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Ao longo dos últimos meses, até mesmo em função da crise econômica causada pela pandemia, cresceu o interesse dos brasileiros em globalizar os seus investimentos.

Esse é um processo natural na medida em que o Brasil ainda é um país emergente e, portanto, envolve maior risco para o capital investido. Desta forma, é bem comum que ocorra uma desvalorização dos seus ativos em períodos de crise. Por outro lado, economias vistas como mais seguras tendem a receber aportes dos investidores, processo chamado de fly to quality.

No entanto, aos poucos a situação volta à normalidade e é justamente nesse momento que se torna mais recomendado buscar a diversificação internacional. Hoje, queremos te ajudar com esse processo, mostrando as moedas mais fortes do nosso planeta e como investir nelas.

Quais são as principais moedas do mundo?

Antes de começar a abordar cada câmbio e como você pode alocar uma parte do seu capital nessas moedas, precisamos deixar alguns avisos.

O primeiro deles é que essas moedas foram eleitas e ordenadas com base na sua liquidez, isto é, o volume de negociação. Ou seja, não se trata de qual é mais cara, mas sim qual é mais utilizada.

Além disso, moedas mais negociadas tendem a ser mais "seguras", mas isso não significa que elas não se desvalorizem em determinados momentos, ok? Portanto, a escolha de investimentos associados a esses câmbios não representam recomendações de investimentos. Avalie o seu perfil de investidor e os seus objetivos financeiros.

Dito isto, vamos então conhecer as principais oportunidades de investimentos internacionais do mundo.

Dólar

Não há como começar essa lista sem falar da principal moeda global: o dólar americano. Esse, afinal, é o câmbio utilizado na maior economia do mundo — os Estados Unidos.

Desta forma, o dólar americano acaba sendo a principal referência de moeda global justamente pela sua alta usabilidade. É considerada como uma reserva de valor junto ao ouro, especialmente pela sua valorização em períodos de recessão econômica.

Euro

Outra moeda que é até clichê entre as mais conhecidas é o euro. Assim como acontece com o dólar, há um volume expressivo de negociações envolvendo esse câmbio, principalmente pela integração econômica da Europa, onde ela é majoritariamente aceita.

Importante destacar aqui a rápida evolução obtida pelo euro. Ao contrário de muitos outros câmbios globais, o euro é bem recente. A sua criação ocorreu apenas em 1999, tornando notável o volume de negociação atingido em curto intervalo temporal.

Libra Esterlina

Se o euro é a moeda da Europa, a libra esterlina é a moeda do Reino Unido. A região, que é forte economicamente, conta com quatro países: Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

Um fato curioso sobre a libra esterlina está no valor da moeda que é superior, inclusive, ao dólar americano. Na cotação de 14 de junho de 2021, uma libra esterlina equivalia a 1,41 dólares.

Essa valorização do câmbio se deve a alguns fatores. Podemos mencionar a sua longevidade (muito maior que o euro, por exemplo), a força econômica da região do Reino Unido e sua liquidez.

Iene

O Japão é uma das maiores forças econômicas da Ásia e tem no iene, sua principal moeda local, um dos câmbios de maior liquidez da economia global. É outro ativo considerado como oportunidade para reserva de valor.

Além de ser um país desenvolvido, o Japão tem uma economia mais aberta do que ocorre, por exemplo, na China. Desta forma, o câmbio é visto como mais seguro pelos investidores, com menor impacto de ações do governo local.

Outras moedas

Essas quatro moedas mencionadas centralizam a maior parte da negociação diária do mercado cambial. Apenas para não deixar o artigo muito extenso, abaixo mencionamos algumas outras nas quais vale a pena ficar de olho na sua diversificação internacional. São elas:

Como investir nas principais moedas do mundo?

Agora que você já conhece as principais moedas do mundo, podemos nos centrar no objetivo do artigo: como podemos fazer para investir nelas?

A resposta intuitiva para a pergunta seria comprá-las diretamente com o seu dinheiro. No entanto, essa é apenas uma das possibilidades e, em muitas vezes, nem é a melhor. Na prática, ativos internacionais já permitem essa exposição ao país de origem dos mesmos.

Vamos então conhecer as principais oportunidades e canais para realizar investimentos internacionais.

Fundos de investimentos globais

O primeiro tipo de investimento que você pode fazer para buscar a globalização da sua carteira está nos fundos de investimentos globais. Eles são fundos tradicionais, mas cujo mandato permite a alocação do capital do cotista fora do país.

Assim, o gestor dos recursos irá negociar títulos de renda fixa, ações, derivativos e outros produtos de geografias externas ao Brasil. É o caso de um título de dívida da Alemanha, REITs (um ativo similar aos fundos imobiliários brasileiros) americanos ou de ações da Samsung, por exemplo.

Infelizmente, a maioria desses produtos é destinada ao investidor qualificado (isto é, aquele que possui ao menos um milhão de reais comprovados como patrimônio). Para o pequeno investidor, existem restrições sobre a alocação global, algo que prejudica a oferta de fundos de investimentos desta categoria.

BDRs

Para quem deseja fazer a alocação internacional por conta própria, um caminho interessante está no uso dos Brazilian Depositary Receipts (BDR), que são certificados de depósitos.

Os BDRs são emitidos por instituições financeiras e funcionam como papéis que estão diretamente atrelados a outros ativos, principalmente ações. Assim, sem precisar de uma corretora global, você pode comprar ações que estão posicionadas em bolsas de valores internacionais.

Outro ponto importante — e que garante a diversificação internacional — é que os BDRs trazem um cenário de dupla exposição. Isto é, você terá seus resultados atrelados tanto ao resultado das empresas, como também à variação cambial.

Veja alguns exemplos de BDRs:

ETFs

Para quem não deseja escolher ações individualmente, mas também não tem acesso a bons fundos de investimentos globais, a alternativa está na compra dos Exchange Traded Funds (ETF).

Esses são fundos de investimentos negociados nas bolsas de valores que possuem como objetivo replicar um índice. Ou seja, você tem um fundo passivo, basicamente replicando esse indicador.

No Brasil, existem ETFs que permitem a exposição aos resultados do mercado de ações dos Estados Unidos, algo que funciona como uma forma de alocar seu capital de forma internacional. É o caso do IVVB11, que replica o desempenho do S&P 500, um dos principais índices do mercado americano.

Existem também BDRs de ETFs, permitindo que você faça a sua alocação patrimonial em outras geografias. A dinâmica é a mesma que vimos para as ações, mas com um papel que replica o desempenho de ETFs listados em bolsas de valores internacionais.

Derivativos

Por fim, existem ainda os derivativos que podem ser negociados na B3, que é a nossa bolsa de valores. É o caso, por exemplo, dos contratos futuros. Eles permitem a negociação de moedas, com preço prefixado, em data futura.

No entanto, aqui há maior risco e volatilidade, justamente pela data de vencimento dos instrumentos. Sendo assim, não é recomendado para iniciantes, exceto se o uso do ativo estiver direcionado para proteção das oscilações cambiais — algo que, de qualquer forma, exige certo domínio do mercado financeiro.

Quanto eu devo investir em moedas internacionais?

Como vimos ao longo do artigo, existem inúmeras oportunidades no mercado financeiro para que o investidor possa fazer a sua alocação internacional. E não é mais necessário se restringir à compra da moeda, como muitos imaginam.

Desta forma, para quem busca a diversificação cambial da sua carteira de investimentos, não faltam alternativas. O maior desafio está em definir o percentual de capital que será alocado fora do Brasil, algo que é muito pessoal.

De um modo geral, quanto maior a sua necessidade de uma moeda internacional, maior também deve ser a alocação patrimonial nela. No entanto, ainda que o seu custo de vida seja totalmente em reais, é sempre válido ter uma parcela do capital em moeda estrangeira, reduzindo os impactos de crises no seu patrimônio.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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