O que é risco de crédito?

O risco de crédito engloba toda a possibilidade de inadimplência existente em uma transação financeira. Ou seja, a incapacidade de prever, com toda certeza, que as obrigações adquiridas pelas partes serão cumpridas.

É um risco muito presente nas negociações comerciais e em investimentos de renda fixa.

Como o risco de crédito funciona?

Suponhamos que uma pessoa visite uma loja de móveis e eletrodomésticos, com o objetivo de comprar uma televisão nova. Lá, ela escolhe o modelo de sua preferência e, ao se dirigir ao caixa, opta pelo pagamento a prazo.

O funcionário da loja, então, emite um carnê em nome do cliente, que se compromete a quitar a dívida em até 12 meses.

Por fim, o mesmo deixa a loja radiante, levando consigo a tão sonhada televisão.

Agora pense um pouco e responda: como a empresa pode ter tanta certeza de que, após entregar o produto ao consumidor, ele realizará mesmo o pagamento?

A resposta é: ela não tem!

E é justamente a essa impossibilidade de garantir um recebimento que se dá o nome de risco de crédito.

Para empresas e investidores, é impossível ignorá-lo.

Ainda mais em um contexto econômico como o brasileiro, onde ao menos 61,8 milhões de pessoas físicas estão inadimplentes, assim como 9,39% das organizações.

Como é feita a classificação dos riscos de crédito?

No geral, os riscos de crédito são classificados entre riscos de primeira classe e riscos de segunda classe.

Os riscos de primeira classe dizem respeito a operações de crédito com alta chance de inadimplência. Por conta disso, exigem um volume maior de garantias para proteger o credor.

Já os riscos de segunda classe estão relacionados a operações de risco menor. Em geral, o bem objeto da transação pode ser revisto em caso de não-pagamento, o que garante que o credor possa comercializá-lo novamente para cobrir parte da dívida.

Quais são as principais táticas utilizadas para minimizar o risco de crédito?

Por parte das empresas, a análise de crédito é o instrumento mais comum para garantir pagamentos.

Através do estudo dos dados do cliente, assim como da sua situação socioeconômica, é tomada a decisão de conceder ou não o crédito solicitado.

Em tese, a análise de crédito deve ser composta por processos muito rigorosos, de modo a proteger a saúde financeira da organização e prevenir prejuízos – mesmo que isso signifique vetar algumas vendas.

Na prática, ela pode ser totalmente negligenciada em virtude de promessas de “crédito fácil”, muito usadas no marketing para atrair novos clientes.

Um bom exemplo de como a análise de crédito é importante, não só para a empresa credora, como para toda a Economia de modo geral, é o importante papel desempenhado por ela na crise econômica de 2008.

Nesse caso, o afrouxamento das exigências de crédito para determinados grupos sociais criou um mercado de crédito de alto risco e altamente especulativo durante o boom. As atividades desse mercado, associadas a outras imprudências de cunho financeiro, culminam na crise que arrasou o mundo na década passada.

Por parte dos investidores, a estratégia mais famosa para garantir o retorno do capital investido é o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em caso de falência, intervenção ou liquidação da instituição financeira, o FGC garante o pagamento de investimentos de até R$250 mil.

Outras formas de gerenciamento de risco de crédito incluem a diversificação de investimentos e a checagem do rating de cada organização com potencial para compor a sua carteira.