Mercado Financeiro

No mês de maio a bolsa de valores brasileira, B3, registrou um fluxo de capital de investidores estrangeiros de R$ 12,2 bilhões no mercado secundário (ações listadas). Esse resultado é 74% maior que o do mês anterior, de pouco mais de R$ 7 bilhões. Um resultado que reflete a tendência de crescimento no interesse de estrangeiros na bolsa brasileira.

O total de compras foi de R$ 347,8 bilhões, e o de as vendas ficou na casa dos R$ 335,6 bilhões.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O que justifica maior interesse e a valorização contínua da bolsa nos últimos meses é, principalmente, a melhora do cenário macroeconômico brasileiro. De acordo com Rodrigo Moliterno, Head de Renda Variável na Veedha Investimentos, o Brasil vem apresentando maior estabilidade para o mercado, sobretudo após o orçamento da União ser aprovado pelo Congresso em março.

Além disso, Fernanda Simm, gerente de operações de BM&F na Singulare, afirma que também contribui para o retorno dos estrangeiros à bolsa o avanço da vacinação e o crescimento acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Segundo os especialistas, o setor de commodities foi o que mais contribuiu para o aumento do capital internacional na bolsa. O crescimento global de demanda por commodities e o maior interesse do produtor brasileiro em exportações por conta da desvalorização do real fez com que os papéis do setor saltassem nas últimas semanas.

Tendência para estrangeiros na bolsa

As taxas de juros mais controladas nos países desenvolvidos costumam aumentar o apetite dos investidores estrangeiros ao risco, o que coloca em evidência e beneficia as economias emergentes.

No começo do ano, quando o orçamento de 2021 ainda não havia sido aprovado e as brigas entre os poderes estava mais acentuada, a bolsa brasileira patinava e se mantinha atrasada em relação aos seus pares internacionais, como México, Turquia e Singapura. Com a melhora do cenário interno, político e econômico, o fluxo de estrangeiros cresceu por aqui, com sinais de que continuará nesse movimento.

Em junho, até o dia 14, o fluxo de capital já estava positivo em total acima de R$ 12 bilhões, segundo dados da B3, com indicação de que os resultados no mês poderão ser ainda maiores do que em maio.

Moliterno explica que "a bolsa brasileira ainda tem muito espaço para empresas destravarem, principalmente com o último resultado do PIB, o que continua atraindo investidores de outros países que querem diversificar suas carteiras".

O Head de Renda Variável ressalta que nos próximos meses, os setores mais atrativos para os estrangeiros devem ser justamente aqueles com correlação à recuperação interna do Brasil. Além das commodities, que continuam em alta, varejo e consumo, seguidos por locomoção, podem receber os maiores investimentos internacionais dentro da bolsa.

O que pode impactar negativamente o mercado, segundo Simm, é principalmente um avanço descontrolado da pandemia no Brasil. No curto prazo, no entanto, uma decisão do COPOM que não acompanhe as expectativas do mercado, elevando muito a Selic ou indicando um ajuste acima do esperado até o fim do ano, pode inibir o fluxo de estrangeiros na bolsa havendo uma reacomodação do capital em outros ativos brasileiros, principalmente nos títulos de renda fixa.

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