Economia

Um ano após a chegada da pandemia no País, como estão as empresas?  Que setor foi mais afetado? E os que passaram praticamente imunes por ela? O que foi feito para o enfrentamento da crise, e quais as tendências?

Um estudo minucioso feito pela KPMG, “Tendências e nova realidade: 1 ano de covid-19” colocou uma lupa em cada setor, trazendo respostas a essas questões, mostrando o que mudou nos negócios e o que a nova realidade exige dos empresários.

Nele, as empresas foram enquadradas em quatro estágios de recuperação: o de “crescimento”; “retorno ao normal”; “transformar para reemergir”; e “reiniciar” com mais dificuldades para se recuperar, por demanda permanentemente reduzida.

No pano de fundo está a covid-19 e todas suas implicações, com alto nível de contágio e número expressivo de mortes. Em consequência, a adoção de medidas de isolamento social e restrições de circulação de pessoas, com paralisação das atividades econômicas para conter a pandemia. E um sistema de imunização muito lento no País.

Difícil escapar dos prejuízos, mas a intensidade com que a crise atingiu cada setor teve diferentes gradações. Segundo a KPMG, empresas de diferentes setores vem se valendo da transformação, tecnologia e inovação para assegurar e dar continuidade a suas atividades.

A seguir, a situação de alguns dos principais setores da economia, de acordo com os padrões de recuperação criados pela KPMG

Setores em crescimento

Foram os menos afetados pela pandemia e praticamente continuaram em sua rota de crescimento:

Varejo

Embora o varejo tenha sido atingido em cheio em suas vendas físicas, o setor de bens essenciais, como o de alimentos, bebidas e higiene e o de vendas online apareceram muito bem na foto. “O comércio digital foi a solução para a continuidade dos negócios. O online sai como maior protagonista e principal resposta ao fechamento das lojas”, diz o estudo.

As empresas foram levadas a um processo acelerado na adoção de TI para dar suporte ao novo canal. “Consumidores seguem preocupados com a segurança, usando o canal mais intensamente, impulsionados por conteúdo de qualidade e influenciadores”.

Foto: Coelho Voador
Área interna do shopping Iguatemi em Campinas/SP

Ainda no varejo, o destaque para setor de bens de consumo com produtos que tragam bem-estar no lar, que passou a ser o novo centro de convivência. Na nova realidade, produtos que permitem amplitude na conectividade e os eletrônicos passam a ser essenciais, colocando em evidência celulares e notebooks.

Agronegócio

O setor de agronegócio praticamente ignorou a crise, transitando por um cenário de crescimento contínuo de produção e renda, com safras recordes e preços elevados para os grãos, refletindo escassez e estoques baixos, e forte demanda de exportação, segundo a KPMG.

Um novo recorde na produção de grãos é esperado na safra 2020/21, especialmente pela soja e milho. Sinais de demanda internacional para os grãos, particularmente para a China, ressalta o estudo.

A desvalorização do real frente ao dólar continua favorecendo as exportações brasileiras, mas com pressões de custos em itens como fertilizantes sementes e agroquímicos.

Educação básica

O setor de educação passou por movimento de transferência de alunos para escolas com mensalidades menores ou para o ensino público.

Mas segundo o estudo estão no padrão de retomada de crescimento e terão o desafio de se adaptar rapidamente ao uso de plataformas digitais, desenvolvimento de softwares de aprendizagem modernos, atuais e que atraiam a atenção dos alunos, com capacitação de mão de obra para lidar com as novas tecnologias.

Construção civil

As empresas do setor foram beneficiadas e se recuperaram fortemente, em consequência da queda dos juros do financiamento habitacional com as famílias preferindo investir na troca de moradia do que no mercado financeiro, ou em fundos imobiliários. O semento vivencia recorde de lançamentos.

Tecnologia

As BIG Tech mostraram alta capacidade de escalar em digital, e as empresas de tecnologia em redesenhar a cadeia de suprimentos, com melhor gestão de crise e riscos

Telecom

As empresas do setor estão também no setor de crescimento, pela gestão da crise e envolvimento estratégico com governo sobre essencialidade do serviços de conectividade, com forte demanda por todos os setores da economia, preparação e alocação de recursos para implementação do 5g no País, melhoria nos serviços e prevenção a fraudes.

Startups

O venture capital que foi captado durante a pandemia contribuiu para o funding e o volume de investimentos no setor. O cenário converge para uma maior necessidade de digitalização de processo e produtos, o que favorece o mercado de startups, tendo em vista o foco em tecnologia e inovação de seus modelos de negócios.

Seguros

O setor está sendo beneficiado com a aceleração do processo de transformação digital, com maior automação das operações e interação com os clientes.
As seguradoras devem dar mais atenção a alianças e parcerias com insurtechs para incorporação de recursos digitais em seus negócios, além de considerar novos hábitos dos consumidores que apresentaram maior interesse pelos produtos de vida, saúde, seguros residenciais e riscos cibernéticos.

Retorno ao normal

Nesse padrão, as empresas tropeçaram inicialmente, mas engataram rapidamente em processo de recuperação.

Setor de serviços financeiros

A grande mudança trazida pela crise aos bancos está ligada à intensificação de oferta integrada de produtos e serviços por seus canais digitais, incluindo novas tendências de mercado como Open Banking e Pix. Como alternativa, os bancos estão buscando soluções no segmento de startups, com processos mais fluido de inovação em seu modelo de negócio.

Bancos tiveram de intensificar uso dos canais digitais para atendimento na pandemia

Novas parcerias e aquisições devem ser promovidas de modo a oferecer gama cada vez mais completa de produtos e serviços inovadores, e foco no atendimento rápido e solução de problemas dos correntistas. O fluxo de clientes nas agências físicas caiu fortemente e não deve retomar ao nível pré-pandemia.

Ainda dentro de serviços financeiros, as instituições de pagamentos também estão em estágio de rápida retomada, em modelos de negócios baseados em agilidade na adaptação a mudanças e desenvolvimentos de novas tecnologias.

Saúde

O setor é um dos que também deve engrenar rapidamente em curva de recuperação. As operadoras de planos de saúde devem entrar em processo acelerado de transformação digital, com tecnologias que permitam a entrada dos canais digitais como telemedicina, teleconsulta, prescrição eletrônica. Com redução do modelo centrado em atendimento em hospitais.

Setor deve enfrentar desafios com redução de participantes como agravamento da crise econômica, e migração para a rede pública de saúde.

Transformar para reemergir

Esses setores sentiram o golpe da pandemia, segundo o estudo, as empresas vão se recuperar, mas vai demorar mais.

Energia

Impacto na demanda com possibilidade de retração, risco de aumento da inadimplência com a 3ª onda, impacto na tarifa de energia.

Mineração e Metais

Setor favorecido pelo aumento da demanda e recuperação dos preços das commodities ( ferro, cobre, níquel e outro) nos últimos meses, permitindo retomada de projetos para expansão da produção. Existem riscos de fornecimento com eventuais novas medidas de lockdown.

Oléo e Gás


O setor avança na retomada do crescimento, com protocolos de saúde e segurança que se mostraram eficientes. Projetos de desinvestimentos voltam a ficar em evidência, atraindo novas empresas. Empresas trabalham na gestão de ativos e na busca de soluções automatizadas, digitais e sustentáveis. Commodities voltam a subir e com boas perspectivas para o médio prazo.

Reiniciar

É um padrão em que se encontram os setores que ainda continuam afetados pela pandemia e com dificuldades na recuperação.

Setores de aviação e aeroportos foram duramente afetados com restrição de circulação de pessoas - Foto: Agência Brasil


Estão nessas condições os setores de:
- aviação, com queda de demanda de passageiros e cargas;
- aeroportos com queda na receita de passageiros e cargas;
- ensino superior com opção dos consumidores por produtos essenciais em detrimento à educação, em decorrência de queda de renda, inadimplência
- indústria com queda expressiva na produção e dificuldades para adquirir insumos.
 

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Editora do Portal Mais Retorno.

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