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Eli Broad foi um dos principais bilionários americanos do setor da construção civil, tendo construído uma fortuna aproximada de 6,9 bilhões de dólares construindo casas e vendendo seguros. Conhecido também por utilizar parte dos seus recursos para financiamento de atividades culturais na cidade em que passou boa parte da sua vida — além é claro, por seu grande sucesso no universo corporativo.

Nos tópicos abaixo, você conhecerá melhor os principais pontos da história de sucesso do empresário, filantropo e bilionário Eli Broad, falecido em março de 2021.

Quem é Eli Broad?

Eli Broad destaca-se por ter se tornado o primeiro empresário bem-sucedido na história norte-americana a iniciar duas empresas em ramos totalmente distintos, transformando-as em grandes potências mundiais. No decorrer dos últimos cinquenta anos, construiu as primeiras casas para milhões de famílias, além de ter assegurado a aposentadoria de outras centenas de milhares de norte-americanos.

Sua herança mais importante, no entanto, está ligada às atividades relacionadas a sua filantropia. Isso porque, Broad e sua esposa ajudaram a financiar, por mais de 60 anos, inúmeros serviços no setor educacional, investindo alguns de seus bilhões de dólares em tecnologias de ensino para estudantes do ensino regular de centenas de escolas públicas espalhadas pelo país.

Além disso, tornou-se também um importante ator nas questões atreladas a pesquisa e desenvolvimento de práticas terapêuticas para o cuidado com a saúde humana e um exímio colecionador de arte contemporânea. No decorrer de sua jornada como empresário, Eli Broad fez nascer e expandiu dezenas de empresas, organizações, instituições de ensino e de pesquisa científica, bem como um grande número de museus de arte.

História de Eli Broad

Eli Broad nasceu em 1933 na cidade de Nova York. Filho único de imigrantes judeus advindos da Lituânia, no continente europeu. Em 1940, sua família mudou-se para Detroit, onde seu pai passou a atuar como pintor e administrador de lojas populares. Durante o ensino médio e a faculdade, Broad realizou apenas serviços temporários, contudo, após se formar em contabilidade pela Michigan State University, tornou-se contador em 1954.

Anos mais tarde, Eli Broad tomou uma atitude que mudaria sua vida para sempre: com cerca de 12 mil dólares emprestados, iniciou a sua primeira empresa do ramo de construção civil na cidade de Detroit, conhecida como KB Home. Depois deste ter se tornado um negócio de expansão nacional, concentrou suas atividades também em outro ramo que lhe renderia muito dinheiro, o setor de seguros.

Com a aquisição da Sun Life Insurance, Broad fez, em 1998, a venda à empresa por 18 bilhões de dólares para o American International Group. Após retirar-se do trabalho ativo em seus negócios, Eli Broad dedicou-se integralmente às atividades filantrópicas. No total, o biliário criou duas fundações de apoio a pesquisas médicas, educação pública e artes, a Broad Art Foundation e a Eli and Edythe Broad Foundation.

Dentre suas ações mais relevantes, o casal Broad doou mais de 4 bilhões de dólares em bolsas de estudos e 30 milhões de dólares para recuperar o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles — durante a crise financeira atravessada pela instituição. Além disso, destinou cerca de 50 milhões para o Museu de Arte do Condado de Los Angeles, tendo aplicado recursos na construção do Walt Disney Concert Hall.

Em 2015, investiu na criação de um museu de artes próprios, denominado “The Broad”, que abriga sua coleção pessoal composta por mais de 2 mil peças de arte contemporânea e itens pós-guerra. Porém, anunciou em 2016 sua aposentadoria da Fundação Broad, nomeando a neurocientista de carreira da instituição, Gerun Riley e que, desde então, se mantém apoiando organizações de caráter inovador nas áreas da educação, ciências e artes.

Participação política

Apesar de se encontrar afastado da presidência de sua Fundação, em 2020 Eli apresentava-se muito ativo e disposto a participar de questões de interesse mútuo e benéfico para a população norte-americana. Por conta disso, aos 87 anos e com desejo de continuar ajudando novas pessoas, sobretudo em relação às questões ambientais, crise climática e demais tópicos ligados à política dos EUA, Broad realizou grandes contribuições para candidatos à Casa Branca, Senado e à Câmara.

As principais características buscadas por Eli e Edye eram, justamente, o viés sustentável dos candidatos, em especial, com histórico de ações contra as mudanças climáticas, tendo apoiado também organizações de combate à corrupção, mobilização da educação e saúde.

Eli Broad também expressou publicamente seu apoio à aplicação do imposto sobre as grandes fortunas. Prova disso é que, em um de seus últimos atos públicos, escreveu um artigo de opinião publicado no The New York Times, destacando:

“Há duas décadas, voltei-me em tempo integral para a filantropia e me dediquei ao apoio à educação pública, à pesquisa científica e médica e às artes visuais e cênicas, acreditando que era minha responsabilidade devolver parte do que havia sido tão generosamente dado a mim. Mas percebi que nenhum compromisso filantrópico compensará as profundas desigualdades que impedem a maioria dos americanos — trabalhadores de fábricas e fazendeiros, empresários e eletricistas, professores, enfermeiras e proprietários de pequenas empresas — da prosperidade básica que chamamos de sonho americano. [...] Nosso país deve fazer algo maior e mais radical, começando pela área mais injusta da política federal: nosso código tributário.”

Como o Eli Broad ficou rico?

Formado em contabilidade, Eli Broad, como já destacamos, construiu a maior parte da sua fortuna atuando no ramo imobiliário, sobretudo a partir da criação da fundação KB Home, ou Kaufman and Broad Home Corporation. Em parceria com o empresário Bruce Kaufman, Broad aprendeu as principais diretrizes do setor de construção civil e rapidamente percebeu a grande oportunidade de fazer deste negócio, uma fonte de renda extraordinária.

Isso, porque após tornar-se um construtor, Broad e Kaufman passaram a vender casas com preços mais populares. Uma grande descoberta da dupla passa diretamente pela modalidade de casas em que eram construídas sem porões, já que isso reduzia substancialmente o custo, além de ser uma norma adotada em Ohio e Indiana.

Nesses estados, as casas não precisavam mais de um portão para estocar carvão, pois este sistema havia sido substituído pelos aquecedores a gás. Logo, eliminar o porão permitiu reduzir boa parte do custo e do tempo que eram destinados à construção subterrânea. Assim, este se tornou o primeiro modelo bem-sucedido da KB Home, chamado de “The Winner Award”.

Para consolidar a ideia e conseguir chamar a atenção dos compradores, construíram dois protótipos deste modelo, do qual se tornaria um grande sucesso entre as famílias da região. Sendo assim, adquiriram juntos mais 15 terrenos para implementar novas construções.

Em 1957, todos os 17 terrenos foram vendidos durante apenas um único final de semana de vendas. Com isso, Kaufman e Broad tiveram um lucro de 1 milhão de dólares em seu primeiro ano de negócios. Mais tarde, em 1961, a empresa iniciou uma expansão nacional, abrindo capital na American Stock Exchange.

Em 1963, a empresa se mudou para Los Angeles por causa de  seu mercado imobiliário em expansão. Da sua nova sede, Kaufman e Broad se tornaram a primeira construtora residencial a emitir seu próprio papel comercial e a vender residências na Califórnia — inspiradas nas casas geminadas da Costa Leste e vendidas a preços acessíveis para famílias de classe média

Seguro de vida e o mercado financeiro

Embora a KB Home estivesse apresentando bons números e sua expansão atingisse novos patamares a cada ano, Eli sempre se preocupou com uma eventual desaceleração da economia, em razão da natureza cíclica do negócio de construção civil. Sendo assim, passou a buscar a diversificação de suas atividades.

Então, estudando mais a fundo sobre o período de recessão norte-americana, Eli Broad pode perceber com mais clareza que as empresas que haviam sobrevivido aquele período se tratavam de companhias do ramo de Seguro de Vida. Com isso, em 1971, decidiu adquirir uma pequena seguradora sediada em Baltimore por aproximadamente 52 milhões de dólares, nascendo assim a Sun Life Insurance.

A década de 70 foi um período divisor de águas tanto para os negócios da KB Home quanto para a construção do patrimônio bilionário de Eli Broad. Isso porque, neste período, a construção civil de modo geral, incluindo grandes e consolidadas empresas passaram por um período de declínio em 1974.

Após migrar também para o mercado de seguros, portanto, Eli Broad não apenas trabalhou para corrigir os rumos da KB Home, como também iniciou o processo de revolução do setor de seguros de vida. Nesse contexto, a transformação da Sun Life passou diretamente pela percepção de Eli, haja vista que o empresário notou que a perspectiva de vida das pessoas havia aumentado.

Naquela época, os principais clientes da KB Home tinham maior probabilidade de investirem em poupanças para aposentadoria em detrimento aos aportes em seguro de vida. Pensando nisso, a Sun Life foi transformada em uma empresa de serviços financeiros, denominada SunAmerica. Posteriormente, ela foi instituída de modo a oferecer aos consumidores um valor acessível a um produto com grande potencial transformador.

Sendo assim, a SunAmerica não era apenas uma simples seguradora e financeira que oferecia produtos de aposentadoria para os seus milhões de clientes, mas, também, tornou-se a companhia que mais cresceu explosivamente na Bolsa de Valores de Nova York.

Em 1999, no entanto, Broad vendeu a Sun America para a AIG por 18 bilhões de dólares, tendo lucrado cerca de 3 bilhões com a venda — mas, manteve-se também no conselho da AIG. Apesar de ter sua participação em grande parte do seu patrimônio, Eli Broad sempre buscou alternar suas aplicações, diversificando sua participação na AIG. Em 2005, deixou o conselho e vendeu suas ações, mantendo apenas 10% de seu patrimônio líquido na companhia, que viria a entrar em colapso na grande recessão.

Negócios de Eli Broad

O sucesso de Eli Broad, como já destacamos, advém do desempenho apresentado em dois setores distintos: a construção residencial e investimentos (seguros, aposentadorias). Isso, por outro lado, se deu em razão de alguns pontos importantes em relação à observação de Broad, afinal, graças ao sucesso de vendas de imóveis se deu por conta do preço acessível para casas, a fim de atrair famílias jovens e pessoas no início da carreira.

A SunAmerica, por sua vez, iniciou as atividades enquanto seguradora de vida. Porém, com o passar do tempo teve seus objetivos transformados, uma vez que Eli percebeu a oportunidade de investir na aposentadoria, já que as pessoas estavam vivendo cada vez mais e, portanto, o negócio de seguro de vida não era uma boa ideia. Em consequência à sua visão, a SunAmerica tornou-se uma potência em serviços financeiros e, por isso, a empresa bateu recorde de crescimento na bolsa de valores norte-americana na década de 90.

Após deixar o mundo dos negócios,  Eli seguiu carreira atuando em tempo integral como filantropo. Inspirado pelo forte desejo de retribuir, fundou e financiou várias instituições do setor de educação, ciência e artes. Assim, pode estabelecer programas de apoio e desenvolvimento de líderes e gestores do sistema de escolas públicas.

Ávido colecionador de arte contemporânea, criou um museu no centro de Los Angeles que abriga mais de 2.000 peças de arte contemporânea e pós-guerra. Até o fechamento do local em razão da pandemia de Covid-19 no mundo, o espaço já havia contado com a presença de mais de 3,5 milhões de visitantes nos seus primeiros 4 anos de funcionamento.

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