Economia

O real sentiu o baque junto com as moedas de seus pares emergentes e se desvalorizou frente ao dólar durante toda a sessão de negócios desta segunda-feira, 22. Pesou tanto no exterior quanto por aqui mais uma troca no comando do banco central turco, a terceira desde 2019, por decisão do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, dois dias depois de a autoridade monetária ter aumentado os juros, para 19% ao ano.

Esse fator externo caiu em um dia no qual a moeda já sofria com questões internas, como a piora no quadro de expansão da covid-19 e a ainda problemática situação fiscal do país, que ajudaram a pintar um quadro de tensão que levou mais cedo a cotação a R$ 5,5484 na máxima do dia no mercado à vista.

O real sentiu o baque junto com as moedas de seus pares emergentes e se desvalorizou frente ao dólar durante sessão de negócios desta segunda
Real se desvaloriza junto com moedas de emergentes - Foto: OhTilly/ Unsplash

No fim da tarde, o dólar spot fechou em alta de 0,59%, cotado a R$ 5,5179. Ao mesmo tempo, no exterior, o dólar se fortalecia 7,65% ante a lira turca.

Para Samuel Castro, Estrategista de América Latina do BNP Paribas, houve uma elevação geral do nível de risco por parte da percepção dos investidores globais em relação aos mercados emergentes e o real entrou em um movimento muito similar de seus pares, nada fora do padrão.

Por outro lado, ressaltou Castro, ajudou o real nesta segunda-feira, 22, o fato de o Banco Central brasileiro ter iniciado, na quarta-feira passada, um processo de normalização da política monetária de uma maneira robusta e já indicando um novo ajuste forte. Não fosse isso, disse, a moeda local já estaria perdendo nesta segunda mais do que outras moedas de emergentes frente ao dólar.

No mercado externo mais cedo, a lira turca chegou a cair mais de 15% com a intervenção de troca da presidência do BC, recuando após o ministro das Finanças assegurar que o país continuará seguindo regras do mercado.

Na avaliação de Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York, o agora antigo presidente do BC turco Naci Agbal foi um dos principais motivos pelos quais os investidores restauraram a confiança na posse de ativos turcos. Ele aumentou as taxas de juros em 875 pontos-base desde novembro e ajudou a estabilizar a lira.

Moya ressalta que os primeiros comentários do novo líder da autoridade monetária, Sahap Kavcioglu, focaram na promoção da estabilidade econômica com custos de empréstimos mais baixos, o que está de acordo com o presidente Recep Erdogan.

Para ele, a crise na Turquia provavelmente será isolada, então o resto do mercado de câmbio emergente não deve se preocupar com temores de contágio. A Turquia será forçada a impor controles de capital para estabilizar os mercados, mas isso pode ser uma lição de futilidade. "O banco central turco provavelmente fará cortes nas taxas e os apelos por um controle da lira em relação ao dólar se tornarão o consenso no câmbio"./ Agência Estado

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