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Quem é Dilma Rousseff? Conheça sua história e importância no mercado

Dilma Rousseff fez toda sua carreira na política. Ela foi a primeira mulher presidente do Brasil e a segunda no cargo a sofrer impeachment.

Data de publicação:04/01/2022 às 14:45 -
Atualizado 7 meses atrás
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A ex-presidente Dilma Rousseff é uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. Ela assumiu diversos cargos políticos durante sua carreira até culminar no impeachment em 2016. Neste artigo, você vai conhecer mais sobre a história de Dilma Rousseff, seu ativismo e a vida pós-presidência.

Foto Oficial Presidenta Dilma Rousseff. Foto: Roberto Stuckert Filho.

Quem é Dilma Rousseff?

Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte, sob o nome Dilma Vana Rousseff, mesmo nome de sua mãe. Seu pai era um imigrante de origem búlgara chamado Pétar Russév. Após sua naturalização passou a se chamar Pedro Rousseff.

Nos primeiros anos da ditadura militar, Dilma começou a sua atuação política, ainda cursando o colegial. A ex-presidente se aproximou do grupo esquerdista – Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop).

A Polop unia estudantes e intelectuais e foi a base da formação dos partidos de esquerda no Brasil. Seus conceitos eram baseados nas ideias de Lênin, Rosa Luxemburo e Leon Totsky, voltada para uma luta não armada e movimento de massas. No entanto, novas ideias baseadas na Revolução Cubana começavam a entrar em determinadas divisões da Polop.

Dilma ficou mais alinhada a essa nova corrente. A partir de 1967, a organização se dividiu e o grupo guerrilheiro Colina (Comando de Libertação Nacional) passou a organizar diversas ações clandestinas.

Em 1970, Rousseff foi presa em São Paulo. Na prisão, ela foi tortura e desenvolveu diversas sequelas, como um problema na tireóide. Depois da sua condenação, Dilma Rousseff foi transferida para o Presídio Tiradentes. No final de 1972, ela foi solta.

Formação

Depois de sair da prisão, Dilma se mudou para Porto Alegre e retomou os estudos. Em 1974, ela passou a cursar Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, concluindo sua graduação em 1977.

Entre 1975 e 1977, Dilma trabalhou na FEE- Fundação de Economia e Estatística.

Anistia

Em 1979, foi promulgada a Lei da Anistia e várias lideranças da esquerda voltaram ao país após o exílio, incluindo Leonel Brizola. Eles fundaram o DTP – Partido Democrático Trabalhista, no qual Dilma começou a fazer parte.

Entre 1980 e 1985, Rousseff passou a trabalhar como assessora de vários políticos na Assembleia Legislativa. De 1986 a 1988, foi secretária da Fazenda na prefeitura de Porto Alegre.

Em 1989, Dilma Rousseff se tornou Diretora-Geral da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre. Entre 1991 e 1993, ela se tornou presidente da FEE e logo em seguida, assumiu a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do Governo do Rio do Grande do Sul e ficou no cargo até o final de 1994.

Entre 1995 e 1997, ela se voltou a trabalhar na FEE, tornando-se editora da revista Indicadores Econômicos FEE, e passou a analisar o mercado financeiro e a política monetária. Um dos seus principais artigos foi “A privatização do setor elétrico no Chile: o erro mudou”. Ela expôs as relações entre as esferas privadas e públicas nesse setor.

Em 1999, Dilma assumiu a Secretaria Estadual de Energia, Minas e Comunicações do Governo do Rio Grande do Sul. Por problemas políticos, o PDT rompeu com o estado. Dilma discordou da decisão e deixou o partido. Em março de 2001, ela se filiou ao PT – Partido dos Trabalhadores e permaneceu na secretária até o final do governo em 2003.

Crise energética

Desde o governo de Fernando Collor (1990-1992), o Brasil reduziu os investimentos em gerar e transmitir energia elétrica. Com isso, houve uma necessidade de uso excessivo da água armazenada nos reservatórios.

Em 2001, a conta literalmente chegou. O país enfrentou uma grande crise energética conhecida como “apagão”, principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste. A região Sul foi poupada do racionamento de energia.

Dilma foi convidada a participar da Câmara de Gestão de Energia Elétrica do Governo Federal. Em 2002, ela coordenou a equipe de infraestrutura do Governo de transição. Depois disso, ela foi convidada pelo então presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva para se tornar Ministra das Minas e Energia.

Ministra das Minas e Energia

Dilma foi empossa em janeiro de 2003 para reestruturar todo o setor de Minas e Energia. Seu principal objetivo era impedir que uma nova crise energética acontecesse de novo.

Dilma apresentou um modelo para regulamentar o setor elétrico baseado em três pontos principais: a retomada de investimentos, a promoção da modicidade tarifária e a garantia de abastecer energia em todo país.

Em novembro de 2003, Dilma Rousseff lançou o programa “Luz Para todos”, que prometia o fornecimento de energia elétrica para todo Brasil, em especial, as áreas rurais.

No início de 2005, o governo Lula enfrentou o famoso “escândalo do mensalão”, que o presidente do PTB, o deputado federal Roberto Jefferson denunciou um esquema de aliciamento de parlamentares. De acordo com Jefferson, o chefe da casa civil, José Dirceu coordenada o esquema de trocar voto em favor dos projetos governamentais por retribuições financeiras, com a anuência do presidente Lula.

Foi instalada a CPI do “Mensalão”, tendo como principal alvo, José Dirceu. Em junho do mesmo ano, Dirceu se demitiu da chefia da Casa Civil. O presidente Lula convidou Dilma Rousseff a assumir o cargo. Ela foi a primeira mulher a ocupar essa pasta.

Ministra-chefe da Casa Civil

Após a reeleição de Lula à presidência, Dilma Rousseff continuou seu trabalho como Ministra-chefe da Casa Civil, assumindo a responsabilidade de coordenar, elaborar e executar o principal projeto do segundo governo Lula: o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento.

O PAC reunia projetos em diferentes áreas como geração de energia, transportes, habitação e infraestrutura para atender várias comunidades desprovidas dos serviços públicos essenciais.

Embora muito criticado, o governo continuava com o plano. Em abril de 2009, Dilma Rousseff iniciou um tratamento de combate a um câncer linfático, mas se manteve no cargo.

No mesmo ano, participou dos debates sobre a nova descoberta das grandes reservadas de petróleo, chamadas de “pré-sal”. Sob a coordenação da Casa Civil, o governo elaborou uma proposta considerada o marco regulatório para explorar o pré-sal.

Em 2010, no 4º Congresso Nacional do PT, Dilma foi indicada a pré-candidata do partido à presidência da República, com a benção de Lula. Ela se afastou do cargo de Ministra-chefe da Casa Civil e iniciou uma extensa campanha por todo Brasil. Seu principal cabo eleitoral era o presidente Lula.

Os principais candidatos para as eleições de 2010 eram Mariana Silva do PV e José Serra do PSDB. Dilma foi eleita a primeira mulher presidente do Brasil em 31 de outubro de 2010.

Presidente da República

Em 1º de janeiro de 2011, Dilma Rousseff tomou posse como presidente da República, ao lado do seu vice-presidente Michael Temer do PMDB. No início da sua gestão, Dilma lançou o programa Plano Brasil Sem Miséria, com o intuito de tirar quase 17 milhões de brasileiros da extrema miséria. O programa funcionava como uma extensão do Bolsa Família, criado no governo Lula.

Além disso, a presidente deu continuidade em outras ações do governo antecessor como o Minha Casa, Minha Vida, que financiava a compra de moradia popular. Sua meta era chegar até 2014 em dois milhões de casas.

No primeiro ano do seu governo, a economia começa a desacelerar e o país passou se aproximar de países vizinhos. Em 2012, Rousseff sancionou a Lei de Acesso à Informação. A lei estabelecia um prazo máximo de 50 anos para informações classificadas como ultra-secretas pelo governo. Para enfrentar a desaceleração econômica, o governo lançou diversos pacotes financeiros e de estímulos fiscais.

Em 2013,o Brasil foi tomado por uma onda de protestos contra o aumento das tarifas de transporte público e os gastos elevados e a corrupção com a organização da Copa do Mundo. Para reduzir os protestos, foi criado o Programa Mais Médicos, que incentivava médicos brasileiros e estrangeiros a trabalharem em áreas mais carentes no interior do país.

Marco Civil da Internet

Em abril de 2014, Dilma Rousseff sancionou a lei que estabelecia um marco civil da Internet, para proteger o sigilo de dados, de navegação e a neutralidade da rede. No mesmo ano, ela estabeleceu o PNE – Plano Nacional de Educação com 20 metas para 10 anos.

Durante a Copa do Mundo, a presidente foi alvo de novos protestos com vaias nos eventos de abertura e encerramento. Em seguida, teve início a Operação Lava-Jato da Polícia Federal, que investigava esquemas de corrupção na Petrobras. Sob o efeito desses problemas e de indícios de uma crise econômica, o país vivenciou uma disputa eleitoral bem acirrada pela Presidência da República.

Segundo mandato

Em 1º de janeiro de 2015, Dilma Rousseff tomava posse para o segundo mandato a Presidente da República. Para evitar uma crise econômica, foram adotadas medidas de ajustes fiscais, que alteravam benefícios previdenciárias e trabalhistas.

No entanto, no mesmo ano, Eduardo Cunha do PMDB, presidente da Câmara rompeu formalmente com o governo, o que agravou a crise política. Em novembro, o TCU – Tribunal de Contas da União informou ao Congresso que reprovou as contas do governo Dilma de 2014, uma vez que ela adotou manobras com o intuito de aliviar as contas públicas.

Para o TCU, a presidente Dilma Rousseff havia desrespeitado a Lei de Responsabilidade Fiscal ao editar decretos sem autorização do Congresso, para obter créditos suplementares, as chamadas “pedaladas fiscais”. No final ano, Eduardo Cunha acatou pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Aliados passaram a cobrar uma atitude de lealdade do vice-presidente Michael Temer. Temer enviou uma carta à Dilma que havia perdido o protagonismo político e era um vice apenas decorativo para resolver crises políticas e votações do PMDB.

No início de 2016, o PMDB rompeu com o Governo Federal. Novos protestos tomaram as ruas exigindo o impeachment da presidente. Ao nomear Lula como ministro-chefe da Casa Civil, Dilma chamou a atenção do juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava-Jato. Ligações telefônicas entre Dilma e Lula foram tiradas do sigilo.

No final de abril, as duas casas do Congresso votaram a favor da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. A presidente foi afastada por 180 dias de suas funções. Temer assumiu como presidente em exercício.

Em agosto, o impeachment foi votado, determinando a perda do mandato presidencial. Após o processo, Dilma Rousseff voltou para Porto Alegre.

Pós-presidência

Ela manteve alguns benefícios oferecidos a ex-presidentes da República, como ter o direito a dois carros oficiais e oito assessores. Dilma perdeu o direito ao salário presidencial de mais de 30 mil reais. No entanto, ela havia se aposentado pelo INSS e passou a receber 5 mil reais por mês.

Logo em seguida, ela se tornou presidente do Conselho Consultivo da Fundação Perseu Abramo.

Em 2017, ela foi denunciada pela Procuradoria Geral da República por obstrução da justiça e organização criminosa, no caso da nomeação do Lula como ministro-chefe da casa civil. Um ano depois, a Justiça Federal de Brasília acatou a denúncia. No mesmo ano, Rousseff fez a transferência do seu domicílio eleitoral para Belo Horizonte.  Ela disputou ao Senado Federal pelo PT, mas foi derrotada nas urnas.

Vida pessoal de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff foi casada duas vezes. O primeiro casamento foi com o jornalista mineiro Cláudio Galeno Linhares. O segundo foi com ex-deputado gaúcho e ex-guerrilheiro Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem Dilma teve sua única filha Paula Rousseff, que nasceu em 1976.

Em 1994, o casal se separou. Dois anos depois, voltaram se viver juntos. No entanto, em 2000, Dilma e Carlos se separaram em definitivo.

Em 2005, Dilma Rousseff passou a se corresponder Luben Russév, seu meio-irmão búlgaro. Ele veio a falecer dois anos depois.

Paula Rousseff se formou em Direito e atualmente é uma funcionária pública concursada e ocupa o cargo de Procuradora do Trabalho em Porto Alegre.

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