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Termos começando com "Q"

  • Quantitative Arbitrage

    O que é Quantitative Arbitrage? Quantitative Arbitrage (ou arbitragem quantitativa, em português) é uma estratégia de investimentos que pode ser aplicada no mercado financeiro. Como toda operação, leva em consideração alguns fatores. O principal deles, que faz dessa técnica diferente de outras tantas conhecidas pelo mercado como um todo, está no uso da tecnologia para sua aplicação. Isto é, são sistemas matemáticos e robóticos que vão definir se uma posição deve ou não ser tomada. O grande objetivo desse tipo de técnica é se aproveitar de distorções de mercado, lucrando com a correção do preço dos ativos. Vamos entender um pouco mais sobre esse cenário. Como funciona a Quantitative Arbitrage? A arbitragem em si é algo relativamente simples de entender. Ela consiste em identificar algum tipo de distorção de preço e usá-las a favor do investimento, lucrando com a correção. Assim, você estaria a favor de uma posição que, em tese, tem um baixo risco (visto que o mercado já inflacionou aquele preço de negociação), mas com bom potencial de retorno em caso de acerto. O desafio maior da estratégia de arbitragem é identificar a oportunidade. E é aí que entra justamente a grande característica da técnica de Quantitative Arbitrage. Como os mecanismos de definição são quantitativos e não dependem da ação humana, os próprios robôs e algoritmos são configurados para sinalizar o momento de entrada no mercado. Quais são as vantagens da estratégia de Quantitative Arbitrage? Assim como toda estratégia quantitativa, o grande benefício da técnica está na terceirização da análise para um modelo matemático. Assim, pode-se dizer que a subjetividade é perdida. O olhar humano pode se distrair em diversos aspectos. Um deles é o viés pessoal de querer realizar uma operação, por exemplo. Ou seja, não há uma imparcialidade total ao analisar os fatos. Não é o que acontece em uma estratégia quantitativa: a entrada no mercado ocorre com critérios matemáticos e objetivos. Além disso, há também uma maior facilidade na tomada de decisão. Um modelo de Quantitative Arbitrage não depende de emoções para escolher entre abrir ou fechar uma operação — ao contrário dos seres humanos. Por fim, em alguns casos é possível até mesmo que as operações sejam realizadas de forma automática, sem depender da atuação humana. Isso torna possível lucrar apenas com o modelo programado, embora ainda seja uma realidade para poucos tipos de operações. Quais são as desvantagens da estratégia de Quantitative Arbitrage? Por outro lado, existem riscos que devem ser considerados no uso de uma estratégia quantitativa. A começar pela própria programação do algoritmo que depende de critérios para funcionar. Desta forma, a eficácia da ferramenta depende diretamente da qualidade pela qual ela foi projetada. O conhecimento técnico, portanto, já é um grande desafio. Além disso, o mercado financeiro não tem uma lógica exata justamente por ser composto por pessoas — e, como sabemos, elas possuem comportamentos imprevisíveis. Assim, se não for muito bem preparada, a estratégia quantitativa pode trazer perdas severas para o seu criador. Para finalizar, uma última desvantagem de aplicar a técnica de Quantitative Arbitrage tem relação com a arbitragem em si — que apresenta potenciais ganhos limitados em relação a outros tipos de operação. Como a ideia é encontrar uma correção de mercado, os ganhos visados são justamente aproveitar a distorção do mercado, mas não manter a posição por longos períodos de tempo. Assim, é necessário ter uma boa média de acerto para encontrar lucros com a estratégia. Desta forma, podemos dizer que se trata de mais uma forma de abordar o mercado financeiro, com seus prós e contras. Cabe ao investidor avaliar cada um deles para verificar se a aplicação de Quantitative Arbitrage faz sentido para o seu portfólio.

    10/06/2021
  • Quebra (empresas)

    O que é quebra? Quebra é um termo informal, relacionado à falência, e significa o que acontece com uma empresa quando ela encerra suas atividades por motivos variados, como baixas habilidades gerenciais, economia desfavorável, regulação governamental excessiva etc. Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a cada ano, no Brasil, em média, 600.000 negócios são encerrados — o que equivale a 10% das empresas. Os registros mais recentes, de 2015, verificaram que 22,8% dos empreendimentos não sobrevivem ao primeiro ano de funcionamento. Nesse meio, ainda existem cinco definições relevantes: Falência formal (quando a empresa oficializa essa quebra junto a órgãos jurídicos);Encerramento das atividades com dívidas e sem baixa formal;Encerramento das atividades para evitar perdas e sem baixa formal.;Empresa vendida ou transformada em outra atividade;Descontinuidade da empresa por algum outro motivo. O que pode levar à quebra de uma empresa? Ao questionar os próprios empreendedores sobre os motivos que seus negócios quebraram, a maioria fala que ocorre pela falta de capital de giro. Mas as razões para a quebra, quando investigadas, podem ser categorizadas em algumas áreas: Aspectos técnicos do empreendedor Como a falta de experiência prévia e competência gerencial, perfil inflexível, falta de planejamento, etc. Área mercadológica Falta de conhecimento sobre o mercado e até sobre o próprio produto ou serviço. Área técnico-operacional Má qualidade dos produtos ou serviços, má localização do imóvel onde ocorrem as atividades empresariais, dificuldades com fornecedores, uso de tecnologia inadequada. Área financeira Imobilização excessiva do capital em ativos fixos, política equivocada de crédito aos clientes, déficit no controle dos custos e da própria gestão financeira. Área jurídica e organizacional Estrutura organizacional mal elaborada, ausência de planejamento e inovações gerenciais. E o que acontece com as empresas que ‘sobrevivem’? Em janeiro deste ano de 2020, no 11º mês consecutivo, a inadimplência bateu o recorde e atingiu 6,2 milhões de empresas (crescimento de 9,9% comparado ao mês anterior). A maioria, 94,2%, são micro ou pequenas empresas, que não recebem tanto auxílio governamental. Luiz Rabi, economista da Serasa, explica que diante esse cenário, a melhor saída é priorizar o planejamento financeiro e renegociar as dívidas mais caras. Inclusive, três dos 10 maiores motivos que os próprios empresários apontam como responsáveis pela falência dos seus negócios são por má gestão financeira. O que fazer quando a empresa que você investiu quebra? Se você investia em uma companhia e ela quebra, não se desespere. O fundo de ativos estressados pode funcionar de duas maneiras: auxílio direto a uma empresa em reestruturação ou pela compra de carteiras de crédito dos bancos que emprestaram a ela. Ambos os métodos funcionam e lucram. Quando um investidor descobre que determinados ativos podem despencar pela falência da empresa, ele deve lembrar que os imóveis e o maquinário dela valem bastante. A venda desses insumos, inclusive, podem ajudá-la a crescer novamente. Além disso, existem marcas estratégicas que, apesar de não estarem tão estáveis, possuem uma certa segurança — com base na Lei 11.101/2009 (Lei da Recuperação de Empresas e Falência). É o caso da Oi, que já passou pela compra de empresas em falência e calotes, mas, mesmo assim, é a única a atender vários municípios. Por isso, não é de interesse do Governo que ela vá à falência definitivamente, deixe pessoas desassistidas e que podem cobrar ações das autoridades públicas. Mas se você ainda não se sente confortável com essas estratégias, procure meios de evitar a situação. Saiba quais são as empresas exportadoras ou produtoras de bens de consumo essenciais, diversifique a carteira, dê preferência a setores mais resilientes etc.

    11/12/2020
  • Quórum Qualificado

    O que é quórum qualificado? Quórum qualificado é um tipo de quórum (número mínimo necessário de pessoas para que um evento aconteça, como uma votação), mas que é diferenciado porque a maioria simples não é o suficiente. O quórum, para esse caso, deve corresponder a mais de 1/2 dos presentes, normalmente a fração é de 2/3 ou 3/4. Para entender melhor esse termo, vamos às definições de maiorias: maioria simples: significa mais da metade dos que votam ou o maior resultado da votação, no caso de ocorrer dispersão de votos. Só se leva em conta o número de pessoas presentes na reunião;maioria absoluta: é o primeiro número inteiro superior à metade (não, não é o inteiro mais um). Então, tomando como exemplo, um grupo de 51 pessoas, a metade é 25,5. O próximo número inteiro é 26, portanto, a maioria absoluta desse grupo é composta de 26 pessoas. Diferente da maioria simples, o total é o número de pessoas que integra o grupo, não exatamente os que estão presentes;maioria qualificada: exige um número superior à maioria absoluta que é, no geral, dois terços ou três quintos do total. Também considera todos os indivíduos, inclusive os ausentes. Mas não confunda com o quórum qualificado, ele considera somente os presentes porque usa a maioria do tipo simples. Afinal, qual a importância de conhecer essas votações? Elas são particularmente úteis para entender o funcionamento de uma assembleia de acionistas de uma empresa ou de cotistas de fundos de investimentos. Há outros tipo de quóruns entre os investidores? As regras quanto aos tipos de quóruns no contexto dos investimentos, especificamente quanto às assembleias de acionistas, foram criadas em 1976, com a Lei das Sociedades por Ações (Nº 6.404). Além disso, a partir do Código Civil, em 2002, passou a existir o quórum de instalação e o de deliberação (ou aprovação). Quórum de instalação O quórum de instalação diz respeito ao mínimo de pessoas — ou de ações pertencentes a elas — para que uma assembleia de sócios possa ganhar a capacidade de tomar decisões. Assim, é necessário que os acionistas presentes tenham, juntos, pelo menos 1/4 das ações com direito a voto, para que a assembleia possa deliberar sobre os assuntos em pauta (na primeira convocação). A partir da segunda convocação, é válido qualquer número de acionistas, até mesmo um único. Quórum de deliberação Já o quórum de deliberação é a quantidade mínima de pessoas (ou de ações pertencentes a elas) necessária para que uma proposta seja aprovada ou para que alguma decisão seja tomada em uma próxima assembleia. É dessa maneira que os acionistas, geralmente, escolhem membros para o conselho, dão destino ao lucro líquido da empresa e até compram outra empresa. Pelo alto absenteísmo de executivos nessas assembleias, se não houver participantes o suficiente para os quóruns, há protocolos para votos à distância. Como funciona o quórum qualificado entre os cotistas? Em relação ao cotistas que detêm um fundo de investimentos, as assembleias são para: apresentação de demonstrações financeiras;deliberação sobre a política de investimento do gestor;aumento de taxas administrativas, de performance, etc. Diferente das assembleias de acionistas, as votações podem acontecer independente do número de cotistas. O quórum é qualificado para as deliberações, mas, para uma eventual destituição de administrador do fundo aberto, esse quórum deverá ser até a metade mais uma das cotas emitidas. No Código Civil, independente dos membros de uma reunião, se são cotistas ou não, o quórum qualificado (de 3/4) é aplicado nos casos de, além de deliberação, modificação do contrato social, incorporação, fusão ou dissolução da sociedade e cessação do estado de liquidação.

    23/11/2020
  • Quiet Period

    O que é Quiet Period? O Quiet Period ocorre quando novas empresas emitem ativos para o mercado e precisam “ficar em silêncio”, isto é, sem divulgar informações, por um tempo determinado. No Inglês, também se utiliza a expressão “waiting period”, equivalente a “tempo de espera”. Porém, esse momento peculiar não acontece espontaneamente. Ele é, na verdade, uma regra da Comissão de Valores Mobiliários (CMV) aplicada específica durante uma Oferta Pública Inicial (IPO). Como funciona o Quiet Period? O processo até um IPO é longo. Para se ter uma noção: primeiramente, a empresa faz uma auditoria muito bem planejada (que dura de oito meses a três anos), participa do roadshow (reuniões de projeto da oferta), realiza o registro na CMV, solicita listagem na B3  e cria o prospecto, que é um documento com informações essenciais sobre a companhia. A seguir, a companhia aguarda o período de reserva (prazo para que investidores não institucionais indiquem o interesse em adquirir as ações) até que chega o Dia D, em que as ações finalmente recebem permissão para serem negociadas no pregão. Dessa forma, no meio desse processo, só os sócios conhecem bem a empresa e, teoricamente, nenhum investidor tem todas as informações a respeito dela. A intenção desse sigilo é de tornar a posse de dados de cada potencial investidor mais igualitária até o dia de abertura no mercado, sem que um obtenha vantagem sobre o outro, além de evitar a influência das informações financeiras sobre eles. O período de silêncio começa oficialmente no roadshow, que acontece cerca de dois meses antes do registro da oferta na CMV, e acaba depois do anúncio de encerramento da oferta. Caso o Quiet Period não seja respeitado, a Comissão pode até suspender a oferta, punindo os responsáveis pela contravenção. O que não pode ser revelado durante o Quiet Period? Estes são alguns dos assuntos que têm o poder de influenciar as decisões financeiras e, portanto, são proibidos de ir a público no Quiet Period: Novos negócios ou ganhos do último trimestre;Mudanças de gestão;Progressos em relação aos objetivos da empresa;Anúncios de produtos ou serviços importantes;Anúncios de grandes parcerias. Esses tópicos se aplicam a fundadores, executivos e membros do conselho - incluindo CEO e CFO, membros da equipe de gestão e outros funcionários -, seja através de comunicação escrita, eletrônica ou verbal. Em 2019, uma CEO da Petrobrás, por exemplo, quebrou essa regra em uma entrevista à XP Investimentos e a empresa sofreu uma suspensão da oferta de R$ 3 bilhões em debêntures. Durante a conversa, a executiva falou do seu trabalho como gestora e declarou que o mercado já havia começado a reconhecer que a petroleira estava recuperando seu crédito estatal. Ela ainda revelou a recompra de bonds e a nova ênfase na gestão de dívidas. Quais são as críticas à regra? Alguns especialistas alegam que o Quiet Period prejudica o fortalecimento do mercado de capitais (pela limitação das informações, burocracia desnecessária, etc.) e que ele foi banalizado: hoje quase todas as declarações implicam punição. Outro problema é que, enquanto os pequenos investidores de varejo permanecem sem conhecimento, os analistas de mercado continuam recebendo informações. O que cria uma assimetria, que é acompanhada do medo das empresas de se pronunciarem durante os 60 dias do Quiet Period. Outro problema: já foram registradas aplicações errôneas da regra. Em 2005, na véspera do encerramento do Quiet Period, a CMV suspendeu o IPO da Cosan em virtude de uma matéria publicada em uma revista que se tratava, e era explícita nisso, de informações divulgadas no evento da oferta das ações. Ainda assim, a entidade suspendeu a atividade por 15 dias.

    17/09/2020
  • Quase moeda

    O que é uma quase moeda? A quase moeda é um formato de ativo financeiro que é "não monetário", isto é, não é uma moeda. Ou seja, você não pode levá-la até o mercado e comprar mercadorias e serviços na medida em que, em muitos casos, ela é intangível. Ainda assim, uma quase moeda apresenta características interessantes, configurando-se sim em uma categoria de ativo que concede direitos aos seus proprietários. As principais delas são o baixo risco e a liquidez imediata. Neste sentido, vale lembrar que liquidez é a facilidade de converter um ativo em dinheiro. Um imóvel, por exemplo, tem baixíssima liquidez: é difícil vendê-lo e ter dinheiro disponível em caixa. Uma quase moeda oferece o exato contrário: facilidade em conversão do ativo em capital. Moeda x quase moeda E quais as diferenças de uma moeda para uma quase moeda? Para responder a esta pergunta, vamos antes relembrar que uma moeda é um tipo de ativo cuja principal função é a aquisição de bens e serviços — ou seja, tem valor para compras. Nós temos, na prática atual, três funções principais na sociedade para o uso de moedas. São elas: Uso para trocas, permitindo que você entregue dinheiro para adquirir mercadorias e serviços;Função de reserva de valor, permitindo que você tenha poder aquisitivo em algum outro momento necessário;É também uma boa forma de medir equivalência de valor de produtos e mercadorias, ainda que não ocorra a compra ou venda. Aqui, estamos falando especificamente da precificação ou, em termos mais práticos, de quanto eles valem. São exemplos de moeda o real, o dólar, o euro e a libra esterlina. Ou seja, por moeda entenda o dinheiro em si. Já a quase moeda pode ser facilmente convertida em dinheiro, mas ainda não o é. Quais são os exemplos de quase moeda? A melhor forma de entender o que é uma quase moeda é deixando a teoria um pouco de lado e usar de um exemplo prático, certo? Pois a melhor demonstração do conceito são os títulos públicos de curto prazo. Pense, por exemplo, no Tesouro Selic (LFT). Essa é uma aplicação financeira oferecida pelo Tesouro Nacional que permite que você faça o seu dinheiro render acompanhando a nossa taxa básica de juros. Esse é um ativo que cumpre bem as funções de uma quase moeda. Você tem liquidez diária, ou seja, pode negociar a sua posição a qualquer momento, recebendo de acordo com a marcação a mercado. Além disso, também é uma opção bastante segura na medida em que acompanhará os juros do país. Ao mesmo tempo, você não pode ir até a padaria e comprar pão com o seu patrimônio investido em títulos públicos. Isso é justamente o que a converte em uma quase moeda: há facilidade na conversão em capital, mas ela não permite compras e aquisições como ter dinheiro na sua conta corrente. Outros exemplos desse tipo de ativo são depósitos na caderneta de poupança e recebíveis a prazo (os quais podem ser antecipados). Ambos possuem as mesmas características de uma quase moeda: altíssima liquidez e baixo risco, mas inviabilidade de compras sem antes passar por uma conversão para moeda. Qual é a importância da quase moeda? Talvez você esteja se perguntando por que criou-se o conceito de quase moeda se ela não permite aquisição de produtos e serviços diretamente, certo?  A principal razão para isso é que nem toda reserva de valor (dinheiro) precisa estar líquida para uma pessoa. Você mesmo muito provavelmente não gasta nem perto de tudo que possui em termos de patrimônio. Sendo assim, deixar o "dinheiro parado" não faz muito sentido. É aqui que entram os investimentos. Só que, ao mesmo tempo, você pode precisar de parte desse capital em algumas ocasiões. É neste ponto que entra a reserva de emergência, alocando seu dinheiro em ativos que sejam uma quase moeda. Assim, você pode facilmente resgatar e convertê-los em moeda. Por fim, ainda é fundamental na medida em que esses ativos de altíssima liquidez ajudam a financiar a economia como um todo. Seja para instituições bancárias, seja para o governo, a aplicação do dinheiro em uma quase moeda configura-se em um tipo de empréstimo valorizado pela taxa de juros acordada.

    04/06/2020
  • Quarta Revolução Industrial

    O que é a Quarta Revolução Industrial? A Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0, compreende a nova tendência da automatização total das fábricas. Trata-se do conceito cyber-físico, desenvolvido pelo economista alemão fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Martin Schwab.  Com a Primeira Revolução Industrial, ao final do século XVIII, a ideia de trabalho artesanal deu lugar aos processos realizados a partir do uso de carvão, vapor e ferro.  Em meados do século XIX, a Segunda Revolução Industrial trouxe consigo o desenvolvimento tecnológico: eletricidade, aviões, telefones e refrigeradores.  A partir da metade do século XX, entravamos na Terceira Revolução Industrial, marcada pelos primeiros computadores e redes de comunicação.  A capacidade produtiva da indústria chega ao ápice com a Quarta Revolução Industrial, que pretende unir um conjunto de tecnologias como nanotecnologia, neurotecnologia, biotecnologia, robótica, inteligência artificial e armazenamento de energia, para criar uma fusão entre o mundo físico, biológico e digital: é a chamada era robótica. “A quarta revolução industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital”, diz Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial, publicado no ano de 2016. O projeto teve início na própria Alemanha, em 2013. Através da união entre ferramentas como sistemas cyber-físicos e biologia sintética, algumas fábricas chegaram a 100% de independência humana em suas produções.  Qual a importância da Quarta Revolução Industrial? Qualquer que seja a categoria industrial, o conceito de fabricação é sempre transformar matéria-prima em um produto comercial. Pensando nisso, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) listou algumas razões pelas quais a Quarta Revolução se faz necessária em solo brasileiro: O Brasil entrará para a elite em termos discursivos sobre a evolução do novo sistema produtivo tecnológico; Projeta-se um giro econômico de R$73 bilhões no país, com a adoção dos conceitos de Indústria 4.0; Sensível melhora da produtividade nacional e destaque de competitividade com o resto do mundo; Assim como todo conceito, ele começa na indústria, mas se espalhará rapidamente para outros setores; Possibilidade de criar no Brasil uma nova cadeia de produção industrial, com produtos de alto valor agregado; Haverá melhora na inteligência operacional das empresas, com análises mais precisas; O país deixará de ser apenas um produtor de commodities e evoluirá para a indústria de transformação; Alguns setores como automotivo, agro, têxtil e área da saúde, possuirão condições de liderar ou estar na elite global de produção;O governo brasileiro será coerente quanto ao tempo de lançamento das diretrizes para nortear a Indústria 4.0 no país. Quais os impactos da Quarta Revolução Industrial? O princípio da Quarta Revolução Industrial é estabelecer independência de mãos humanas em diferentes redes categóricas de fabricação. Pesquisas realizadas no ano de 2015 apontaram que esse emprego tecnológico poderá movimentar até 14,2 bilhões de dólares na economia mundial. "Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", afirma Klaus Schwab. Há controversa no que diz respeito aos níveis de empregabilidade, já que mais de 5 milhões de vagas se tornariam inexistentes nos próximos 15 anos. Entretanto, a ABDI garante que estas também estariam evoluindo de acordo com os novos tempos:  “Ser contra a evolução é o mesmo que foi ser contra a internet 20 anos atrás ou ser contra a máquina fotográfica digital para manter o emprego dos laboratoristas. Ou, ainda, ser contra o comércio online pelo risco do desemprego nas lojas físicas”.

    18/05/2020
  • Q de Tobin

    O que é o Q de Tobin? O chamado Q de Tobin é uma metodologia criada pelo economista estadunidense James Tobin, ainda em meados do século XX, para a avaliação de companhias em particular até ao mercado de ações como um todo. O Q de Tobin é composto por dois elementos básicos: o valor de firma e o valor de reposição. O valor de firma é caracterizado como a soma do valor de mercado de uma empresa e as suas dívidas. Já o valor de reposição, por sua vez, mensura o capital necessário para a substituição do ativo circulante da companhia, concentrando-se em seu estoque. O conceito é usado, sobretudo, na observação do valor (de mercado e intrínseco) das corporações e do próprio mercado, de modo a identificar avaliações superestimadas ou subestimadas. Como o Q de Tobin é calculado? O cálculo do Q de Tobin é realizado seguindo-se a seguinte fórmula: Q de Tobin = Valor de firma / Valor de Reposição. De acordo com o resultado, têm-se três interpretações primárias possíveis: O resultado é inferior a 1: significa que o valor de firma é inferior ao valor de reposição e o valor da companhia, portanto, é subestimado - desse modo, investir nela não é recomendado. O resultado é igual a 1: significa que o valor de firma e de reposição são idênticos, de modo que a companhia vale exatamente quanto custa para substituí-la. O resultado é superior a 1: o valor de firma é superior ao valor de reposição e o seu valor é superestimado, de modo que os investimentos são incentivados. Interpretar o resumo, portanto, é simples. Basta dividir as duas variáveis e encontrar o resultado adequado - por exemplo, se o valor de firma é de 100 milhões e o valor de reposição é de 50 milhões, o Q de Tobin é igual a 2. Isso significa que a companhia está superestimada (se julgar necessário, retorne ao parágrafo anterior para rever a classificação). A maior divergência ligada ao Q de Tobin, no entanto, não diz respeito ao fruto do seu cálculo, mas sim acerca da melhor maneira de se apurar o valor de reposição de uma companhia - em especial no que tange ao arranjo entre ativos e passivos, tanto circulantes quanto não circulantes, para se chegar a um valor exato. Quais são as críticas atreladas ao uso Q de Tobin? As principais críticas ligadas ao Q de Tobin estão relacionadas a precisão de seus elementos. Isso porque nem sempre apontar o valor de reposição de uma companhia, por exemplo, é tarefa fácil ou exata. Diversas variáveis, como amortizações, têm a mensuração igualmente problemática. E ainda que seja possível indicar com exatidão cada uma delas, há também aqueles que julguem o Q de Tobin como incapaz de precisar a supervalorização ou subvalorização das companhias e mercados. Isso porque, segundo eles, embora o índice tenha se mostrado eficiente na primeira amostra utilizada para a sua criação (de 1960 a 1974), o mesmo não se repete precisamente em períodos distintos.

    15/05/2019
  • Quantitative Trading

    O que é quantitative trading? O quantitative trading (“trading quantitativo”, em tradução livre) é um método de compra e venda de títulos, que utiliza as análises feitas por computadores para encontrar oportunidades lucrativas no mercado financeiro. A partir de algoritmos focados na coleta de dados dos ativos, que são capazes de aplicar informações obtidas em modelos matemáticos específico, o sistema aponta quais ativos possuem mais chance de bom desempenho futuro. A depender da configuração, esses robôs possuem, inclusive, autonomia para realizar as transações. Mas cuidado! O quantitative trading não deve ser confundido com o algorithmic trading: embora apresentem muitas semelhantes e sejam amplamente difundidos em fundos quantitativos, são modelos diferentes. Falaremos mais sobre essas diferenças adiante. Como o quantitative trading funciona? O funcionamento do quantitative trading pode ser dividido em duas etapas: a construção do sistema e o seu “cotidiano”. Construção do sistema Os sistemas de quantitative trading consistem em quatro segmentos principais: identificação da estratégia, backtesting, sistema de execução e gerenciamento de risco. Enquanto a identificação da estratégia se concentra em detalhes como a frequência da operação, o backtesting faz a predição dos dados. Por sua vez, o sistema de execução e o gerenciamento se dedicam, respectivamente, ao grau de automação da negociação e a mitigação das potenciais ameaças sobre o capital. É claro que essas são descrições gerenciais e cada um dos componentes possui responsabilidades secundárias. O sistema na prática Na prática, o sistema de quantitative trading realiza: A coleta de dados dos ativos; A aplicação dos ativos nos modelos matemáticos ou inteligência artificial; A identificação dos padrões; Em caso de reconhecimento de oportunidades, há a recomendação da venda ou compra do ativo; Em caso de sistema totalmente otimizado, a operação é feita automaticamente. Para que serve o quantitative trading? Você se lembra de como era difícil encontrar a rota para um ponto novo na cidade há algumas décadas atrás? Era preciso interrogar parentes, amigos e conhecidos em busca de pistas e, não raro, abordar transeuntes no meio do caminho para esclarecer se não havia se perdido. Não é à toa que, no cinema, a clássica cena das viagens terrestres é composta por um personagem confuso encarando o seu enorme mapa de papel. Felizmente, hoje não precisamos mais passar por situações como essas. Basta pegarmos o celular e deixar que os aplicativos encontrem o melhor trajeto por nós. No mundo dos investimentos, a evolução seguiu no mesmo sentido. Em fundos quantitativos, ao invés de gestores debruçados sobre dados, históricos de preço, padrões e afins, existem computadores realizando (parcial ou completamente) essa atividade. Através do quantitative trading, as negociações ganham mais precisão, visto que os algoritmos não atuam sobre o mesmo subjetivismo que a mente humana. Nesses casos, não é que as funções humanas de análise sejam renegadas, mas que os modelos matemáticos se somem como especialistas naquilo que fazem: ditar padrões irrefutáveis. Qual é a diferença entre algorithmic trading e quantitative trading? Você já aprendeu que o quantitative trading utiliza algoritmos para identificar as melhores oportunidades de venda e compra no mercado financeiro, certo? Então qual é a diferença entre uma modalidade e outra, visto que o algorithmic trading pode ser traduzido, literalmente, como trading algorítmico? Em tese, o algorithmic trading utiliza algoritmos para, a partir das regras exclusivamente definidas pelo investidor, realizar operações. No entanto, o sistema não “aprende” com os padrões, ficando preso às normas já estabelecidas. O quantitative trading, por sua vez, não possui essa limitação. Os seus robôs são criados para coletar os dados, inseri-los em modelos matemáticos, reter as suas informações (se preciso), e, então, operar. Percebe como o caminho é mais longo e versátil? Ambos, quantitative e algorithmic trading, são usados por fundos quantitativos, mas possuem estruturas distintas, como percebemos.

    08/02/2019
  • Quantative Easing

    O que é quantitative easing? O quantitative easing, também conhecido como flexibilização quantitativa, é uma estratégia de estímulo monetário que visa, a partir da compra de títulos públicos e privados pelo Banco Central, aumentar a oferta de dinheiro em circulação na economia. A sua aplicação costuma sobrevir a um momento de forte crise ou estagnação econômica, quando a instituição perde o controle sobre a deflação. Japão, Estados Unidos e o bloco da Zona do Euro são alguns dos mais famosos implementadores dessa política. Para se ter uma ideia de sua magnitude, o quantitative easing é considerado a maior forma de intervenção pública já realizada nas economias ocidentais - com exceção, apenas, das grandes guerras mundiais. Como o quantitative easing funciona? O quantitative easing é uma estratégia ligada à Macroeconomia, ou seja, não está direcionado a nenhum setor ou região específica, mas a todos os blocos da nação. Em situações “normais”, o Banco Central, cuja função principal é garantir a estabilidade do sistema econômico, utiliza as taxas de juros como forma de controlar a inflação. Assim, ele é capaz de incentivar ou restringir a tomada de crédito e a circulação monetária de acordo com os objetivos fixados. No entanto, em contextos extremos, as reduções não são capazes de frear a diminuição no índice de preços. O que fazer, então, quando a taxa de juros já está próxima de zero e, ainda assim, mercado financeiro continua em desaquecimento? A resposta encontrada por países como Japão (1990s), Estados Unidos (2008) e Inglaterra (2009) foi criar uma quantidade exorbitante de dinheiro novo, gerando valor expandido e impulsionando o poder de compra. Em situações comuns, o ajuste do mercado passa pela emissão de dinheiro físico. No entanto, nos casos de quantitative easing, o capital criado é eletrônico (ou artificial) e a sua utilização se destina à compra de títulos bancários, de dívidas públicas ou privadas. Como os maiores detentores de títulos são os bancos, o que acontece é uma transferência indireta, com o dinheiro passando das mãos do Banco Central para as das instituições financeiras através dessa transação. O resultado é uma injeção de capital, que diminui as taxas de juros cobradas em empréstimos, financiamentos e cartões. Com o acesso facilitado ao crédito, o cliente (pessoa física ou jurídica) vai às compras e faz o dinheiro circular. O crescimento da procura logo é percebido pelos fornecedores, que, baseados na lei da oferta e da demanda, aumentam os preços cobrados e propiciam a inflação. Por outro lado, o quantitative easing pode ter efeitos também sobre o mercado de investimentos. A aquisição massiva de títulos tende a levar o seu preço para cima, aquecendo as trocas entre investidores e fazendo o capital girar. Quais são os riscos atrelados aos programas de quantitative easing? Na terra da economia previsível, certamente a lógica do quantitative easing funciona perfeitamente. Na vida real, entretanto, nem sempre é assim. A desvalorização da moeda local, frente às moedas estrangeiras, não é um risco na aplicação do quantitative easing, mas sim uma característica inerente. Outros fatores, no entanto, dependem da resposta do mercado às medidas adotadas. Por exemplo, se houver um erro no diagnóstico da demanda, o Banco Central pode inserir um montante superior ao necessário e gerar uma hiperinflação. Se a taxa de juros se manter baixa por um período prolongado, há a possibilidade de surgimento das chamadas bolhas de ativos. Embora, nesses casos, a alta nos valores dos ativos seja insustentável, a bolha se espalha, “contaminando” não somente este país, como outros igualmente influenciados por ele. O resultado é uma complexa conexão de mercados esperando que a bolha “estoure”. Além disso, com o estabelecimento dos programas de quantitative easing há o risco de: Desvio no seu caráter temporário, sendo usado para financiar de forma permanente a dívida pública e privada; Intenso deslocamento do capital para países emergentes, gerando excesso de liquidez, com subsequente inflação elevada e/ou bolhas; “Guerra de QEs”: quando vários países adotam o quantitative easing ao mesmo tempo, a desvalorização da moeda tem efeito pífio sobre a melhora da balança comercial, o que os obriga a competir no volume injetado para superarem uns aos outros.  

    08/02/2019