Economia

Bloomberg: Brasil é o 3º pior país no combate à pandemia no mundo, em maio

Não só pelo número de casos e mortes em níveis elevados, Brasil é um dos piores na vacinação e volta à normalidade

Data de publicação:04/06/2021 às 08:00 - Atualizado 6 meses atrás
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O Brasil está na terceira posição como o pior país no combate à pandemia no mundo, em levantamento feito pela Bloomberg, no “Covid Resilience Ranking” referente ao mês de maio.

O estudo contempla vários aspectos que vão bem além do número de casos e mortes provocados pela doença. Considera, por exemplo, em que nível a doença interferiu nas atividades sociais e econômicas do país, o andamento do processo de imunização e em que estágio está a retomada das atividades.

Ritmo de imunização dita o ritmo de retorno à normalidade e retomada econômica

O País, atrás somente da Colômbia e Argentina, ocupa uma posição negativa e incômoda em vários aspectos. Não só por traduzir as dificuldades em controlar a pandemia com números que se mantêm em níveis elevados e trágicos para novos casos e mortes, mas porque sinaliza a demora para normalidade e retomada das atividades econômicas, com consequente prolongamento de crise, recessão e desemprego em alta.

Pior ainda, torna o País uma ameaça constante para o planeta, à medida que fica sujeito ao surgimento de novas variantes e contaminação até mesmo a países que já estão com sua população imunizada. Há dúvidas sobre a eficácia das vacinas existentes para as mutações do coronavírus que vierem a aparecer.

Por aqui, ora faltam vacinas, ora faltam insumos, ora há entraves políticos dificultando o fornecimento dos imunizantes, ora há trapalhadas das autoridades com a distribuição.

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Médicos em treinamento para tratamento de covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera, em São Paulo - Foto: Agência Brasil

Embora a rede pública do Sistema Única de Saúde (SUS) tenha a capilaridade adequada para chegar rapidamente à população, o Brasil tem 22,53% de sua população imunizada com a 1ª dose, algo perto de 47,7 milhões, pelos dados mais recentes do consórcio de imprensa formado por Estadão, G1, Globo, Folha e UOL.

Os que tomaram a segunda dose somam cerca de 22,7 milhões, ou 10,7% de toda a população brasileira. Mas, com o ritmo mais lento de vacinação, os dados assustadores no País podem subir ainda mais: o número de infectados está perto de 16,8 milhões e o de óbitos, em 469 mil.

Brasil tem 12,7% das mortes por covid no mundo

O Brasil responde com mais de 12,7% do número de óbitos no planeta, posicionando-se somente atrás dos Estados Unidos, que somam 596 mil mortes. Em relação ao total de casos, o País apresenta quase 10% de todas as ocorrências no mundo, e ocupa a terceira posição no triste ranking, atrás de EUA com 33,3 milhões e Índia, com 28,4 milhões.

No mundo todo já são 172 milhões de pessoas que pegaram o vírus e quase 3,7 milhões, que morreram por causa dele.

A Argentina também não está nada bem nessa foto, e caiu para a última e pior posição em maio, com novos casos batendo recordes anteriores e bloqueios de circulação e atividades mais rígidos. Lá, são 3,8 milhões de casos e 78,9mil mortes.

Em contraponto com países da América Latina, o estudo mostra uma melhora expressiva dos países que conseguiram se programar para o processo e imprimir um ritmo rápido na imunização.

EUA e países europeus estão saindo mais rapidamente da pandemia

Estados Unidos e alguns países da Europa estão conseguindo reduzir efetivamente a pandemia. Com maior proteção da população, estão reabrindo as viagens, eliminando o uso de máscaras, tentando virar a página da Covid-19.

O Reino Unido, por exemplo, na 11ª posição no estudo da Bloomberg é um dos exemplos bem-sucedidos, saltando 7 posições em relação ao mês anterior. França, República Tcheca e Polônia também estão subindo no ranking, na mesma proporção de queda da doença, aceleração da campanha de vacinação e suspensão de bloqueios e reabertura dos negócios.

A Itália, que foi o epicentro da luta contra a Covid na Europa, já consegue relaxar a quarentena com queda de casos graves e iniciar um processo de reinício das atividades da economia. A Noruega vai pelo mesmo caminho com maior liberdade de circulação de pessoas.

A pandemia nos países desenvolvidos

O estudo da Bloomberg ressalta que, embora as economias poderosas e desenvolvidas tenham em um primeiro momento derrapado e fracassado para conter a propagação do vírus, como Reino Unido e EUA, elas recuperaram o terreno perdido ao providenciar de forma eficaz o fornecimento e distribuição das vacinas, com investimentos em pesquisas e agilidade na implementação das medidas.

No Reino Unido, alguns bares podem abrir e as pessoas estão liberadas para viagens ao exterior para destinos da “lista verde”. Nos EUA, as reservas de viagens domésticas estão aumentando e quem estiver vacinado não precisa mais usar máscaras.

Ao mesmo tempo, a maior parte do mundo em desenvolvimento ainda está no início do processo de imunização de forma significativa. Especialmente porque esses países não contam com poder de compra para assinar acordos de fornecimento, que os coloquem na frente da fila.

A constatação do “rastreador de vacina da Bloomberg” é a de que os lugares com renda média mais alta estão vacinando 25 vezes mais rápido do que aqueles com renda mais baixa. “A divisão entre ricos e pobres se tornou cada vez mais aparente”, desde novembro de 2020, quando foi iniciado o acompanhamento.

Ajuda aos mais pobres

Existe um movimento, apoiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de ajuda ao fornecimento de vacinas aos países mais pobres, iniciado em fevereiro. Processo prejudicado porque seu principal fornecedor, o India’s Serum Institute, se vê obrigado a produzir para as necessidades locais. 

No entanto, a crescente crise no mundo em desenvolvimento está pressionando as economias avançadas para que façam mais para ajudar no controle e extinção da pandemia. O presidente Joe Biden disse que os EUA vão exportar 80 milhões de doses para países mais necessitados, no momento que sua própria demanda foi amplamente atendida. Só que a necessidade chega a alguns bilhões de doses.

A China preenche parte dessa lacuna, lançando centenas de milhões de suas vacinas por meio de acordos bilaterais com países como Brasil, Indonésia e Chile.

Entre os casos de sucesso no combate à pandemia estão a Nova Zelândia, desde sempre, ocupando as posições de líder, embora esteja com apenas 5% de sua população vacinada. Em seguida estão Cingapura, Austrália, Israel e Coreia do Sul.

Em Israel, que tem cerca de 60% dos 9 milhões de habitantes totalmente vacinados, a vida se normaliza rapidamente, segundo o estudo da Bloomberg. O teatro ao vivo e os eventos esportivos estão permitidos e o uso de máscara não é mais necessário ao ar livre. Bares e restaurantes estão lotados e os alunos participando das aulas presencialmente.

Só 0,3% das vacinas estão chegando aos países de baixa renda, impedindo a volta à normalidade

Pandemia será mais longa nos emergentes

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou sobre os riscos da lentidão no processo de vacinação no combate ao vírus. Ele estima que apenas 0,3% das vacinas estão chegando aos países de baixa renda.

Tudo leva a crer que o impacto da pandemia nas economias emergentes será mais longo e sustentado. De acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional, a maioria dos países da América Latina não será capaz de retornar aos níveis pré-pandemia até 2023, e a renda per capita não vai se recuperar até 2025.

Já o Banco Mundial afirma que a pandemia levará cerca de 150 milhões de pessoas à pobreza extrema até o fim de 2021.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Regina PitosciaEditora do Portal Mais Retorno.
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