Economia

Um pouco abaixo das expectativas de mercado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,60% em abril, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira, 27.

Embora indique ter perdido um pouco de fôlego em relação a março, a inflação parece deslocada e acima das metas pretendidas pelas autoridades monetárias na calibragem dos juros.

IPCA-15 veio abaixo da expectativa, segundo XP, e consumidores esperam inflação mais alta para os próximos meses - Foto: Envato

IPCA-15 veio abaixo das expectativas, segundo XP

O resultado do IPCA-15 veio ligeiramente abaixo das expectativas, de acordo com a economista da XP Investimentos, Tatiana Nogueira. A analista trabalhava com uma projeção de 0,63%, enquanto o mercado, de 0,66%. No entanto, mesmo com a desaceleração, ela ressalta que a perspectiva continua sendo de alta.

Em relação a março, o IPCA-15 caiu de 0,93% para 0,60%; já em comparação com abril do ano passado, o índice apresentou queda residual de 0,01%. Com isso, o IPCA-15 tem uma alta acumulada de alta de 2,82% no ano de 2021, mas é bem mais alto do que os 0,94% registrados no mesmo período em 2020. Já a variação em 12 meses ficou em 6,17%, o que supera a marca de março, de 5,52%.

Grupos com altas mais expressivas

Tatiana faz uma análise por grupos do IBGE e destaca que a maior pressão de alta veio de Transportes, com 0,36%, seguida por Alimentos e Bebidas (0,08%), Habitação (0,07%) e Saúde e cuidados pessoais (0,06%).

No grupo Transportes, o peso mais acentuado foi o da gasolina, que subiu 5,49%, depois da alta de 11% no IPCA anterior. A expectativa, de acordo com a economista da XP, é que os preços da gasolina apresentem queda no fechamento do mês.

Na categoria Alimentos e Bebidas, os preços dos alimentos no domicílio aumentaram 0,19%, após queda de 0,03% em março.  Os preços industriais aumentaram 0,44% em abril e os preços dos serviços, 0,18%.

Na comparação anual, os preços dos alimentos consumidos no domicílio subiram 15,07% (18,46% em março), os preços industriais atingiram 6,18% (4,61% em março), enquanto a inflação dos serviços aumentou 1,48% (1,56% em março).

De acordo com a economista da XP, o grupo de alimento acelera na margem, movimento que é parcialmente compensado pela descompressão temporária dos grupos Transporte e Vestuário. “Os núcleos da inflação seguem pressionados, acima do compatível com a meta”, ressalta.

O mesmo ocorreu com os bens industriais, segundo Tatiana, que apesar da desaceleração, ainda cresceram 0,44% no mês e 6,18% no acumulado no ano. “Vamos incorporar os dados do IPCA-15 e as informações atuais em nossa projeção para o IPCA de abril, atualmente em 0,35%”.

Alta nos preços de alimentos pressionam inflação, diz FGV

Também quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) divulgou a projeção de inflação para os próximos 12 meses na ótica do consumidor: ficou em 5,6% no período, portanto acima das estimativas registradas em março, de 5,5% obtida em março.

Esses 5,6% alcançaram o nível mais elevado desde outubro de 2018. Em relação a abril de 2020, a estimativa de inflação subiu 0,5 ponto percentual.

Para a economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Claudia Perdigão, a alta das expectativas dos consumidores em relação à inflação vem sendo sustentada pelo avanço dos preços de alimentos e bebidas. " Além disso, a desvalorização da taxa de câmbio e a dificuldade de obtenção de matérias-primas influenciam os preços atuais gerando expectativas de uma trajetória de aumento da inflação nos próximos meses", complementou ela.

Na distribuição por faixas de inflação, 8,5% dos consumidores esperam por um número abaixo da meta de inflação de 3,75% estabelecida para 2021, ante uma fatia de 10,3% registrada no mês anterior.

Ao mesmo tempo, a proporção de consumidores esperando inflação acima do limite superior de tolerância da meta, de 5,25%, subiu de 43,8% em março para 51,8% em abril.

O Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores é obtido com base em informações da Sondagem do Consumidor. Aproximadamente 75% dos entrevistados respondem aos quesitos relacionados às expectativas de inflação.

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