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Rolar a Dívida

O que é Rolar a Dívida?

Rolar a Dívida é uma expressão usada em vários contextos, inclusive no mercado financeiro, para se referir ao adiamento do pagamento de uma dívida, atribuindo a ela uma nova data de vencimento. Essa prática pode ser aplicada, por exemplo, em relação a dívidas contraídas com investidores pela emissão de títulos de dívida corporativa ou pública.


Como e por que Rolar a Dívida?

Para entender melhor o conceito de rolar a dívida, vamos trabalhar com ele dentro do contexto do mercado financeiro, pensando em títulos de dívida, valores mobiliários emitidos para a captação de recursos.

Imagine que uma empresa emitiu títulos de dívida –  como debêntures, por exemplo – com vencimento para cinco anos. Ou seja, após cinco anos, a empresa deve devolver a cada investidor que comprou um desses títulos o valor pago pelo papel, acrescido de juros. Essa emissão foi realizada para captar recursos para financiar um projeto de expansão do negócio no exterior. A ideia da empresa era pagar a dívida usando o lucro  adicional que essa expansão deveria gerar.

Porém, os cinco anos passam e o projeto de expansão está parado, enrolado em burocracia. Ou seja, não existe lucro adicional, e a empresa não tem como pagar o que deve aos investidores que compraram seus títulos de dívida. Sua melhor alternativa, nesse momento, é postergar o pagamento. Para isso, ela vai rolar a dívida.

Na prática, isso é feito emitindo e distribuindo novos títulos, com um vencimento mais longo. Então, os recursos captados com essa nova emissão são usados para pagar os títulos vencidos ou próximos de vencer. Ao fazer isso, a dívida velha, ligada ao título original, “morre”, porque a obrigação é quitada, mas uma nova dívida é constituída. 

A nova dívida pode ter características diferentes da original. Por exemplo, a prática mais comum é oferecer o pagamento de juros maiores para atrair investidores interessados em comprar esses títulos de vencimento mais longo. Mesmo assim, a rolagem pode dar errado, se não for possível encontrar demanda para esses novos títulos. 

Qual é a relação da rolagem de dívida com a dívida externa do país?

Existe uma frase não muito conhecida, que foi atribuída ao economista Delfim Netto, economista que ocupou cargos de ministro durante diferentes governos do regime militar nas décadas de 1970 e 1980. Netto teria dito que “dívida não se paga, dívida se rola”. Em outras palavras, ele defendia que, em vez de pagar o principal da dívida externa do país, o governo pagasse apenas os juros e adiasse cada vez mais os prazos. 

Essa frase revela um dos posicionamentos possíveis em relação à dívida externa, que prioriza a preservação das reservas internacionais do país. No entanto, se não for bem aplicada, a rolagem implica na elevação dos juros e ampliação do endividamento, prejudicando o orçamento público.

Imagine que o governo opta por rolar a dívida externa, mas não faz um trabalho muito adequado. A situação chega a um ponto em que, apenas para pagar os juros, sem amortizar nada do principal, é preciso dedicar uma grande parte das receitas. Logo, não sobram recursos para as outras despesas do governo, como pagamento de salários ou realização de obras.

Nesse caso, o governo tem duas soluções. A primeira é aumentar as receitas, o que é feito criando novos tributos ou elevando as alíquotas dos que já existem. A segunda é cortar as despesas, o que afeta áreas que são importantes para a sociedade, como saúde, segurança e educação. De qualquer forma, é a população que acaba saindo prejudicada pela rolagem da dívida externa. 

Por isso, embora rolar a dívida possa parecer uma solução fácil, a maneira como o governo faz uso dessa estratégia deve ser avaliada com bastante atenção.

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