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Renda Fixa

Investi em uma LCA, mas preciso do dinheiro. Posso resgatar esse valor?

Investir em LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) é uma forma de assegurar o crescimento do dinheiro por meio de uma aplicação de renda fixa. No…

Data de publicação:16/10/2021 às 16:47 -
Atualizado 3 meses atrás
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Investir em LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) é uma forma de assegurar o crescimento do dinheiro por meio de uma aplicação de renda fixa. No entanto, esse tipo de investimento costuma ter um período determinado para o resgate.

Foto: Pexels

Nesse texto vamos falar sobre o funcionamento dos LCA, se o resgate prévio pode ser feito, além de apresentar também algumas opções viáveis de investimento para cada perfil de investidor. Boa leitura!

O que é LCA?

LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) é um tipo de investimento de renda fixa cujos títulos são utilizados como capital de desenvolvimento para o agronegócio. Assim como outros rendimentos de renda fixa, os valores captados de investidores são "empréstimos" a instituições voltadas para o setor.

De modo geral, os investimentos em renda fixa costumam ser os favoritos dos brasileiros, afinal, as taxas de juros são previamente estabelecidas, além de os valores investidos serem assegurados pelas instituições financeiras. Desta forma, o LCA costuma atrair aqueles investidores que preferem a segurança de seu dinheiro e contar com um retorno garantido.

No entanto, investimentos de renda fixa também costumam valer a pena no longo prazo. Para explicar melhor, as taxas de retorno dependem, em sua maioria, da Selic e, nos últimos anos ela vem apresentando queda, o que obrigatoriamente pode comprometer o retorno da aplicação.

É possível fazer o resgate dos investimentos em LCA?

O resgate dos valores investidos em títulos LCA é possível apenas no vencimento, ou seja, no momento do contrato é feita a negociação do período de aplicação, assim como dos juros de retorno e da liquidez esperada. Portanto, o cliente fica ciente de que não é um valor que poderá ser solicitado quando necessário.

No entanto, isso não quer dizer que é impossível reaver ao menos parte do dinheiro antes do período acordado. Sendo assim, mesmo que o valor investido não esteja disponível, é possível solicitar o resgate da liquidez, que pode acontecer de duas formas:

1. Liquidez no vencimento: Esta é a forma tradicional para resgate de valores em investimentos de longo prazo, ou seja, nesta opção o cliente vai reaver os valores acrescidos juntamente com o valor investido. Esse período é estipulado na data do contrato, assim como o dia aproximado em que os valores voltam ao investidor. Investimentos em renda fixa costumam ter seus períodos fixados em 1, 2, 4 ou 6 anos;

2. Liquidez após carência: Investidores de ativos em renda fixa estão acostumados com a expressão "prazo de carência". A maioria desses investimentos estipula um prazo — que depende do período de aplicação escolhido pelo cliente — em que os valores aplicados não podem ser resgatados, incluindo a liquidez. Assim, após o período de carência é possível solicitar os valores de liquidez, mas, caso prefira esses valores poderão ser resgatados na data do vencimento.

A que se atribui as restrições de resgate em LCA?

De modo geral, a dificuldade no resgate de títulos de renda fixa está no fato de que, ao investir em títulos como o LCA que transcorrem no médio e longo prazo, o investidor está emprestando o seu dinheiro para que ele seja aplicado em projetos diversos. Esses projetos, por sua vez, também contam com prazos que podem coincidir com a data de resgate do investimento.

Assim, o investidor não pode reaver os valores aplicados porque eles estão sendo utilizados pelas instituições financeiras. Por outro lado, ativos de renda variável com juros pós-fixados costumam apresentar uma maleabilidade maior no momento de solicitação de resgate, mas aqueles de renda fixa são mais complicados.

Mercado primário e secundário

Se o resgate dos valores investidos é imprescindível, então o cliente pode optar por uma outra via que é a do mercado secundário. Para uma melhor compreensão dessa opção é preciso entender quais são as diferenças entre mercado primário e secundário.

O mercado primário é constituído por empresas, bancos e financeiras que possuem os papéis das ações. Assim, os compradores diretos desses papéis estão inseridos no mercado primário.

O mercado secundário consiste, por sua vez, na venda dos papéis pelo investidor para outro comprador. Isso quer dizer que, nessa segunda venda, o lucro da negociação vai para o investidor que a vendeu.

Portanto, o mercado secundário pode ser uma opção para quem precisa do retorno do dinheiro investido, mas não pode solicitar o resgate porque ainda não transcorreu o prazo do investimento. O que o investidor pode fazer nesse caso é vender o seu LCA para outra pessoa.

É importante ter em mente, no entanto, que os lucros podem ser inferiores aos valores quando do resgate no período estipulado pelo investimento original. Pode ser que a liquidez seja bem menor, ou então o investidor pode ter que esperar por algum tempo para vender se o mercado estiver em baixa e com pouca procura.

Quando vale a pena resgatar o valor investido em LCA?

Algumas situações recentes fizeram com que os investidores de títulos de renda fixa ficassem preocupados com seus investimentos. A pandemia do novo coronavírus é uma deles, além da queda da taxa básica de juros, já que a Selic caiu para 2,25%.

Assim, muitos investidores começaram a pensar em resgatar seus títulos, uma vez que o rendimento passou a render menos que a inflação. Portanto, o mercado de títulos de renda fixa tem passado por reavaliações para verificar as vantagens e desvantagens de manter esses ativos emprestados.

Como em qualquer investimento é preciso fazer uma análise prévia antes de solicitar o resgate dos valores emprestados, afinal, o período demanda em muito em relação ao lucro obtido.

Existem algumas situações em que fazer o resgate pode ser interessante. São elas:

  • Queda acentuada nas taxas básicas de juros: uma carteira de investimentos diversificada é um passo importante para o acúmulo de lucros maiores. Desta forma, se o cliente possui uma carteira que não apresenta essa diversificação, contanto apenas com ativos de renda fixa, por exemplo, talvez seja uma boa solicitar o resgate.
  • Diversificar a carteira de investimentos também é uma questão de estipular objetivos. Pensar se esses objetivos se encontram no curto, médio ou longo prazo é essencial antes de adentrar o mercado de investimentos. A ideia é não apostar todo o dinheiro em uma única possibilidade de lucro.
  • Resgate para realizar mudança na carteira: essa opção está diretamente ligada com a anterior. A diversificação da carteira de investimentos é uma boa justificativa para o resgate de valores. Construir um patrimônio que tenha lucros recorrentes que realmente valham a pena, depende em muito de uma carteira diversificada, afinal, é preciso que os investimentos se complementem. Em outras palavras, quando um investimento não estiver apresentando lucro, outro estará.
  • Mudança de método: alterar o método da carteira também é uma situação em que o resgate dos valores investidos pode ser uma boa opção. Um investidor que tenha repensado a sua forma de investir, que queira incluir aqueles em renda variável por apresentarem lucros maiores, tem uma justificativa válida para solicitar o resgate.
  • Em todo caso, tanto a mudança de método quanto a diversificação da carteira de investimentos depende diretamente da análise do perfil do investidor. Conhecer os objetivos no curto, médio e longo prazo, além de saber o nível de riscos que se está disposto a correr por lucros maiores é uma forma de escolher os investimentos que podem casar melhor com a personalidade do cliente, assim como suas projeções de futuro.

Como escolher um investimento?

Para começar uma carteira de investimentos é imprescindível analisar alguns pontos. O primeiro deles é ter em mente quais são os objetivos pessoais no curto, médio e longo prazo. Casar? Comprar uma casa? Trocar de carro? Fazer uma faculdade? São variáveis que podem definir os critérios de escolha.

É importante também estar ciente do nível de experiência em investimentos. Se você é iniciante, por exemplo, é importante correr poucos riscos, para que primeiro se compreenda como se dão as dinâmicas desse mundo financeiro. Cabe destacar que existem listas de investimentos para investidores iniciantes que podem ser uma boa porta de entrada.

É essencial que se tenha um fundo de reserva para emergências. Como vimos, investimentos podem ter suas datas de resgate estipuladas em contrato, sendo que para solicitar a devolução do dinheiro é necessário esperar pelo fim do período. Portanto, é essencial que o dinheiro investido não seja parte do fundo de reserva para emergências.

Sendo assim, é importante colocar na ponta do lápis os gastos com despesas básicas mensais; responsabilidades diversas; valores de emergência caso haja perda de emprego.

Diversificar a carteira de investimentos também é uma estratégia válida para maximizar os lucros. Tendo em mente que alguns investimentos podem oscilar e apresentar queda em um mês e alta em outro; além de manter mais de uma modalidade para que esses ganhos e perdas fiquem equilibrados. Ou seja, pensar estratégias que possam proporcionar uma carteira ampla e apresentando lucro contínuo.

Porém, talvez o ponto mais importante a ser analisado seja o perfil do investidor. É a partir da análise dessas características tanto psicológicas quanto econômicas, que o perfil fica delineado e pode ser utilizado para encontrar investimentos que sejam compatíveis com os níveis de risco e lucro esperados.

Confira abaixo as características principais de cada perfil.

Qual é o seu perfil de investidor?

A diversificação da carteira de ações depende muito do perfil do investidor. Trata-se de uma ferramenta importante na hora de fazer as projeções futuras, assim como na escolha de ativos que possam proporcionar os lucros esperados.

Conhecido também pela palavra de origem inglesa suitability (aptidão ou adequação), o perfil de investidor é uma análise de caráter psicológico e econômico para descobrir quais são as melhores opções em investimentos.

Basicamente são três categorias, sendo elas o investidor conservador, moderado ou arrojado. Os padrões para identificar cada categoria passam pela análise dos requisitos de segurança, liquidez e rentabilidade.

Confira abaixo quais são as principais características de cada categoria:

Investidor conservador: é aquele que não tem interesse em correr riscos com o seu dinheiro. Esse investidor prefere ter lucros menores, desde que o dinheiro esteja assegurado pela instituição financeira na qual foi aplicado. É mais comum que esse investidor esteja acima de 40 anos e que pretenda manter em segurança o dinheiro pelo qual trabalhou nos últimos anos, já que normalmente está em busca de estabilidade;

Investidor moderado: esse perfil de investidor está entre o conservador e o arrojado e, portanto, combina características dos dois. Costuma ser preocupado com a segurança de seus ativos, no entanto, não é avesso a certo risco desde que o lucro seja assegurado. O investidor moderado está aberto a correr certos riscos, desde que o lucro seja proporcionalmente igual ou superior a eles;

Investidor arrojado: apresenta alta tolerância ao risco e está mais preparado para compreender o mercado das ações. É comum que o investidor arrojado esteja envolvido com ações da Bolsa de Valores que costuma apresentar oscilações bruscas e contínuas. O investidor arrojado conhece muito bem o mercado de ações, compreende as dinâmicas de mercado e possui um perfil psicológico que suporta altos níveis de ansiedade.

Quais são as opções de investimento para cada perfil?

Após a análise do perfil de investidor, o próximo passo é verificar quais são as opções de investimento que mais se adequam a eles. Abaixo, seguem algumas dicas de investimento para cada perfil. Confira:

Perfil conservador

Investimentos que gerem certo lucro, mas que, sobretudo, mantenham intactos os valores investidos:

  • Investimentos de renda fixa costumam ter um grande atrativo para este perfil, afinal, o investidor já começa sabendo quanto deve resgatar ao final de um prazo estipulado em contrato. Assim, não há problemas no longo prazo. No entanto, é importante saber que estes investimentos não podem ser resgatados antes do prazo, afinal, o dinheiro emprestado está sendo aplicado por terceiros e esses contam com esse período para fazer a devolução desses valores. Alguns exemplos são: CDB, LCA e LCI;
  • O Tesouro Direto é outra boa opção para o perfil conservador, ou seja, o empréstimo de dinheiro para o governo. Esse é o tipo de investimento mais seguro, afinal, o dinheiro do investidor é aplicado no Estado e é assegurado pelo Tesouro Nacional;
  • Os Certificados de Depósito Bancário (CDB) são opções viáveis para investidores de perfil conservador. Trata-se de emprestar dinheiro aos bancos ou instituições financeiras e essas devolvem esses valores acrescidos de taxas de lucro. É importante se atentar para as taxas oferecidas por cada banco, afinal, elas podem mudar de uma instituição para outra.

Perfil moderado

Investimentos que sejam equilibrados entre segurança e certo risco, mas que proporcionam lucros maiores que aqueles preferidos pelo perfil conservador:

  • Fundos Imobiliários são cotas a serem adquiridas pelos investidores de forma a aplicar em ativos imobiliários. A escolha desses ativos depende do gestor do fundo e é feita por meio da análise de estratégia e lucratividade. Os fundos imobiliários podem ser os chamados fundos de tijolo, que caracterizam imóveis físicos como shoppings, prédios, entre outros; Fundos de papel, ou seja, títulos que possuam relação com o mercado imobiliário; e fundos de fundos, que são cotas adquiridas de outros fundos imobiliários;
  • Aplicações em renda variável são formas de alcançar lucros maiores sem correr tantos riscos quanto aqueles dos investimentos na Bolsa de Valores. A renda variável é um tipo de investimento moderado em que o investidor pode se beneficiar de duas formas: pela valorização de papéis, ou seja, vendendo suas ações por um preço mais elevado do que comprou; ou pela distribuição de proventos, ou seja, ganhando sua parte dentre o lucro da empresa;
  • Debêntures são títulos oferecidos por empresas privadas e que servem para a captação de dinheiro de forma mais fácil e barata. Assim, o investidor "empresta" seu dinheiro para a empresa e ele vai ter esse valor devolvido e acrescido de taxas. A rentabilidade pode ser pré-fixada, pós-fixada ou híbrida.

Perfil arrojado

Investimentos que sejam altamente lucrativos, ainda que os riscos envolvidos sejam proporcionais:

  • As ações são os tipos de investimentos mais adequados ao perfil arrojado. O mercado de ações apresenta grande volatilidade e para que haja possibilidades de lucro, é preciso que o investidor seja um conhecedor dessas dinâmicas e que compreenda como ocorre as flutuações do mercado. Para os investidores em ações existem duas estratégias básicas: a visão de longo prazo e a visão de curto prazo. No primeiro caso, existe a estratégia do buy and hold, ou seja, a ideia é comprar e segurar até que a venda seja mais lucrativa; no segundo caso, busca-se a negociação das ações no curto e, por vezes, no curtíssimo prazo;
  • Os Exchange Traded Funds (ETFs) são uma espécie de fundos de investimento. Esses fundos são alinhados com os índices do mercado financeiro e são dependentes de especulação em larga escala. É possível atrelar os ETFs aos fundos de investimento internacionais;
  • Os Brazilian Depositary Receipts (BDR) são fundos que, assim como os ETFs, podem ser atrelados a investimentos no exterior. A negociação se dá pela Bolsa brasileira, porém, os investidores adquirem ações estrangeiras. Assim, o lucro depende também das oscilações no mercado de ações. É indicado para investidores experientes que conhecem as dinâmicas do mercado nacional e estrangeiro.
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