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Acionistas da Gafisa dizem que pedido de suspensão de direitos solicitado por ESH Theta é ilegal

Em carta, Trustee, Planner e Banco Master afirmam quem não operam com Nelson Tanure para deterem o controle da incorporadora

Data de publicação:23/01/2023 às 13:01 -
Atualizado 5 dias atrás
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A incorporadora Gafisa reapresentou na sexta-feira, 20, o documento de proposta de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) sobre pedido da ESH Theta, de Vladimir Timerman, de suspensão de direitos políticos de acionistas, a fim de incluir respostas de acionistas e gestores de fundos com participações na empresa.

Assim, MAM Asset Management, de Nelson Tanure, e Trustee Distribuidora, que detém participação majoritária na Gafisa, afirmam que a ordem do dia para a AGE apresenta matéria ilegal.

Já a Planner Corretora de Valores, outra com fatia importante do bolo de ações, diz que é "absurda e verdadeiramente abusiva" o pleito da ESH Capital, sob a suspensão de direitos.

Foto: Gafisa/Reprodução Twitter
Gafisa vai decidir em assembleia se suspende o direito de alguns acionistas - Foto: Reprodução

O Banco Master, por sua vez, diz que "entende não possuir interesse direto na pauta de deliberação solicitada pelo pedido de convocação, de modo que a eventual aprovação de sua ordem do dia não tem o condão de produzir efeitos com relação ao Banco Master".

Segundo alegação de  Vladimir Timerman, gestor da ESH Capital, todas essas empresas operam a serviço de Nelson Tanure, dono da MAM, que hoje detém 30% das ações da incorporadora.

No entanto, segundo Timerman, Trustee, Planner e Banco Master, por representarem com a MAM um mesmo grupo de interesse, vão contra a legislação por não lançarem uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações da Gafisa.

Segundo a lei, a medida é necessária quando um mesmo grupo atingir a participação de, pelo menos, 44,33% do capital social de uma companhia.

Em cartas à Gafisa, Trustee, Planner e Banco Master pontuaram que não têm influência direta ou indireta de Nelson Tanure, rebatendo a alegação da Esh Theta que justificaria uma eventual suspensão de direitos políticos dos acionistas.

"A esse respeito, é importante ressaltar que não há qualquer subordinação ou coordenação entre a MAM e outras gestoras indicadas no pedido de convocação apresentado pela ESH, as quais são independentes para adotarem as estratégias de investimento que melhor se amoldem aos interesses de cada fundo de investimento gerido, e nos limites dos respectivos regulamentos", escreve a MAM.

Expansão forte do fundo ESH Theta]

Nos primeiros dias de janeiro, o fundo multimercado ESH Theta FIM, que tem patrimônio de R$ 169,86 milhões, saltou 68%, reflexo direto da valorização das ações da Gafisa (GFSA), ativo em que está fortemente comprado e que, em 30 dias, já subiu 137,63%.

O desempenho do ESH está relacionado à atuação do gestor do ESH Theta, Vladimir Timerman, um investidor minoritário da Gafisa atuante e que, no começo de janeiro, venceu uma queda de braço na justiça contra o investidor Nelson Tanure.

Em decisão no dia 5 de janeiro, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo suspendeu o aumento de capital de R$ 78 milhões homologado pelo conselho de administração da Gafisa no último dia 3.

Essa seria uma vitória de Timerman, que vem dizendo que os fundos de Tanure, da MAM Asset, administrados pelo Banco Master, indicaram o atual conselho administrativo, conselho este que teria deliberado sobre o aumento de capital da Gafisa, "sem os trâmites necessários", nas palavras do próprio gestor.

‘Decisão ilegal’

À Mais Retorno, Timerman afirmou que decisão da MAM de aumentar o capital da Gafisa foi "ilegal" e, por isso, entrou na Justiça para barrar a aprovação do conselho.

A estratégia do gestor é levar a discussão do aumento de capital da incorporadora para a assembleia geral extraordinária, marcada para a segunda-feira da semana que vem, dia 9.

Opiniões polêmicas

Vladimir Timerman é um gestor que se notabiliza por abrir suas opiniões pelas redes sociais. No final do ano passado, um post seu contrário ao ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o período eleitoral, viralizou. Os gestores não têm por hábito expressar opiniões diretamente ao público por meio das redes sociais. Quando o fazem, preferem opinar por meio de carta de seus fundos endereçados aos cotistas, onde explicam os resultados do período.

Outro lado

A reportagem não teve contato com o investidor Nelson Tanure para comentar as declarações de Vladimir Timerman. / COM AGÊNCIA ESTADO
 

Sobre o autor
Renato Jakitas
Editor-chefe do Portal Mais Retorno.

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