Economia

Embora tenha vindo abaixo das expectativas do mercado, o IPCA-15 de maio de 0,44%  não levou os analistas a rever suas projeções de continuidade de alta da inflação nos próximos meses.

Segundo Alejando Ortiz Cruceno economista da Guide Investimentos, todas as categorias do índice apresentaram alta na margem. A exceção e destaque ficou por  conta do item Transportes, com queda de 0,23%, refletindo alta menos acentuada dos combustíveis, mas principalmente a forte queda das passagens aéreas, de 28,85%.

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Para ele, a dinâmica dos preços continua sendo ditada pelos preços administrados, commodities e câmbio.

Em relação ao primeiro vetor, a pressão veio pelo reajuste dos medicamentos, levando a uma alta de 1,23% no item Saúde, e pela alta nos preços da energia elétrica - algo que já era esperado dado o nível preocupante dos reservatórios - , com o item Habitação apresentando um avanço de 0,79%.

No campo das commodities, o que pesou foi a alta de preços das carnes e do tomate, que foi levemente atenuada pela queda do item “Alimentação fora do domicílio” e dos combustíveis, que passaram de uma alta de 2,91% em abril para 1,89% em maio, mesmo assim, segue em nível ainda elevado.

A pressão das commodities, afirma Alejandro, embora indiretamente, também se reflete em itens cujo processo produtivo utiliza commodities, como móveis e eletrodomésticos, por exemplo. O terceiro, por sua vez, acentua a pressão das commodities, que são cotadas em dólares no mercado internacional.

Cruceno ressalta que “o quadro inflacionário atual da economia brasileira segue sendo caracterizado, em boa parte, por um choque negativo de oferta”.

Ele explica que se trata da combinação de preços mais elevados das commodities e dos preços administrados, como energia, com o desarranjo das cadeias produtivas, que ainda sofre com restrições à mobilidade. Isso gera custos mais elevados de matérias-primas e transporte às empresas que, por sua vez, são repassados aos consumidores. Trata-se, em essência, de uma inflação de custos.

A estagnação do mercado de trabalho, que demonstra enorme resistência à recuperação, deixa claro que, em grande parte, não há pressão de demanda muito relevante, principalmente no que diz respeito à demanda por serviços. A inflação de serviços acumulada em 12 meses situa-se em torno de 1,56%, enquanto a de produtos industriais ficou em 7,44%.

IPCA-15 também surpreendeu a XP

A analista da XP Investimentos, Tatiana Nogueira, chama a atenção que a surpresa baixista veio concentrada em um item, de modo que a dinâmica inflacionária continua preocupante. O principal desvio de suas projeções ficou com a passagem aérea, com queda de 28%, enquanto os dados apontavam para uma deflação de apenas 1%.

Em contrapartida, Tatiana destaca o comportamento dos preços dos bens industriais, que subiram 1% em maio, diante de estimativas de alta de 0,58%. Essa alta, segundo ela, veio espalhada entre artigos de residências, vestuário, automóvel novo e etanol.

“O resultado não muda nossa visão sobre a inflação, que ainda sofre forte pressão nos próximos meses. O resultado de hoje deve levar a revisões do IPCA de maio, que deve ter uma revisão para baixo”, diz a economista.

Inflação seguirá em alta para BTG Pactual

Riscos inflacionários seguem altistas para BTG Pactual

Os analistas do BTG Pactual digital trabalhavam com uma estimativa de 0,54% para o IPCA-15, também acima dos 0,44% efetivamente resgistrados.

Para o time Macro Research, os riscos inflacionários seguem altistas para os próximos meses, reflexo dos elevados preços das commodities, que já têm impactado os preços no atacado e podem ser repassados aos preços do consumidor.

Também pelo ainda descasamento entre a oferta e demanda das cadeias de produção pressionando o IPCA-15, com a inflação de bens industriais e o cenário hidrológico desfavorável.

Em contraponto, as medidas de isolamento social podem ter uma leve pressão baixista sobre o índice, contudo menor dos efeitos sentidos  em 2020.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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