Economia

A população desempregada somou 14,8 milhões de pessoas entre os meses de março, abril e maio, ficando estável ante o trimestre anterior – 14,4 milhões. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira, 30, pelo IBGE.

A taxa do período é considerar a segunda maior da série histórica iniciada em 2012. Ante ao mesmo trimestre móvel de 2020 0 12,7 milhões de pessoas – o montante subiu 16,4%, acrescentando mais 2,1 milhões de desempregados nesta base.

Número de trabalhadores com carteira assinada ficou estável no período - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A força de trabalho, que inclui pessoas ocupadas e desocupadas, cresceu 1,2 milhão, puxada pelo volume de ocupados – 86,7 milhões – que subiu em 809 mil, aumento de 0,9 na comparação com o trimestre anterior.

Segundo Adriana Beringuy, analista da pesquisa, a expansão da população ocupada reflete o avanço de 3,0% dos trabalhadores por conta própria, única categoria que cresceu no período.

“Esses trabalhadores estão sendo absorvidos por atividades dos segmentos de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que cresceu 3,9%, o único avanço entre as atividades no trimestre até maio”, diz a analista.

Já na comparação com o trimestre fechado em maio do ano passado, a força de trabalho cresceu 2,9% - ou 2,9 milhões - porém, influenciada, principalmente, pelo aumento da população desocupada - 2,1 milhões.

“Muitas pessoas interromperam a procura por trabalho no trimestre de março a maio do ano passado por conta das restrições, já que muitas atividades econômicas foram paralisadas para conter a pandemia. Isso fez a procura por trabalho diminuir. Um ano depois, com a flexibilidade, essas pessoas voltaram a pressionar o mercado”, explica Adriana Beringuy.

Também foram os trabalhadores por conta própria que tiveram a maior expansão (2,0 milhões) no mercado de trabalho em um ano.

“O crescimento do trabalho por conta própria se deu, sobretudo, na agricultura (27%), construção (25%) e informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (24%). Os outros 24% foram disseminados nas demais atividades investigadas pela PNAD Contínua”, detalha a analista do IBGE.

Carteira assinada

A pesquisa mostra que no trimestre até maio, o trabalho com carteira assinada no setor privado ficou estável - 29,8 milhões. Já na comparação anual houve uma redução de 4,2% - ou menos 1,3 milhão de pessoas sem emprego formal.

Os empregados no setor privado sem carteira também ficaram estáveis no trimestre - 9,8 milhões. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, porém, foi registrada um crescimento de 6,4%, com mais 586 mil pessoas.

Informalidade

Segundo dados da PNAD, 34,7 milhões de pessoas trabalhavam na informalidade no período, representando uma taxa de 40,0%. No trimestre anterior, a taxa foi de 39,6%, com 34,0 milhões de trabalhadores informais – sem carteira assinada. Beringuy observa que há um ano esse contingente era menor, 32,3 milhões e uma taxa de 37,6%.

“Hoje temos 2,4 milhões de trabalhadores informais a mais do que há um ano. Contudo, se olharmos o trimestre pré-pandemia (dezembro a fevereiro de 2020), os informais somavam 38,1 milhões de pessoas a uma taxa de informalidade de 40,6%”, compara a analista da pesquisa.

Por tudo isso, o nível de ocupação (48,9%) continua abaixo de 50% desde o trimestre encerrado em maio do ano passado, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

Rendimento médio

A pesquisa mostra ainda que o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.547 no trimestre fechado em maio, ficando estável em relação ao anterior.

A massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, também se manteve no mesmo patamar sobre os três meses anteriores, atingindo R$ 215,5 bilhões.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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