Economia

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) de junho veio acima das expectativas e surpreendeu os especialistas. Enquanto o mercado esperava um crescimento de 0,6% para o mês, o resultado mostrou uma variação positiva de 1,1%, puxado pelo setor de serviços, que teve alta de 1,7% ante expectativa de aumento mais tímido, de 0,5%.

O de Serviços foi o único segmento do índice que apresentou um número acima das projeções dos analistas. No entanto, em um relatório divulgado nesta sexta-feira, 20, pelo BTG Pactual, especialistas destacam que todos os setores se encontram acima ou em linha com o patamar pré-pandemia. "Assim, a partir do carrego positivo para o trimestre vindo de Serviços e Varejo, as expectativas para o crescimento do PIB no 2T21 ganharam força".

Foto: Envato atividade econômica

Os dados de varejo foram o destaque negativo do mês de junho, com queda de 1,7% nas vendas no varejo restrito e de 2,3% nas vendas de varejo ampliado. O mercado esperava para esses setores, respectivamente, um aumento de 0,5% e um recuo de 1,7%. No acumulado de fevereiro de 2020 a junho, entretanto, as vendas no varejo restrito e no ampliado cresceram 2,7% e 1,4%, na sequência.

Os níveis de produção industrial também ficaram um pouco abaixo das expectativas, permanecendo sem variação nos resultados de maio para junho. Os analistas projetavam leve alta de 0,2% para o segmento. Quando comparada a fevereiro de 2020, a produção cresceu 0,1%, no acumulado.

De acordo com os especialistas do BTG, a perspectiva continua positiva para o crescimento da atividade econômica, embora os setores devam encontrar alguns desafios pela frente.

Serviços e o fim das medidas de restrição

O resultado do segundo trimestre para o setor foi uma variação positiva de 2,0% em relação ao período imediatamente anterior. Esses números reforçam uma tendência altista, ressaltam os especialistas.

Todas as cinco atividades que compõem o segmento de serviços no IBC-Br registraram alta de maio para junho, com destaque para os serviços prestados às famílias, que cresceu 8,1%, terceiro avanço consecutivo. Mesmo com as altas, o o resultado do subgrupo ainda está 22% abaixo do que foi reportado em fevereiro de 2020.

Com as perspectivas de reabertura consistente da economia no segundo semestre deste ano, além do avanço da vacinação para toda a população adulta no País, o BTG considera que "o consumo que foi direcionado para bens no último ano pode retornar para Serviços". Dessa forma, a atividade econômica deve continuar crescendo.

O índice de confiança de serviços e o índice de expectativa, em junho, atingiram o maior patamar desde dezembro de 2013 e maio de 2012, respectivamente, apurou o banco. Além disso, o fluxo de veículos em julho, um dos indicadores de retorno à mobilidade, está retornando ao que era observado em 2019, reforçando as expectativas de retomada econômica.

"Indo além, entendemos que uma retomada robusta do setor de serviços resultará em uma maior disponibilidade de empregos, o que reforça o cenário positivo para a atividade econômica como um todo", afirmam os especialistas no relatório. O setor de serviços é responsável por 60% da força de trabalho brasileira.

Problemas na cadeia produtiva atrapalham a indústria

A produção industrial acumula alta de 12,19% no ano e, de acordo com o BTG, tem carrego estatístico de 0,5% para o terceiro trimestre. Dessa forma, caso a tendência de estabilidade observada em junho permaneça de julho a setembro, o setor, ainda assim, deve apresentar uma leve alta no trimestre.

A única categoria da indústria que cresceu em junho foi a de bens de capital, com um avanço de 1,4% no mês, puxada pela demanda por máquinas e equipamentos.

Entretanto, as dificuldades encontradas na cadeia produtiva em nível global por conta da crise de semicondutores fez a trajetória do segmento se mostrar mais tímida nos últimos meses. O destaque negativo ficou com o subgrupo de veículos automotores, que é prejudicado pela falta de abastecimento dos materiais que chegam da China.

O relatório afirma que os números da produção industrial devem permanecer "de lado", ou seja, estáveis, até que os problemas na cadeira produtiva sejam resolvidos.

"Apesar do contexto de curto prazo exigir cautela, as sondagens da indústria continuam apontando para um cenário positivo", destacam os especialistas. O índice de confiança da indústria em julho, medido pela FGV, subiu para o maior patamar desde janeiro deste ano, aos 108,4 pontos.

Revisões na atividade econômica relacionada ao varejo

Para os analistas do BTG, o resultado negativo apresentado pelos segmentos de varejo no IBC-Br de junho está, em parte, relacionado às revisões nos dados dos meses anteriores.

"Um dos maiores desafios deixados pela Covid-19 para os economistas foi lidar com as variações abruptas nos dados de atividade econômica. A elevada volatilidade nos dados impede uma dessazonalização precisa, o que provoca revisões nos dados", afirma o relatório.

Com as revisões para baixo nos resultados de abril e maio, o segundo trimestre também apresentou um desempenho abaixo do que era esperado, mesmo que com uma alta de 3,0%.

Embora junho tenha sido um mês negativo para o setor, as vendas do varejo restrito e ampliado permanecem acima do nível pré-pandemia. Em comparação a fevereiro de 2020, os segmentos cresceram 2,6% e 1,5%, respectivamente.

O destaque do setor no mês fica por conta do subgrupo de tecidos, que recuou 3,6%. Em abril, a categoria registrou um avanço de 10,2%, o que reflete uma base de comparação mais forte advinda da reabertura da economia, explica o relatório.

"Apesar da imprevisibilidade no curto prazo, nossas perspectivas para o varejo restrito seguem positivas, reflexo da continuidade do Auxílio Emergencial até outubro, do aumento da mobilidade social com o avanço da vacinação e da recuperação da massa salarial a partir da criação de empregos", consideram os especialistas.

Na mesma esteira, os subgrupos de supermercados e alimentos e bebidas devem ser favorecidos a partir do próximo ano, com a reformulação do Bolsa Família pelo governo.

Já no lado negativo, a inflação pode afetar a renda real disponível para a população, afetando o consumo. A crise de semicondutores também pode impactar o segmento automobilístico, levando a desempenhos negativos nos próximos meses.

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Repórter na Mais Retorno

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