Economia

O Carrefour descarta a cisão entre seus negócios de multivarejo e atacarejo, pelo menos no momento. Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 24, para falar sobre a compra do Grupo BIG, o CEO do Carrefour, Noël Prioux, afirmou que para a empresa, um ecossistema global faz mais sentido que um sistema dividido.

Supermercado na zona sul do Rio de Janeiro.

"Nós consideramos que temos muitas sinergias, não obrigatoriamente de compra. Consideramos que ter um ecossistema global é melhor que ter um ecossistema separado", afirmou Prioux.

No começo do mês, o GPA, que no agregado era o segundo maior grupo varejista do País, dividiu seus ativos entre o Assaí, de atacarejo, e o restante do grupo, com bandeiras como Extra e Pão de Açúcar.

Os executivos do grupo lembraram que quando compraram o Atacadão, em 2007, havia pouca aposta no mercado no sucesso do chamado "cash and carry", que hoje é o formato que mais cresce no setor.

"É difícil dizer o formato de sucesso em 15 anos, por isso é importante termos uma carteira ampla", afirmou Stephane Engelhard, diretor de Relações Institucionais.

Pagamento

O adiantamento de R$ 900 milhões que o Grupo Carrefour fará aos acionistas do Grupo BIG na compra da varejista será financiado totalmente pelo caixa da operação brasileira, de acordo com Sebastien Durchon, vice-presidente de Finanças e Diretor de Relações com Investidores do Carrefour.

Segundo ele, a sede na França não financiará a transação, porque a filial brasileira tem situação financeira confortável o suficiente para arcar com os custos.

"Lá na frente, no fechamento, temos que pagar 70% do preço, em caixa, e vamos tomar linhas de dívida no futuro", afirmou o executivo na entrevista coletiva.

De acordo com Durchon, o pagamento de R$ 5,5 bilhões em dinheiro no âmbito da transação não será difícil para a empresa. "Isso é uma vez o nosso Ebitda. Vamos alcançar uma alavancagem baixa", afirmou.

A estrutura da transação prevê que parte da compra será financiada com a emissão de ações do Carrefour Brasil, que serão entregues aos acionistas do BIG. Com isso, Walmart e Advent entrarão na base acionária da companhia./ Agência Estado

Análise BTG

A avaliação do BTG Pactual foi de recomendação neutra para as ações de BRCRFB, com preço-alvo a R$ 24 após a aquisição do grupo Big.

No momento, os principais riscos apontados pelo BTG são:

  • Mudanças nas macro condições que podem afetar negativamente o consumo de alimentos, especialmente inflação, emprego e crescimento do PIB;
  • Competição, incluindo grandes players internacionais e pequenos regionais;
  • Execução.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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