O que é a negligência de probabilidade?

É chamada de negligência de probabilidade a tendência humana a, diante de situações com certo grau de incerteza, desconsiderar ou subestimar os riscos - isto é, a probabilidade de que coisas ruins venham a acontecer.

Se você já leu o nosso artigo sobre o efeito avestruz, deve se lembrar de que esse é um padrão já bem consolidado na nossa mente. Se não, fica tranquilo(a) que explicamos. Sob o efeito avestruz, todos nós evitamos, a todo custo, o contato com notícias ruins e desconcertantes, mesmo que isso não seja suficiente para fazê-las desaparecem do mapa (quem dera).

Então, se você já evitou uma conversa difícil ou postergou a abertura da fatura do cartão de crédito porque sabia que havia se descontrolado, saiba que ele também já agiu sobre você.

No caso da negligência de probabilidade, algo semelhante acontece, mas antecipadamente. Se um investimento oferece um alto risco e simplesmente o desconsideramos, não estamos evitando com um fato concreto (afinal, o risco apenas indica a chance do desastre), mas sim nos negando a nos prepararmos para ele.

Por que isso acontece? Somos apenas seres emocionais que evitam sofrimento, mesmo que isso tenha péssimos efeitos no futuro? Talvez.

Por ora, o que sabemos é que a dificuldade de mensurar o risco sozinhos (desde que ele não seja nulo, é claro) dá um verdadeiro nó na nossa cabeça.

No ímpeto de simplificarmos tudo e nos sentirmos mais confortáveis com nossa escolha - de investimento, de trabalho, de relacionamento, seja o que for - o tiramos da equação mental ou nos convencemos de "ele não é importante".

E se isso te fez lembrar do efeito de ambiguidade, ponto para você. Na nossa cabeça (e no nosso bolso) está tudo interligado.

Como Investir nos Melhores Fundos

Como a negligência de probabilidade afeta as suas finanças?

Todo investimento tem risco. Ponto.

Afinal de contas, todo investimento é também um empréstimo e existe sempre a possibilidade (maior ou menor) do devedor não honrar com a sua dívida.

Esse é o princípio, inclusive, para a existência dos juros e para a sua flexibilidade, de modo que eles crescem conforme as chances de inadimplência.

Parte de investir é considerar os riscos do emissor do título (seja ele de crédito ou de propriedade) não entregar os valores prometidos a você.

Se é um CDB, por exemplo, o banco em questão pode simplesmente não te pagar na data de vencimento acordada. Se é uma ação, a empresa pode não se valorizar nem remunerar o acionista, e te dar um belo de um prejuízo a curto, médio ou longo prazo.

Muitos investidores se esquecem disso e definem quão bom um investimento parece ser com base apenas nas projeções de rendimentos. "Investir na empresa X vai me dar um retorno de 100% ao ano, uau!", pode-se pensar, enquanto os olhinhos brilham e a mão coça para aplicar capital ali.

Mas e os riscos? Essa empresa tem base para um crescimento sustentável ou ela deve falir já nos próximos dois anos?

Determinar isso mentalmente, sem muita pesquisa e uso de dados, é difícil. Perceber ameaças instintivamente não é uma das habilidades mais precisas do ser humano - ou os superestimamos (numa versão hardcore da aversão à perda) ou os subestimamos (o viés de normalidade que o diga).

Portanto, se você procura por uma recomendação para evitar a negligência de probabilidade (e não acabar no fundo do poço dos investimentos sem nem saber como foi parar ali), aqui está: não confie no seu cérebro para mensurar riscos.

Pesquise. Calcule. Compare fontes. Trabalhe com números e métodos já consolidados de gerenciamento de riscos.

Somente assim, com um pouco mais de trabalho, você pode ter uma visão geral dos perigos presentes nos seus potenciais investimentos. Não é sobre se engessar ou paralisar, mas ser realista em um mercado que é para todo mundo, menos para os ingênuos.

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