Myron J. Gordon
Quem é Myron J.Gordon?
Myron J. Gordon é um economista estadunidense criador do chamado Modelo Gordon, método de precificação de ações usado para analisar o crescimento futuro dos dividendos. Dentro da análise fundamentalista, permite que os investidores descubram em quais ações investir para garantir maior lucratividade.
O modelo, no entanto, apresenta algumas limitações, uma vez que se baseia no crescimento constante dos títulos da bolsa, o que é extremamente improvável para a maioria das empresas.
Como é Modelo Gordon?
Criado em 1956 por Myron J. Gordon e Eli Shapiro, o modelo foi projetado para ajudar os investidores a precificar os ativos do seu interesse.
O método pode ser usado para projetar o crescimento dos dividendos pagos por uma empresa e descobrir o valor da ação ao trazer o fluxo de dividendos para o valor presente. Ou seja, Myron J. Gordon assume que uma empresa existirá para sempre e pagará dividendos por ação que aumentaram a uma taxa constante.
No entanto, esse método é considerado pouco confiável, uma vez que não há como prever com exatidão quanto uma empresa pagará de dividendos aos seus investidores no futuro.
No entanto, Gordon e Shapiro defendem que é possível aplicar a fórmula para analisar a precificação das ações de empresas com taxas de crescimento estáveis e assim descobrir boas oportunidades de investimento.
O resultado é obtido pela seguinte fórmula: Preço = Dividendos por ação / (K – G), onde K é a taxa mínima de retorno sobre o investimento e G a taxa de crescimento prevista.
Os dividendos por ação representam o pagamento anual que uma empresa faz aos seus acionistas ordinários, enquanto a taxa de crescimento corresponde a valorização das ações. A taxa de retorno corresponde ao retorno mínimo que os investidores estão dispostos a aceitar ao comprar ações de uma empresa.
Como usar o modelo Gordon?
O primeiro passo é definir as três variáveis que permitirão determinar o valor de uma ação:
- A taxa mínima de retorno;
- A taxa de crescimento; e
- Dividendos por ação.
Além disso, é preciso observar algumas variáveis. Imagine uma empresa do ramo automobilístico, chamada ABC. As seguintes premissas são esperadas para essa empresa:
- Espera-se que a empresa pague R$ 0,80 por ação em dividendos para os investidores;
- Crescimento de 1% nos dividendos;
- Retorno mínimo de 15% por ação;
Ao aplicar o modelo de Myron J. Gordon, a fórmula ficaria assim: Preço = 0,8 / (15% – 1%). Após o cálculo, chegaríamos ao valor de R 5,71. Claro, essas premissas não são exatas, o que torna o modelo um tanto quanto restrito.
Modelo de Myron J. Gordon: observações
Para que o modelo funcione é preciso que as premissas aplicadas sejam válidas. No entanto, mesmo investidores com profundo conhecimento do mercado, podem ter dificuldade de acertar esses valores. Assim sendo, o método requer alguns cuidados:
O pagamento dos dividendos não são previsíveis
Não há como determinar, com exatidão quanto uma empresa pagará de dividendos no próximo ano, uma vez que essa decisão cabe ao conselho administrativo e considera estimativas de crescimento e os investimentos feitos pela empresa nos últimos anos.
Isso significa que o pagamento dos dividendos não é constante, o que o modelo de Gordon não considera.
As exigências de rentabilidade mudam frequentemente
Empresas de setores diferentes possuem expectativas de retorno diferentes e essa tendência muda com o passar dos anos.
Em 2020, por exemplo, a pandemia do Coronavírus afetou diversos setores da economia, no entanto, alguns setores sofreram perdas mais significativas que outros, o que levou os investidores a refazerem as expectativas de retorno sobre os seus investimentos.
Custo do capital precisa superar a taxa de crescimento dos dividendos
Caso a taxa de crescimento de dividendos supere o custo do capital não é possível utilizar o modelo de Myron J. Gordon, porque os cálculos não irão fechar.
Nenhuma utilidade para empresas em dificuldades
O modelo não pode ser aplicado caso a empresa tenha fechado o ano no vermelho e tenha que repassar por uma reestruturação societária, por exemplo.
Como se vê, o modelo de Gordon pode ajudar os investidores a decidirem em qual ativos investir, no entanto, essa fórmula não pode ser o único instrumento para tomada de decisão uma vez que seus preceitos dificilmente se confirmarão no futuro.