Economia

Pressionado pelo aumento nos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou a elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto porcentual, para 3,50% ao ano.

Em relatório emitido logo após a reunião, os diretores do BC já sinalizaram novo ajuste da Selic do mesmo tamanho, de 0,75, em sua próxima reunião do Copom, que acontece nos dias 15 e 16 de junho, o que elevaria a Selic para 4,25% ao ano. A efetivação dessa nova alta vai depender, aponta o documento, "da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação". Mas será com essa diretriz que o mercado deverá operar até a próxima reunião do Copom, que acontece no dia 16 de junho.

Depois de ter atingido a mínima histórica de 2,0% ao ano, e ter permanecido nela até março, o juro básico da economia entra agora em um ciclo de alta, que, segundo o mercado, deve acelerar nos próximos meses.

A previsão dos agentes financeiros é de que a taxa continue avançando, terminando 2021 em 5,5% ao ano e 2022 em 6,25% ao ano.

Por ter vindo dentro das expectativas de mercado, Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, acredita que a elevação da Selic não deve trazer grandes impactos na bolsa. Para ele, o que pode mexer mais com o mercado de ações são expectativas com a inflação, ser forem controladas ou não.

O analista explica que, caso a inflação persista em trajetória de alta, o Banco Central terá de intensificar o ciclo de alta dos juros, tornando a taxa novamente positiva (acima) em relação à inflação, e isso sim poderá ter efeitos na Bolsa."
Enquanto os juros reais continuarem negativos no Brasil, esse cenário continua favorável ao mercado de ações e acomodatício para a economia".

Ferreira diz que o rendimento de dividendos embutido no Ibovespa hoje é de 4%, ainda acima da Selic e muito acima do juro real.

Preços altos

O que está por trás dessas previsões é a alta dos preços, tanto de alimentação, quanto de combustíveis. Situação que se agravou em março, quando o mundo começou a experimentar uma explosão de demanda por commodities, como farelo de soja e minério de ferro, o que inflacionou o preço dos produtos no mercado internacional e também aqui no Brasil.

O farelo de soja é insumo básico para a agropecuária, com impacto direto no preço da proteína animal. Já o minério de ferro bate direto nos preços de produtos industrializados e da construção.

O Comitê também ressalta que os estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos, concedidos para fazer frente às consequências danosas da pandemia sobre a economia, devem promover uma vigorosa recuperação trazendo riscos inflacionários com cenários desafiadores para países emergentes.

Essa outra provável pressão inflacionária vinda de fora reforça a decisão do Copom de indicar nova alta de mais 0,75 ponto porcentual no mês que vem.

Entenda a alta da Selic

A Selic é a ferramenta empregada pelo BC para equilibrar a inflação do Brasil, e a gestão sobre os preços é o principal mandato da instituição.

Com juros a 3,50% ao ano, o Brasil tem uma Selic considerada baixa, tendo em vista que em 2016 a taxa era de 14,25% ao ano.

Os juros baixos estimulam a economia, mas ao mesmo tempo podem favorecer e alimentar uma alta da inflação. O principal desafio é, portanto, dosar a taxa de modo a não travar a retomada das atividades e ao mesmo tempo tornar o crédito mais caro de modo a segurar o consumo e, portanto, a alta dos preços.

A última alta da Selic ante do atual ciclo, iniciado em março último, tinha acontecido em 29 de julho de 2015, quando passou de 13,75% para 14,25% ao ano. Naquela época, a situação econômica do país era de recessão e com inflação em alta. A taxa permaneceu nesse nível por mais de um ano e só começou a cair, depois que a inflação passou a perder gás.

Nesse período todo o BC imprimiu uma política monetária que permitiu o juro básico chegar à mínima histórica de 2% ao ano.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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