Economia

Embora elevado, o IPCA de 0,96% em julho, vem em linha com as expectativas de boa parte do mercado que apostava em 0,95%, mas continua em processo desafiador, com pressão no preço dos serviços, na leitura dos analistas.

Alejando Ortiz Cruceno, economista da Guide Investimentos, explica que há uma pressão relevante dos preços administrados por conta da energia elétrica e dos combustíveis, além de um avanço notável dos preços livres em função da retomada ainda inicial do preço dos serviços. “ Vale notar que os serviços aceleraram intensamente de 0,23% em junho para 0,67%, claramente reagindo à liberação das restrições à mobilidade”, pontua ele.

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Energia elétrica e combustíveis foram os vilões da inflação mais elevada em julho

Tatiana Nogueira, economista da XP, esclarece que dos itens que mais contribuíram para a alta da inflação de julho o destaque fica com a energia elétrica, que subiu 7,88% devido ao reajuste considerável de 52% no valor adicional dessa bandeira tarifária, que passou a cobrar R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. Antes, o acréscimo era de R$ 6,243 e, além disso, houve uma sequência de reajustes tarifários no mês.  

Na balança entre comportamento dos preços dos serviços e dos de bens industriais, segundo Cruceno, a inflação de serviços ainda não está sendo amplamente compensada por uma desinflação mais intensa de bens. Enquanto os serviços aceleraram a alta de 0,23% para 0,67%, os produtos industriais desinflacionaram apenas de 0,79% para 0,69%.

A inflação de serviços está voltando com força, ao passo que a inflação de bens, devido à manutenção de pressões relevantes de custo, tem dificuldade para devolver as recentes altas. Em outras palavras, há uma inflação de bens importante ocorrendo ao mesmo tempo de uma retomada na inflação de serviços.

“A leitura da inflação não mudou e continua desafiadora. A menor variação na alimentação e em itens de higiene pessoal foi parcialmente compensada pela aceleração dos preços industrializados”, afirma Tatiana. “A dinâmica dos serviços e núcleos não surpreendeu, veio em linha com o cenário de aceleração. Por ora, mantemos a projeção do IPCA em 6,7% em 2021, com viés de alta.

Influência do preço dos serviços nos juros

Os números da inflação, segundo o economista, reforçam a necessidade de seguir em frente com o ciclo de ajuste monetário, ou aumento dos juros.

Pesa também no cenário, o fato de que os sucessivos choques de oferta pelos quais a economia brasileira vem passando contaminaram também as expectativas. As projeções continuam indicando uma inflação acima da meta no final do ano que vem.

“A volta da inflação de serviços coloca uma camada de complicação adicional, pois adiciona mais pressão inflacionária no lado da demanda em consonância com a reabertura da economia permitida pela vacinação” afirma o economista da Guide. Fica cada vez mais claro, segundo ele, como reforçou o Copom na sua ata divulgada hoje, que a Selic entrará em território contracionista – ainda mais em virtude do cada vez mais elevado risco fiscal.

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