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Viés Retrospectiva

O que é o viés de retrospectiva?

É chamada de viés de retrospectiva a tendência mental humana a reinterpretar os acontecimentos depois que os mesmos já aconteceram, em especial no que tange à nossa leitura dos fatos antes ou durante o seu desenvolvimento.

Na prática, isso significa que tendemos a supervalorizar a nossa capacidade de prever os fatos, seja reorganizando nossas memórias ou mudando a perspectiva segundo a qual examinamos o contexto.

Pense em uma situação bem comum: o término de um relacionamento. Se algum de seus amigos já foi traído(a), por exemplo, é fácil já ter ouvido coisas como: “eu sabia que essa pessoa ia me trair” e “era óbvio que todas aquelas histórias que ele(a) me contavam eram mentiras”.

Quando não, se você é quem terminou um namoro é fácil encontrar amigos e familiares que “já sabiam que não ia dar certo” e que bradam: “desde o primeiro dia eu percebi que ele(a) não era confiável”.

E acredite: elas não estão necessariamente mentindo ou falando a verdade, nem fazendo isso por mal. Para o cérebro delas, essa crença é real: elas realmente sabiam desse desfecho desde o começo.

Para tanto, o cérebro (danado) pode ter feito uma verdadeira lavagem interna, criando desde memórias falsas até novos significados a aspectos antes irrelevantes.

É por isso que a forma como o(a) antigo(a) parceiro(a) te conquistou era, no passado, um sinal de como o amor de vocês “era para acontecer” e, hoje, é a definição de “alerta certo para o desastre”.

Mas acredite: nem só de relacionamentos vive o viés de retrospectiva. Ele ocupa espaço no trabalho, na saúde, nos estudos e, é claro, nas finanças também.


Como o viés de retrospectiva funciona?

Ao longo dos últimos 100 anos, diversos avanços nos estudos de Psicologia permitiram a detecção e destrinchamento do viés de retrospectiva.

Como um viés qualquer, ele nasce da tentativa cerebral de poupar energia, criando atalhos mentais que automatizem as tomadas de decisões no dia a dia.

Quando o atalho resulta em uma interpretação equivocada dos estímulos, dados e realidade como um todo, nasce o viés.

No que tange ao viés de retrospectiva, costuma-se associá-lo a três níveis de equívoco: a distorção da memória, a inevitabilidade e a previsibilidade.

No primeiro nível, há a formação de uma falsa lembrança. Na vida real, isso equivale a se lembrar, em uma discussão, de atitudes passadas do parceiro (entre linguagem corporal e colocações verbais) que reforcem o seu argumento - seja ele um “você é um mentiroso” ou “você é frio comigo”.

A grande questão é que, na realidade, essas situações não aconteceram exatamente da maneira como você se lembra e, emocionalmente abalado, você nem se dá conta disso. Na verdade, o seu cérebro apenas adaptou a memória para fazer com os acontecimentos passados se encaixassem (e fizessem sentido) no presente.

No segundo nível, há a organização dos acontecimentos de modo que o seu desfecho pareça inevitável. Seguindo o exemplo, é como se certas atitudes do(a) parceiro (a) só pudessem tornar a traição pré-determinada - “ele(a) era muito frio(a) comigo, logo não gostava de mim e por isso me traiu”.

No terceiro nível, por fim, há a supervalorização da interpretação, como se tal pessoa tivesse uma capacidade analítica única e sempre soubera do que ia acontecer. Sabe aquele tio intrometido que diz que “sempre soube que o seu namoro não ia acabar bem”? Ele tem a exata sensação de ter pensado isso enquanto vocês namoravam - mesmo que nunca tenha, de fato, o feito.

Como o viés de retrospectiva se aplica às finanças?

No universo financeiro, esses três níveis do viés de retrospectiva também se aplicam. Veja bem!

Distorção da memória: Suponhamos que você conheça muito bem os títulos de renda fixa: se fosse convidado a responder um questionário sobre o tema, mas para tanto fosse incentivado a pensar como um leigo, você seria capaz de deixar de lado os conhecimentos que tem agora e se valer apenas dos que tinha antes de estudar?

Mesmo que responda que “sim”, é provável que o seu cérebro se confunda quanto ao que aprendeu antes ou depois e distorça esse limiar.

Inevitabilidade: Típico do discurso de “O indicador X chegou à nível Y, logo Z aconteceu e por isso essas ações se valorizaram”.

Previsibilidade: Típico de quem diz “Eu sabia que essas ações iam se valorizar desde o princípio. Era tão óbvio, como você não percebeu?”.

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