Economia

O Ministério da Infraestrutura informou, por meio de suas redes sociais, que houve uma redução de cerca de 35% nas tentativas de bloqueios em rodovias federais pelos protestos dos caminhoneiros. Na última atualização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), às 14h30, não há mais registros de trechos com interdições, mas 13 Estados ainda têm pontos de concentração.

De acordo com a Pasta, a Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Cantarina e Paraná) concentra mais da metade das ocorrências registradas nesta tarde. No entanto aglomerações ainda seguem nos estados da Bahia, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Maranhã, Rio de Janeiro e Tocantins.

bloqueios em rodovias
Policiais retirando pneus dos bloqueios em rodovias | Foto: Reprodução Twitter PRF

A PRF informou, também, que zerou a lista de pontos sensíveis com algum impedimento da saída ou entrada de caminhões. Dentre esses pontos, os mais críticos eram em Paulínia e São José dos Campos, no Estado de São Paulo.

Entre as 8h e 14h30 desta quinta-feira, 9, 10 corredores logísticos essenciais foram liberados:

  • BR-116/Bahia (Feira de Santana)
  • BR-101/Bahia
  • BR-101/Sergipe
  • BR-101/Pernambuco (Igarassu)
  • BR-116/Rio Grande do Sul (Vacaria)
  • BR-285/Rio Grade do Sul (Passo Fundo e São Borja)
  • BR-386/Rio Grande do Sul (Sarandi e Mato Castelhano)
  • BR-392/Rio Grande do Sul (Pelotas)
  • BR-381/Minas Gerais (Igarapé)
  • BR-447/Espírito Santo (Porto de Capuaba)

Em sua conta do Twitter, a PRF afirmou ainda que, de ontem para hoje, foi registrada a liberação de 35 pontos de bloqueios nas rodovias federais de todo o País. A instituição garante que seus agentes encontram-se em todos os locais identificados e permanecem trabalhando pela "garantia do livre fluxo nas rodovias federais, viabilizando o escoamento da produção assim como o direito de ir e vir dos motoristas e usuários."

As paralisações não contam com o apoio formal de nenhuma das principais entidades que representam a categoria. A PRF ressalta, também, que a composição das mobilizações é heterogênea, não se limitando a demandas ligadas à categoria.

Pedido de Bolsonaro aos caminhoneiros

Na noite da véspera, dia 8, momento onde os atos começaram a crescer significativamente, um áudio de Jair Bolsonaro passou a circular nas redes sociais. Na mensagem, o presidente pedia aos caminhoneiros que liberassem as estradas.

"Fala para os caminhoneiros aí, que são nossos aliados, mas esses bloqueios atrapalham a nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação e prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres. Então, dá um toque nos caras aí, se for possível, para liberar, tá ok? Para a gente seguir a normalidade", começou Bolsonaro.

A gravação continua e o presidente afirma: "deixa com a gente em Brasília aqui e agora. Mas não é fácil negociar e conversar por aqui com autoridades. Não é fácil. Mas a gente vai fazer a nossa parte aqui e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? E aproveita, em meu nome, dá um abraço em todos os caminhoneiros. Valeu".

A autenticidade do áudio foi confirmada pelo ministro da infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, após especulações de que a gravação era uma montagem. Em vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, o ministro confirma e reforça o pedido de Bolsonaro.

"Essa paralisação ia agravar efeitos na economia, na inflação que ia impactar os mais pobres, os mais vulneráveis. Já temos hoje um efeito no preço dos produtos em função da pandemia. A inflação hoje também tem um componente internacional. E uma paralização vai trazer desabastecimento, vai acabar impactando os mais pobres, os mais vulneráveis e prejudicando a população", afirma de Freitas no vídeo.

"A gente sabe que há uma preocupação de todos com a melhoria da situação do país, há uma preocupação de todos com a resolução de problemas graves. Mas a gente não pode tentar resolver um problema criando outro. E, principalmente, prejudicando os mais vulneráveis. Daí a preocupação do presidente da República", continua o ministro.

Por fim, Tarcísio Gomes de Freitas pede que "todos ouçam, escutem atentamente às palavras do presidente", em busca de "serenidade para pavimentar um futuro melhor."

Os bloqueios em rodovias

As manifestações começaram no feriado, na esteira dos atos de 7 de Setembro, convocados pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas segundo entidades, o movimento foi organizado por motoristas alinhados politicamente ao governo.

O Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) emitiu nota declarando apoiar "os direitos e garantias e reunião, manifestação, crítica, paralisação, por pauta jurídica, por direitos. Contudo, temos reservas e cautelas quanto a pauta política e somos firmemente contra pauta antidemocrática".

A entidade explica que "apoiadores políticos, enquanto cidadãos, envolveram a classe dos caminhoneiros, sem representação de entidade na pseudoparalisação sem qualquer pauta jurídica por direitos, como se fossem os responsáveis por atos classificados por grande parte do mundo como juridicamente antidemocráticos".

A nota segue, dizendo que "os caminhoneiros que querem parar, como cidadãos, voluntariamente, terão seus direitos garantidos e de igual forma defendemos aqueles que não aderem voluntariamente à paralisação. A circunstância afeta a imagem da categoria, gera danos patrimoniais, sociais, econômicos e morais coletivos, sobre os quais exigimos imediata providência para garantir a cessação de danos.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, o número de Estados com registro de manifestações foi crescendo ao longo do dia nesta quarta-feira. O primeiro comunicado divulgado pela Pasta citava ocorrências em apenas quatro Estados. Ao todo, já foram "debeladas" 117 ocorrências com concentração de populares e tentativas de bloqueio total ou parcial de rodovias.

"A disseminação de vídeos e fotos por meio de redes sociais não necessariamente reflete o estado atual da malha rodoviária", destaca a Pasta em nota.

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Repórter na Mais Retorno

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