Renda Variável

A bolsa fechou em alta de 1,23%, aos 116.833 pontos, sustentada por indicadores favoráveis da economia em fevereiro: criação de vagas de emprego acima do esperado e déficit nas contas do governo abaixo das expectativas do mercado. E o dólar fechou no vermelho, com redução de 0,08%, cotado a R$ 5,762.

O Caged, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, apresentou um resultado surpreendente, com um saldo positivo de criação de 401.639 novos empregos, em fevereiro. Nível bem acima das expectativas de mercado, em torno de 250 mil novas vagas.

" As ações de turismo e shoppings foram destaque com essa surpresa. Sentimento de que existe uma luz no fim do túnel", afirma Gustavo Cruz, da RB Investimentos. Segundo ele, as varejistas de rua também subiram em bloco. E agora há uma revisão dos analistas sobre o impacto do agravamento da pandemia no mercado.  

O anúncio da saída dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica foi mais um fato importante no decorrer do dia, mas não chegou a influenciar o mercado. O entendimento de investidores foi o de que a troca de comando não representa um ruptura institucional, nem mudanças significativas na atual condução da política econômica. Há quem entenda que as mudanças poderão ser positivas, com redução de ruído político.

"Esse tipo de risco já está embutido nos preços dos ativos, temos um juro no mercado futuro em 9% ao no, em janeiro de 2029" diz Vítor Scalet,, estrategista Macro e Analista Político na XP Investimentos.

João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos, aponta que a Bolsa já estava em clima de retomada quando a notícia de exoneração dos comandantes chegou ao mercado. "Hoje o mercado financeiro está às voltas com o progresso, mesmo que lento, da vacinação, dos resultados do IGP-M abaixo do esperado, e do Caged, que trouxe boas notícias para a economia. O efeito da demissão veio para se juntar a esse cenário".

Volatilidade marca comportamento do dólar
Volatilidade marca comportamento do dólar nesta terça-feira

Já o dólar, que estava vivendo um dia de volatilidade no viés de alta durante a manhã, transitou pela estabilidade, mas fechou em queda residual de 0,08%, cotado a R$ 5,762.

Para Leonardo Milane, analista da VLG Investimentos, a queda no dólar está ligada à redução da percepção de risco obtida com essas movimentações políticas. "Essas decisões mostram uma probabilidade de maior velocidade nas reformas, de solucionar o problema fiscal e melhor governabilidade com a aproximação do Executivo e Congresso".

Futuros, petróleo e troca ministerial

Na parte da manhã, as operações na bolsa abriram em queda, sob os reflexos do desempenho negativo do petróleo e dos futuros da Bolsa de Nova York, além das expectativas com a troca ministerial no governo do país. Porém, em seguida mudou o sinal e passou a buscar uma recuperação.

O petróleo vive um dia de baixa nesta terça-feira, operando em leve queda. Traders aguardam pela reunião da OPEP, com especulações de que novas preocupações com a demanda levarão o grupo a manter a produção sob controle. Enquanto isso, o Canal de Suez foi reaberto após o desencalhe do navio Ever Given. Às 15h24, o petróleo WTI atingiu baixa de 1,67%, com o barril vendido a US$ 60,52. Já o Brent recuava 1,25%, com preço a US$ 64,06.

A influência da valorização do dólar do exterior apoia a leve alta da moeda americana à vista e limita a queda do dólar de abril. Além disso, a disputa técnica em torno da rolagem de contratos cambiais também reforça a volatilidade.

Instabilidade política

O clima de instabilidade política no Brasil, segundo analistas, pode continuar permeando os negócios nos mercados ao longo do dia.

A atenção agora se volta à indicação de nomes que substituirão os ministros que saíram. No mesmo dia da demissão de Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, um dos mais alinhados ideologicamente a Bolsonaro, o presidente já indicou o novo nome para a pasta.

Trata-se do embaixador Carlos Alberto França, ex-cerimonialista da presidência que assume a chancelaria sem ter chefiado previamente nenhum posto no serviço exterior.

Outro ministro que deixou o governo ontem, demitido pelo presidente, foi o da Defesa, o general Fernando Azevedo. Criou mais mal-estar no mercado, porém, a notícia da demissão de Claudio Costa, gerente executivo de RH da Petrobras. A atuação de Costa era vista, por especialistas, como bastante alinhada com o trabalho desenvolvido pelo ex-presidente Roberto Castello Branco.

A demissão de José Levi da Advocacia Geral da União (AGU), e a troca de cadeiras entre o ministro da Justiça, sai André Mendonça que volta para a AGU, e entra Anderson Torres, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, também não deixam de causar marolas no já conturbado ambiente político de Brasília.

Investidores e profissionais de mercado avaliaram baixas na equipe como sinal de enfraquecimento do governo Bolsonaro. “Uma deterioração do cenário político muito ruim aos olhos dos investidores. Principalmente no que se refere ao que o mercado mais espera do governo, as reformas econômicas”, avalia Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

Outra preocupação do mercado é a falta de consistência do Orçamento 2021, aprovado pelo Congresso semana passada, aponta Alexandre Almeida, economista da CM Capital. “Um orçamento pouco crível que só agrava as preocupações dos investidores com a questão fiscal, relacionada à evolução das contas públicas.”

"A deterioração de expectativas políticas e econômicas encoraja a procura de proteção no dólar, que segue em marcha batida de alta.  Mas a pressão de alta não vem apenas do front doméstico", analisa Camila.

A economista-chefe da Veedha comenta que a valorização do dólar é fenômeno global. “Tem a ver com a perspectiva de crescimento econômico dos Estados Unidos, o que fortalece o dólar”, escorado ainda na elevação dos juros dos títulos de dez anos do Tesouro americano.

O dólar chegou a encostar em R$ 5,80, ontem pela manhã, mas fechou mais baixo, cotado por R$ 5,77. A valorização no dia foi de 0,44%. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou os negócios com alta de 0,56%, em 115.418,72 pontos.

Wall Street com comportamento misto e Treasuries a 1,74%

Em Wall Street, as bolsas de Nova York seguem o dia em baixa nesta terça-feira. Às 9h47, o índice Dow Jones caia 0,26%. Na mesma esteira, o S&P 500 registrava recuo de 0,42%, e Nasdaq 100 atingia perdas de 0,76%

Os rendimentos dos Treasuries subiram para 1,74% e os de cinco anos atingiram seu ponto mais alto em um ano. Os investidores estão voltando sua atenção para a força da recuperação da economia dos Estados Unidos e nos riscos de inflação, à medida que os governos aumentam os gastos para estimular o crescimento.

O presidente Joe Biden vai divulgar um novo programa de investimentos em infraestrutura, além do plano para financiar o projeto, ainda nesta semana. Porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki informou que a proposta traz a "oportunidade de rebalancear" o sistema tributário do país, que está defasado.

Notícias positivas sobre as vacinas no país também estão ajudando a elevar o apetite ao risco. Um estudo feito pelas empresas Pfizer e Moderna mostram que suas doses preveniram eficazmente as infecções por coronavírus.

Bolsas asiáticas fecham o pregão em alta nesta terça-feira

As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta terça-feira, com investidores mantendo foco na perspectiva de recuperação da economia global.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,16% em Tóquio hoje, aos 29.432,70 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 0,84% em Hong Kong, aos 28.577,50 pontos, o sul-coreano Kospi se valorizou 1,12% em Seul, aos 3.070,00 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,48% em Taiwan, a 16.554,90 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve alta de 0,62%, a 3.456,68 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,47%, a 2.229,27 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom positivo da Ásia e ficou no vermelho. O S&P/ASX 200 caiu 0,90% em Sydney, aos 6.738,40 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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