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Viés de Omissão

O que é viés de omissão?

É chamado de viés de omissão um tipo de falha humana, que age sobre a forma como interpretamos o mundo e, principalmente, como interpretamos a extensão das consequências de nossas próprias ações.

Por definição, o viés de omissão é a tendência que todos temos de considerar que a nossa responsabilidade por um dano, quando este deriva de uma omissão nossa, é menor do que se tivéssemos deliberadamente agido para que aquilo acontecesse.

Para entender, pense no seguinte exemplo. Você vê um colega andando calmamente pela rua, muito distraído e prestes a tropeçar em uma pedra. Ao invés de sair de onde está para retirar a pedra dali ou avisar o seu colega, você simplesmente fica onde está e diz a si mesmo que ele verá o obstáculo a tempo.

O que acontece é que ele não vê e se estatela no chão, ralando os joelhos. “Poxa, que azar”, você diz.

Agora imagine uma variação nessa história. Nela, ao invés de uma pedra, é o seu pé que está no caminho do colega. Sim, você deliberadamente decidiu derrubá-lo. Bem-sucedido (se é que podemos dizer isso), você logo o vê caído no chão, com os mesmos joelhos ralados.

A questão é: o que te faz se sentir mais culpado? Não ter ido lá tirar a pedra do meio do caminho dele ou ter colocado o pé na frente, por vontade própria, para que ele caísse?

É bem provável que a segunda opção te faça sentir uma pessoa horrível. Mas pense bem! Nos dois casos o colega acabou com o mesmo grau de dano: os dois joelhos ralados. Logo, a sua omissão e a sua ação ativa provocaram o mesmo prejuízo.

E é justamente para mostrar essa lógica equivocada, em que julgamos omissão e ação de forma diferentes, é que se estuda o viés de omissão.

O fenômeno é narrado em livros como “Fronteiras da Terapia Cognitiva”, de Ana Maria Serra, que expõe um estudo científico ligado ao viés de omissão.

A partir dele, a autora (que é PhD em Psicologia pela Universidade de Londres), conclui que “os sujeitos normais, quando uma omissão está envolvida, julgam sua responsabilidade por consequências negativas como reduzida; e, ao contrário, julgam sua responsabilidade por consequências negativas como aumentada quando alguma ação específica esteve envolvida”.

Portanto, é a nossa percepção da responsabilidade que muda com o viés da omissão e não a responsabilidade em si, percebe? E é isso que o enquadra como um viés.


O que é um viés?

Resumidamente, o viés pode ser definido como uma interpretação equivocada dos estímulos, dos dados e da realidade como um todo.

No caso do viés de omissão, aquele do seu colega que narramos acima, é bem fácil de entender isso.

Embora os dados digam que os danos causados pela não retirada da pedra e o seu pé no meio do caminho seja o mesmo, você os interpreta como diferentes. Dessa forma, o que surge em sua cabeça é um pensamento enviesado, tomado pelo erro no seu julgamento de contexto.

Qual é a origem do viés de omissão?

Muito se acredita que o viés de omissão tenha origem em duas questões: a vantagem social e a vantagem pessoal.

No que tange à vantagem social, existe um benefício em não ser responsabilizado pelo dano causado a outra pessoa. Não existe reprimenda ou punição da comunidade, a menos que ela possa provar que você sabia que (seguindo o exemplo anterior) a pedra estava ali e o colega ia tropeçar nela.

Afinal de contas, ele poderia desviar o caminho ou simplesmente estar vendo a pedra. Você não tinha como saber - ou, pelo menos, ninguém poderia provar que você sabia.

Essa dificuldade é inclusive ponto de discussão na Justiça.

E mesmo que no caso específico os outros possam provar o conhecimento, como em casos mais graves como a omissão de socorro, por exemplo, a vantagem pessoal entra na conta quando a pessoa julga a própria culpa.

Isso porque todo viés nasce de um desejo genuíno do cérebro de automatizar decisões e poupar energia. Até porque já imaginou se você tivesse que ponderar o tempo todo sobre cada consequência possível das suas ações?

Pense: se ao tirar a pedra do caminho do colega, você a colocasse em cima de um muro, mas um gato passasse por ali e a derrubasse na cabeça de alguém, ainda seria sua responsabilidade? Talvez você diga que não, mas e se você soubesse que sempre passa um gato e ele poderia mesmo derrubá-la?

Parece absurdo, certo? Mas saiba que o cérebro lida com tantos estímulos e possibilidades que ele simplesmente se abstém de te colocar como responsável por tudo, para guardar energia para problemas mais palpáveis.

No entanto, isso não te priva de se autorresponsabilizar, só te ajuda a não se preocupar com cada pequeno detalhe do dia a dia.

O que acontece é que a maioria das pessoas tem dificuldade em ver essa diferença entre “caçar pelo em ovo” e assumir que poderia ter evitado um dano.

Nas finanças, isso significa não considerar que deixar de ganhar 100 reais com uma renda extra, por exemplo, é tão impactante quanto gastar 100 reais. Nos relacionamentos, significa não admitir que comunicar um desagrado poderia permitir ao outro melhorar e evitar um divórcio. Nos negócios, significa não ver como compartilhar a sua visão do mercado com o chefe poderia ter impedido a falência.

Enquanto só as ações diretas têm peso na sua consciência e as omissões são varridas para debaixo do tapete, para te distanciar da culpa, acredite: o pensamento enviesado da omissão continuará ganhando força.

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