Pico de Hubbert

Última modificação em 08 de Setembro de 2021 às 05:58

O que é pico de Hubbert?

O pico de Hubbert é uma teoria que defende a ideia de que, como o petróleo é um recurso não renovável, a sua produção bruta a nível mundial acabará atingindo um pico. Sendo assim, entrará em declínio terminal e seguirá uma curva em forma de sino.

A teoria presume que, depois que as reservas de combustíveis fósseis são descobertas, a produção inicialmente aumenta de forma exponencial, mas à medida em que o pico de produção é aumentado, começa a declinar até se aproximar do total declínio. Embora esse modelo possa ser aplicado a diversos recursos, ele foi desenvolvido especificamente para tratar sobre a produção de petróleo.

Qual é o conceito do pico de Hubbert?

Em 1956, M. King Hubbert, geólogo que trabalhou para a Shell na década de 1950, apresentou ao American Petroleum Institute um artigo que refletia sobre o resultado potencial do crescimento exponencial e constante do uso de combustíveis fósseis. Em particular, ele notou que a taxa de consumo era maior do que a taxa de descoberta de novas reservas. Por causa desse desequilíbrio, previu que a produção de petróleo bruto atingiria o seu pico em breve e cairia drasticamente nos anos seguintes.

Essa previsão provou ser quase sempre correta, já que a produção nos Estados Unidos atingiu o pico em 1970 e apresentou um declínio drástico depois disso. No entanto, alguns avanços tecnológicos imprevistos permitiram que o petróleo fosse extraído de recursos não convencionais, o que evitou que o declínio continuasse a acontecer — o que não significa que não aconteça novamente no futuro.

Quais são as implicações do pico de Hubbert?

Uma das maiores implicações do pico de Hubbert é o fato de que, se essa situação acontecesse, a economia mundial sofreria sérias consequências. O aumento da escassez de combustível e o aumento dos custos de energia, por exemplo, teriam um impacto negativo em praticamente todos os setores. Além disso, esses fatores aumentariam diretamente o custo de vida de toda a população.

Os picos nos preços mundiais do petróleo costumam ser acompanhados por recessões econômicas. Isso significa que um aumento permanente — e sustentado — dos preços devido ao declínio de longo prazo nas reservas disponíveis pode levar a um mal-estar econômico iminente. Essa situação poderia até mesmo levantar o espectro da estagflação, que é quando há a ocorrência de inflação e estagnação de uma só vez, e o declínio dos padrões de vida em todo o mundo.

Qual é a relação do pico de Hubbert com a produção de petróleo?

Hubbert previu que a produção de petróleo dos Estados Unidos atingiria o seu pico na década de 1970, assim como o mundo todo atingiria esse mesmo patamar por volta do ano de 2000. Essa previsão, porém, se provou estar errada. Na realidade, o que aconteceu foi que uma revolução tecnológica nesse ramo aumentou as reservas recuperáveis e, com isso, conseguiu impulsionar as taxas de recuperação de poços — tanto antigos quanto os mais novos.

Graças à exploração digital de petróleo de alta tecnologia que usa imagens sísmicas em 3D e permite que os cientistas consigam ver quilômetros abaixo do fundo do mar, as reservas comprovadas em todo o mundo estão crescendo a uma velocidade cada vez maior à medida em que novos campos de petróleo são descobertos. A perfuração offshore na década de 1950, por exemplo, conseguia atingir uma profundidade de mil metros. Hoje, as plataformas mais avançadas contam com tecnologia para perfurar até 15 quilômetros.

O fato é que o mundo não está nem perto do pico de energia. Existe mais de 1 trilhão de toneladas de reservas de carvão comprovadas em todo o mundo, o que pode ser suficiente para durar cerca de 150 anos nas taxas de produção atuais. O pico de Hubbert, então, representa uma ameaça futura. Tudo dependerá do consumo desses combustíveis e quanto tempo levará até o atingirmos.

Gustavo Loyola

Gustavo Loyola

Quem é Gustavo Loyola? Gustavo Loyola, sócio-diretor da empresa Tendências Consultoria Integrada, é doutor em economia pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio ...

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