponderada em análises.

Sofisma da Composição na economia

Para entrarmos na economia em si, podemos olhar para outros diversos exemplos práticos e que afetam as finanças globais. Aqui, o Sofisma da Composição vai ser útil para justificar que nem sempre o que é bom para os indivíduos será bom para toda a sociedade (e vice-versa).

Vamos começar pensando em investimentos. Suponha que você resolva economizar e deixar o seu dinheiro em investimentos de renda fixa, com baixa volatilidade. Observando individualmente, essa prática pode indicar algo positivo: no longo prazo, o seu dinheiro deve se valorizar e você tem muito a ganhar com essa poupança.

Contudo, se toda a sociedade fizer isso, temos uma chance elevada de crise. Não haverá consumo, o que fatalmente prejudicará as receitas das empresas e, consequentemente, temos uma tendência de aumento do desemprego. Em outras palavras, embora seja uma prática positiva do ponto de vista individual, ela é negativa no âmbito coletivo.

Outro exemplo? Imagine que você seja produtor de ferro e essa matéria-prima sofra um aumento de preço. Individualmente, no começo da cadeia produtiva, isso pode gerar um maior lucro. No entanto, ao longo do processo como um todo, verificamos um potencial risco de inflação, algo que pode desencadear outros efeitos econômicos.

O grande ensinamento do Sofisma da Composição, portanto, é que não se deve analisar a economia de uma maneira simplista. Neste segmento há alta complexidade e é impossível concluir os efeitos olhando para as partes do sistema isoladamente. É preciso ir além e buscar explicações profundas para cada um dos eventos.

Jerome Powell

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