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Maldição do Conhecimento

O que é a Maldição do Conhecimento?

Maldição do Conhecimento (ou curse of knowledge) é o nome dado à tendência que as pessoas têm de, após alcançar um nível mais elevado de ciência em alguma área, já não conseguirem se colocar no lugar daqueles que possuem um nível de conhecimento inferior. E, pior, como não percebem essa dissonância, acabam por não transmitir as suas ideias efetivamente. O resultado mais comum, então, é a queda na efetividade do discurso.

Na prática, é como aquele seu professor de física do ensino médio que, apesar de saber tudo da disciplina e ter mil diplomas, explicava de forma tão complicada que te fazia questionar se ainda falava em Português. “Óptica geométrica o quê?” “Teorema de quem?” “Movimento circular uniforme como?

Juramos que ele não fazia de propósito, ok?

A questão é que ele estava sob o efeito desse viés conhecido como maldição do conhecimento. Como tantos anos de estudo lhe permitiram se aprofundar tanto na Física, ele já não se recorda tão fielmente de como não é saber tanto. Igualzinho aos seus pais, que por vezes agem como se já tivessem nascido adultos, sem passar pela adolescência e juventude para te entender.

No fundo, todas as pessoas sob o efeito da maldição do conhecimento passam também pelo viés de retrospectiva (sobre o qual trataremos mais adiante). Mas muito se engana quem acredita que apenas os nossos professores entediantes e nossos pais cricris estão suscetíveis a isso.

Pelo contrário, a maldição do conhecimento pode ser o maior responsável pela grande maioria dos seus fracassos comunicacionais até hoje - no trabalho, nos relacionamentos e, claro, nas suas finanças.


Como surge a Maldição do Conhecimento?

Se você já leu o nosso artigo sobre lacuna de empatia sabe que nós, seres humanos, temos em uma enorme dificuldade de nos colocar até mesmo no nosso próprio lugar. Quem dirá no lugar dos outros!

Isso pode ter causas diferentes: podemos julgar mal os seus motivadores (como no caso do viés de incentivos extrínsecos) ou a sua responsabilidade nos problemas (como no caso do viés de observador), por exemplo.

No caso específico da maldição do conhecimento, o equívoco está na nossa própria memória. Em geral, nós temos a tendência de reinterpretar (e reeditar) os acontecimentos depois que os mesmos já aconteceram. Dessa forma, o cérebro se molda para que eventos passados se encaixem com o momento presente.

Dessa forma, quando o professor de Física se pergunta como ele pensava antes de se aprofundar na disciplina, a sua mente tenta reencenar aquele cenário. No entanto, como não consegue ignorar o conhecimento adquirido, essa lembrança está manchada e o que se tem como resultado é uma memória imprecisa do seu professor ainda aluno.

É por isso que tantas vezes, ao considerar se vale a pena explicar um conceito de forma mais simples, ele se detém com um “ah, isso eles já devem saber”.

Assim como os seus pais, que garantem que “eles não eram tão irresponsáveis, inquietos e contestadores quando tinham a sua idade” (embora os seus avós tenham uma opinião muito diferente).

Se você ainda tem dificuldades de entender como a maldição do conhecimento atua, faça o seguinte experimento. Identifique uma habilidade que você domina, como tocar um instrumento, falar outro idioma, ler etc. Agora, tente realizar essa atividade como se fosse um iniciante - toque aquele seu violão sem noções de notas ou encare esse artigo como um analfabeto. Consegue?

Por mais que você se convença de que está fazendo exatamente como fazia há anos atrás, quando não tinha conhecimento algum disso, o mais provável é que esteja aplicando os seus aprendizados sem perceber.

E quem está dizendo isso não somos nós.

Um estudo realizado pelos cientistas Ludwig Knoll e Hal R. Arkes provou que estudantes, após serem expostos a um texto sobre baseball e incentivados a realizar um teste desconsiderando tudo o que aprenderam nesse texto, ainda tiveram desempenho superior nos testes do que os que o fizeram sem conhecimento prévio algum.

Ou seja, por mais que tentemos, temos limitações para nos colocar no lugar de nós mesmos também no passado. E quem é o pobre coitado do mundo exterior que pode concorrer com isso?

O mais perigoso da maldição do conhecimento é quando, alheios ao seu efeito, tentamos transmitir as nossas ideias aos outros. Em especial, em ambiente corporativo.

Quantas companhias não conseguem conquistar o mercado porque o negócio (cheio de potencial) parece muito complicado e confuso para investidores, clientes e fornecedores?

Quantos entidades e profissionais não angariam patrocínio porque não conseguem traduzir os seus feitos e objetivos para os patrocinadores?

A solução não é nos escondermos e nunca mais usarmos de empatia nas relações. Na verdade, o ponto de virada pode estar nas chamadas psicopedagogia e psicoandragogia, que ao trazer dados científicos à forma como educamos o próximo em nossos projetos, nos desvencilha de confiar apenas na nossa própria empatia (falha) para ensinar.

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