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Nassim Taleb

Quem é Nassim Taleb?

O autor Nassim Nicholas Taleb ficou famoso por criar o termo “cisne negro” como forma de identificar eventos imprevisíveis e de grande intensidade, cujas consequências não podem ser vislumbradas.

A escolha do nome para descrever tais eventos não foi por acaso. Ele faz uma analogia à uma antiga crença de que todos os cisnes eram brancos, até o primeiro cisne negro ser visto na Austrália em 1697.

Matemático por formação, ex-operador de derivativos e professor de engenharia de risco na Universidade de Nova York (NYU), Nassim Taleb escreveu os seguintes livros:

  • “Arriscando a Própria Pele: Assimetrias Ocultas no Cotidiano” (2018);
  • Antifrágil: Coisas que se Beneficiam com o Caos” (2012);
  • “A lógica do Cisne Negro” (2007);
  • “Iludido Pelo Acaso: A Influência Oculta da Sorte” (2001).

O que justifica a fama de Nassim Taleb?

Ele defende enfaticamente que, ao tentarmos prever os fatos ao longo do tempo, descobriremos erros nas nossas previsões. Como seres humanos, não conseguimos lidar com o aleatório, dado que o inesperado ocorre com uma frequência muito maior do que o indicado nos modelos estatísticos.

Dito isso, um sistema que dá muito peso às previsões e se alavanca em função delas fica extremamente exposto a eventos considerados raros, como os “cisnes negros”, levando-o à ruptura. A imprevisibilidade é em função dos chamados “eventos de cauda”.

Estatisticamente falando, os resultados possíveis de uma simulação são demonstrados em uma curva na forma de sino, sendo os cenários mais impactantes estão localizados nas extremidades, chamadas de “caudas”.

Para Nassim Taleb, usar maior sofisticação simplesmente não endereça essa limitação.

Por mais que hajam economistas brilhantes e com avançados recursos para trabalhar arduamente em novos modelos econométricos, o ato de prever é imperfeito. Como o sistema financeiro globalmente conectado agrava o impacto dos “cisnes negros”, ele sugere que, se não podemos prevê-los, devemos ao menos saber o que fazer na sua ocorrência.

Quais as contribuições de Nassim Taleb para reduzir as fragilidades econômicas?

Ele coloca as suas ideias tendo por base 4 heurísticas, regras práticas que obteve da sua experiência como operador de derivativos:

A primeira delas está relacionada às instituições financeiras consideradas “muito grandes para quebrar”. Bancos que são candidatos a serem socorridos pelo governo, às custas do dinheiro do contribuinte, não deveriam ser tão agressivos na concessão de bônus aos seus principais executivos.

A segunda diz respeito aos funcionários públicos dos setores que regulam os serviços financeiros. Para eles, deve haver um plano de carreiras para que não se sintam tentados a usar o cargo público como um trampolim para melhores cargos e salários na iniciativa privada.

A terceira é semelhante a primeira, mas diz respeito às empresas de capital aberto. O sistema de remuneração das companhias carece de revisão: os executivos ganham com base no cumprimento de metas, mesmo que, no longo prazo, os acionistas arquem com os prejuízos. O administrador ganha o bônus quando acerta, mas não compartilha da perda de valor quando erra.

Como última sugestão, ele indica a total eliminação dos modelos mais usados na gestão de risco, como o “Value at Risk” (VaR) e outros modelos quantitativos. Eles não deixaram de ser usados depois da crise, mesmo com todos os problemas apontados.

Isso se deve ao fato das pessoas, de um modo geral, darem pouca importância aos eventos pouco prováveis. Ao se ter uma falsa noção de certeza, muitos riscos são menosprezados. Inerente à natureza humana, o resultado desse equívoco é do conhecimento de todos.

Assim, Nassim Taleb conclui que, com agentes públicos, banqueiros e executivos compartilhando as perdas, a tendência é de menor alavancagem.

Com menos riscos se empilhando, todo o ecossistema se tornaria naturalmente mais resistente aos efeitos da imprevisibilidade, neutralizando os impactos negativos de eventos do tipo “cisne negro”.

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